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A boa e a má notícia de um eventual governo Haddad, segundo a Eurasia

Candidato do PT tem 60% de chance de ir ao segundo turno e 25% de chance de vencer a eleição, segundo a consultoria

Fernando Haddad, do PT (Foto/Exame)

Fernando Haddad, do PT (Foto/Exame)

João Pedro Caleiro

João Pedro Caleiro

Publicado em 5 de setembro de 2018 às 15h44.

Última atualização em 5 de setembro de 2018 às 18h08.

São Paulo - Fernando Haddad, atual vice-presidente na chapa de Lula a e seu provável substituto como cabeça de chapa, tem 60% de chance de ir ao segundo turno e 25% de chance de vencer a eleição, segundo a Eurasia.

Em nota divulgada nesta quarta-feira (05), a consultoria aponta que uma eventual vitória do candidato petista provavelmente levaria a uma crise de confiança no mercado financeiro.

Isso porque a plataforma oficial do PT defende a revogação das reformas do governo de Michel Temer, como o teto de gastos e a trabalhista, assim como uma virada à esquerda na política econômica com novas medidas intervencionistas.

"Não esperamos, no entanto, que este programa sirva de modelo para o que a administração Haddad seria. Na verdade, esperamos uma orientação de políticas muito mais amigáveis ao mercado", diz o texto.

Um dos motivos é que o tom adotado por líderes do partido ouvidos pela Eurasia a portas fechadas é diferente, com amplo reconhecimento da necessidade de um ajuste fiscal.

De acordo com reportagem da Reuters, líderes de instituições financeiras que se encontraram privadamente com Haddad também relatam razoabilidade e abertura ao diálogo.

A consultoria prevê que uma eventual nova administração do PT iria suavizar rapidamente suas posições, seguindo o modelo pragmático de Lula em 2002 - até porque as primeiras decisões de transição devem ser do ex-presidente.

Uma possibilidade é que o PT venha a propor alguma combinação de reforma da Previdência, alta de impostos e revogação do teto, além de indicar pessoas com boas credenciais para o ministério da Fazenda e a presidência do Banco Central.

"A má notícia, no entanto, é que não acreditamos que essa proposição será forte o suficiente para evitar totalmente a crise de confiança", diz o texto.

Um dos motivos é a avaliação, dentro e fora do PT, de que a virada de discurso de Dilma Rousseff entre sua eleição e sua posse foi justamente uma das coisas que a fizeram perder apoio da própria base; vozes no PT se insurgiram contra uma repetição do processo.

Alguns partidos poderiam ser cooptados para a base por meio de recursos, mas restaria um bloco anti-PT ainda mais fortalecido e sem incentivos para cooperar - ainda mais em temas impopulares como altas de impostos e em um cenário polarizado, com a discussão judicial de Lula ainda na pauta.

"O resultado final é um ajuste fiscal modesto em um ambiente político e econômico fraco com riscos de cauda significativos", diz o texto.

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