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Protestos contra hidrovias travam operações em terminal da Cargill no Pará

Terminal é um dos principais pontos de escoamento de soja e milho pelo Arco Norte

Protestos em Santarém (PA): protestos começaram em janeiro, quando indígenas passaram a bloquear o acesso ao terminal em oposição ao projeto de hidrovias sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Protestos em Santarém (PA): protestos começaram em janeiro, quando indígenas passaram a bloquear o acesso ao terminal em oposição ao projeto de hidrovias sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 23 de fevereiro de 2026 às 15h57.

As operações no terminal portuário fluvial da Cargill, em Santarém (PA), permanecem suspensas nesta segunda-feira, 23, após a ocupação das instalações por manifestantes indígenas, informou a empresa.

Os protestos começaram em janeiro, quando indígenas passaram a bloquear o acesso ao terminal em oposição ao projeto de hidrovias sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que prevê a dragagem dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins. As comunidades alegam que não houve consulta prévia adequada.

Na quinta-feira, 19, a Justiça reiterou o prazo de 48 horas para a desocupação da área. O Ministério Público Federal (MPF) recorreu da decisão, sustentando que a medida desconsidera etapas obrigatórias de mediação e pode representar risco à integridade dos manifestantes.

O terminal é um dos principais pontos de escoamento de soja e milho pelo Arco Norte. A maior parte da produção de Mato Grosso é transportada por rodovia até Porto Velho (RO) ou Miritituba (PA), onde é transferida para barcaças com destino a Santarém.

Uma parcela menor chega diretamente ao terminal pela BR-163 ou é originada da produção local.

A capacidade de embarque da unidade é de 4,9 milhões de toneladas de grãos por ano, com capacidade de armazenagem de 114 mil toneladas.

Protestos em Santarém (PA)

Em nota, a Cargill afirmou que as ações foram “violentas” e relatou que, há cerca de 30 dias, manifestantes impedem o acesso de caminhões ao terminal, apesar de ordem judicial anterior que determinava a desocupação.

Funcionários que estavam no local teriam buscado abrigo em áreas fechadas por segurança até serem retirados. Não há registro de feridos.

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) classificou a ocupação como “ato ilegal e incompatível com o Estado Democrático de Direito”.

Em nota assinada pelo presidente da entidade, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), o grupo afirmou que a paralisação coercitiva de atividades essenciais é inadmissível.

Além da FPA, a Sociedade Rural Brasileira (SRB) disse que as reivindicações "devem ser discutidas entre o poder público e as comunidades, sem prejuízo ao funcionamento de empresas privadas".

O projeto de hidrovias já havia sido alvo de protestos durante a COP30, realizada em novembro, em Belém. À época, as ministras Sônia Guajajara e Marina Silva afirmaram que haveria consulta prévia às comunidades afetadas — promessa que, segundo os manifestantes, ainda não foi cumprida.

A paralisação ocorre em um momento de forte expansão logística na região Norte. Dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) mostram que, em 2025, os portos e terminais da região registraram o maior crescimento percentual do país, com alta de 10,33% na movimentação, totalizando 163,3 milhões de toneladas — acima da média nacional, de 6,1%.

Em Santarém, a movimentação avançou 13,24% no período, alcançando 18,5 milhões de toneladas.

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