Brasil

BYD planeja nova fábrica de ônibus elétricos no Brasil após demanda superar capacidade atual

Projeto prevê elevar a produção anual de cerca de 600 unidades, volume acumulado ao longo da última década, para até 7.000 chassis por ano

Ônibus elétricos: BYD planeja construir uma fábrica definitiva no estado de São Paulo (Germano Lüders/Exame)

Ônibus elétricos: BYD planeja construir uma fábrica definitiva no estado de São Paulo (Germano Lüders/Exame)

China2Brazil
China2Brazil

Agência

Publicado em 18 de dezembro de 2025 às 15h23.

Última atualização em 28 de janeiro de 2026 às 17h02.

Priorizar nos meus resultados Google
Tudo sobreChina
Saiba mais

A BYD planeja construir, nos próximos três anos, uma nova fábrica de grande porte para a produção de chassis de ônibus elétricos no Brasil. A decisão ocorre após a demanda superar a capacidade produtiva atual da empresa no país.

O projeto prevê elevar a produção anual de cerca de 600 unidades, volume acumulado ao longo da última década, para até 7.000 chassis por ano, além de gerar centenas de empregos e atender tanto o mercado interno quanto às exportações para a América do Sul e, no futuro, para a África.

Desde 2015, a BYD monta chassis de ônibus elétricos em Campinas, no interior de São Paulo. Segundo Marcello Schneider, diretor de veículos comerciais da BYD Brasil, a empresa projeta produzir cerca de 1.200 chassis apenas em 2026. Esse volume equivale ao dobro de tudo o que foi fabricado nos primeiros dez anos de operação no país.

Atualmente, a carteira de pedidos está praticamente fechada para todo o próximo ano, sem margem para novos contratos. De acordo com Schneider, a prioridade da empresa é cumprir os pedidos já firmados enquanto amplia a capacidade produtiva de forma gradual.

O aumento da demanda reflete, sobretudo, a renovação de frotas urbanas após a pandemia. Em São Paulo, operadoras substituem ônibus que permaneceram em circulação além do prazo previsto durante o período de restrições sanitárias. Além disso, regulamentações locais e programas de subsídio aceleraram a adoção de ônibus elétricos.

Outras capitais, como Curitiba, Goiânia, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, também iniciaram a introdução desses veículos, ainda em escala menor.

Embora a planta de Campinas tenha capacidade teórica para produzir até 2.000 chassis por ano, a produção efetiva é inferior. Isso ocorre porque a fábrica monta diferentes modelos, como ônibus articulados, que exigem mais tempo e recursos por unidade.

Para evitar atrasos nas entregas, a BYD adotou um plano de expansão em etapas. A iniciativa deve quase dobrar a capacidade atual em um prazo de quatro a seis meses.

Além disso, a BYD planeja construir uma fábrica definitiva, sem local definido, com início de operação previsto entre dois e três anos. Em plena capacidade, a nova planta poderá produzir entre 6.000 e 7.000 chassis por ano e também abrigar a futura produção de caminhões elétricos, hoje importados.

Além do mercado brasileiro, o projeto tem foco em exportação. Segundo Schneider, a BYD vê o Brasil como um polo estratégico para fornecer ônibus elétricos a países da América do Sul, especialmente no Mercosul. A empresa também considera exportações para a África no longo prazo, após consolidar a produção e a logística regionais.

A expansão da BYD no Brasil segue uma estratégia gradual no setor de novas energias. A atuação em veículos comerciais começou antes da entrada no mercado de automóveis de passeio. Inicialmente, a empresa importava veículos completos, mas passou a montar chassis localmente e a trabalhar com encarroçadoras brasileiras, como Caio Induscar e Marcopolo, para adequar os modelos às condições operacionais do país.

Com o tempo, a BYD ampliou sua presença para caminhões elétricos especializados e soluções em baterias, incluindo painéis solares e sistemas de armazenamento de energia.

Em 2023, a empresa entrou oficialmente no mercado brasileiro de carros de passeio ao assumir a antiga fábrica da Ford em Camaçari, na Bahia. O projeto representa o maior investimento da BYD no país, com aporte de R$5,5 bilhões, e prevê a geração de até 20 mil empregos. A capacidade inicial é de 150 mil veículos por ano, com previsão de duplicação na segunda fase.

Em outubro, a fábrica de Camaçari iniciou oficialmente suas operações. Um marco simbólico foi a saída do veículo elétrico número 14 milhões produzido pela BYD a partir dessa unidade.

Apesar de o Brasil ainda avançar em ritmo inferior ao de países como Chile e Colômbia na eletrificação automotiva, Schneider avalia que o tamanho do mercado nacional garante potencial de crescimento no longo prazo, à medida que a produção alcance escala.

Acompanhe tudo sobre:ChinaBYD

Mais de Brasil

Pesquisa AtlasIntel: aprovação de Lula cai a 44,7% e desaprovação chega a 53,4%

Pesquisa AtlasIntel 2º turno: Flávio Bolsonaro abre 5,4 pontos de vantagem sobre Lula

Por que o split payment da reforma tributária virou disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro

Eleições 2026: propaganda eleitoral do 2º turno começa nesta sexta-feira