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Setor defende regulação do governo para exportação de carne à China

Segundo Roberto Perosa, presidente da Abiec, a expectativa é de que medida ajude a aliviar possíveis impactos da nova cota do país asiático sobre o setor

Roberto Perosa, presidente da Abiec: “todo o setor está aguardando uma regulação do governo para trazer estabilidade” (Abiec/Divulgação)

Roberto Perosa, presidente da Abiec: “todo o setor está aguardando uma regulação do governo para trazer estabilidade” (Abiec/Divulgação)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 16h20.

O setor brasileiro de carne bovina espera que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) crie mecanismos de regulação para os frigoríficos diante das cotas de exportação impostas pela China.

No fim de 2025, o governo chinês anunciou a aplicação de tarifas adicionais de 55% sobre as importações de carne bovina de países como o Brasil, caso os embarques ultrapassem certos limites. A cota total para 2026 será de 2,7 milhões de toneladas. O Brasil, principal fornecedor da proteína ao país, ficou com a maior parte: 41,1%, ou 1,1 milhão de toneladas, segundo o Ministério do Comércio da China (MOFCOM). No ano passado, embarcaram 1,7 milhão de toneladas para o país asiático — caso mantido o ritmo, 600 mil toneladas passariam a ser sobretaxadas.

O temor da indústria é que uma corrida nas exportações no primeiro semestre comprometa a participação brasileira no mercado chinês a partir do segundo. Nesse cenário, poderia haver um desequilíbrio na produção nacional.

“Apostamos numa regulação do governo para empresas. São conjuntos de medidas regulatórias para mitigar os impactos, e quem faz é o governo federal”, disse nesta segunda-feira Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).

Segundo Perosa, “todo o setor está aguardando uma regulação do governo para trazer estabilidade”, sem detalhar.

A regulação por parte do governo brasileiro depende do esclarecimento do país asiático, que, segundo Perosa, ainda não especificou como essa quantidade será enviada para lá, se haverá uma montante trimestral ou semestral, por exemplo.

Além da regulação, disse Perosa, também está em discussão no governo a criação de uma linha de crédito para pecuaristas e exportadores, nos moldes da implementada em 2025, quando o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aplicou um tarifaço sobre produtos brasileiros.

O presidente da Abiec, no entanto, não deu detalhes sobre a proposta, uma vez que há várias medidas sendo costuradas entre o governo e o setor.

Segundo Perosa, já foram realizadas quatro reuniões com representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), e um quinto encontro está previsto para os próximos dias.

“Estamos em um ritmo frenético de reuniões, cada uma com uma pauta diferente. Tem negociação de linha de crédito com o MDIC, tratativas com a China, conversas com o Mapa sobre novas oportunidades”, afirmou Perosa.

Carne bovina em 2026

Nos cálculos da Abiec, as exportações de carne bovina do Brasil neste ano devem ficar entre 3,3 e 3,5 milhões de toneladas.

Em 2025, o Brasil renovou seu recorde de embarques da proteína, com 3,5 milhões de toneladas exportadas — um aumento de 21% em relação a 2024. Em valor, as vendas cresceram 40%, alcançando US$ 18,03 bilhões, segundo a entidade.

A previsão mais cautelosa para este ano envolve a questão das cotas chinesas, mas Perosa acredita que uma eventual abertura de outros mercados, como o turco, o sul-coreano e o japonês — em negociações com o Brasil — possa elevar as estimativas de embarque.

“Substituir o volume de exportações para a China é muito difícil, devido à grande escala desse mercado. O cenário aponta para uma estabilidade sustentada no setor. Parte desse movimento virá da substituição de mercados, mas também do acesso a novas praças. A tendência, portanto, é uma composição entre diversificação e reposição”, afirmou Perosa.

A China manteve a liderança como principal destino da carne bovina brasileira em 2025, com 1,7 milhão de toneladas exportadas e US$ 8,90 bilhões movimentados — altas de 25,5% em volume e 48,3% em valor na comparação com 2024.

Para o presidente da Abiec, o número de abates de bovinos no país deve manter estabilidade em relação a 2025, ficando na casa de 40 milhões de cabeças.

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