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Ciclovia Tim Maia está para cair, e pode atingir pessoas, diz engenheiro

Depois de quatro desabamentos, especialista diz que parte da estrutura da via é apoiada apenas em canto de pilar no Rio de Janeiro

Ciclovia Tim Maia, no Rio de Janeiro, ja´desabou quatro vezes (Sergio Moraes/Reuters)

Ciclovia Tim Maia, no Rio de Janeiro, ja´desabou quatro vezes (Sergio Moraes/Reuters)

A
Agência O Globo

Publicado em 18 de agosto de 2020, 10h18.

Última atualização em 18 de agosto de 2020, 11h03.

Depois de quatro desabamentos — um deles, com duas mortes —, a segurança da Ciclovia Tim Maia parece estar novamente por um fio. Em um trecho da Avenida Niemeyer, perto de São Conrado, no Rio de Janeiro, onde já houve uma queda da estrutura no ano passado, o tabuleiro com a pista se deslocou sobre a viga de concreto, na direção do mar.

Por causa dessa movimentação, um dos apoios está equilibrado bem na ponta do pilar. A imagem chamou a atenção de integrantes do grupo Salvemos São Conrado, que fizeram o alerta, e impressionou especialistas da Coppe/UFRJ e da Politécnica/UFRJ consultados pelo GLOBO. Para eles, não há dúvidas: ali, há risco de acidente a qualquer momento.

Apesar de a ciclovia estar interditada desde abril do ano passado, o desabamento deste novo trecho poderia fazer novamente vítimas. É que, embaixo do ponto que apresenta problemas, há uma faixa de areia usada por banhistas. Além disso, embora as bicicletas estejam proibidas no local, pescadores são constantemente vistos na estrutura, sem serem incomodados pela fiscalização municipal. A Geo-Rio nega que exista algum perigo e garante fazer vistorias semanais na Niemeyer.

Especialistas, no entanto, afirmam que toda a área deve ser bloqueada e o reparo, feito com urgência, com um guincho especial para içar o tabuleiro. Caso contrário, o projeto, dizem, poderá ser cenário de uma nova tragédia.

"É o caso de uma ação emergencial, independente mente se vai construir de novo a ciclovia ou se vai jogá-la no lixo. A estrutura está para cair, e ela pode atingir pessoas", afirma o professor de Engenharia Civil da Coppe/UFRJ Eduardo de Miranda Batista.