Carne bovina: produção dos EUA deve cair 1% neste ano, projeta USDA (Freepik)
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 14 de fevereiro de 2026 às 07h00.
O governo dos Estados Unidos prepara um plano de US$ 750 milhões para conter o avanço da bicheira-do-Novo-Mundo, que se desloca do México em direção ao Texas.
Entre as iniciativas está a construção de uma fábrica no Texas para produzir moscas estéreis destinadas ao controle da praga, que ameaça a produção de carne bovina do país.
O projeto, anunciado na segunda-feira, 9, pela secretária do Departamento de Agricultura (USDA), Brooke Rollins, deve ser inaugurado até 2027.
Embora autoridades americanas afirmem que o parasita ainda não cruzou a fronteira, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) estima que a ameaça possa causar prejuízos de até US$ 1,8 bilhão à economia do Texas, segundo a Reuters.
Segundo o Ministério da Agricultura do México, um caso do parasita foi identificado recentemente em uma cabra no Estado do México, região que faz divisa com a capital, Cidade do México. O animal foi tratado, e os outros 20 que estavam no mesmo local testaram negativo e receberam tratamento preventivo.
No mês passado, as autoridades já haviam relatado um caso em um bezerro de apenas seis dias de vida no estado de Tamaulipas, no norte do país. Assim como no episódio mais recente, tratava-se do único animal infectado na propriedade.
Segundo dados oficiais atualizados até 31 de dezembro de 2025, o México contabiliza 13.106 casos da praga desde novembro de 2024, dos quais 671 permaneciam ativos. O estado de Chiapas, no sul do país, lidera o número de ocorrências, seguido por Oaxaca, Veracruz e Yucatán.
As moscas-varejeiras são parasitas cujas fêmeas depositam ovos em feridas abertas de animais. As larvas se alimentam de tecido vivo e, se não tratadas, podem levar o hospedeiro à morte.
O surto atual teve origem na América Central e avançou para o norte, afetando as cadeias de pecuária e de carne bovina tanto no México quanto nos Estados Unidos. Diante do avanço da praga, os Estados Unidos mantêm a fronteira sul praticamente fechada para a entrada de gado mexicano desde maio.
O avanço da doença no México deve dificultar ainda mais os planos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de reduzir os preços da carne bovina no país.
Nos últimos dois anos, o preço da carne moída — um dos principais cortes usados na produção de hambúrgueres — subiu 23% segundo dados do Bureau of Labor Statistics (BLS). Cerca de 80% da carne moída consumida nos EUA é destinada à produção de hambúrgueres.
A alta nos preços é resultado de uma combinação de fatores, como as condições climáticas adversas, a redução do rebanho bovino e a tarifa de 50% imposta pelo próprio governo Trump sobre a carne brasileira em julho de 2025.
Desde 2019, o rebanho de gado de corte nos Estados Unidos encolheu para 27,9 milhões de cabeças — uma queda de 13%. O inventário total de bovinos do país está no nível mais baixo desde 1951, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).
A oferta menor de gado, agravada pela seca no oeste do país, elevou os custos da pecuária. Com a escassez de pasto, muitos produtores foram forçados a investir mais em ração, o que pressionou as margens e levou parte deles a reduzir o tamanho do rebanho, vendendo animais.
A pandemia de 2020 também deixou impactos duradouros no setor: o fechamento de frigoríficos e as interrupções no processamento reduziram a demanda por gado, o que derrubou os preços pagos aos criadores.
Outro fator de pressão veio com a suspensão das importações de gado do México, em maio de 2025 — medida adotada para conter o avanço da bicheira-do-Novo-Mundo, parasita que pode matar animais infectados e, em casos raros, afetar também aves e humanos.
Tradicionalmente, os Estados Unidos importavam gado do México para engorda em confinamentos e posterior abate em frigoríficos americanos. Com a fronteira fechada, parte dessa oferta foi cortada, dificultando ainda mais o equilíbrio entre oferta e demanda e ampliando os desafios da Casa Branca no controle dos preços da carne.
Na sexta-feira, 6, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva autorizando o aumento em 80 mil toneladas das exportações de carne bovina da Argentina aos EUA, em mais uma tentativa de conter a alta dos preços internos.