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O fim do ciclo de alta do algodão? Rabobank vê transição no mercado global

Produção global deve cair 5% enquanto consumo cresce 1,5%, indicando mudança gradual no equilíbrio do setor

Produção de algodão: a safra 2025/26 deve alcançar cerca de 4,0 milhões de toneladas, configurando a segunda maior produção da história do país. (César H.S. Rezende)

Produção de algodão: a safra 2025/26 deve alcançar cerca de 4,0 milhões de toneladas, configurando a segunda maior produção da história do país. (César H.S. Rezende)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 25 de junho de 2026 às 06h02.

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O mercado global de algodão deve entrar em uma fase de transição na safra 2026/27, segundo relatório do Rabobank, divulgado nesta quarta-feira, 24.

O banco projeta um cenário de ajuste na oferta mundial, ao mesmo tempo em que a demanda avança em ritmo moderado, sinalizando uma mudança gradual no equilíbrio do setor após anos de produção elevada.

Segundo o documento, a safra 2026/27 deve registrar uma queda de aproximadamente 5% na produção global de algodão em relação ao ciclo anterior. No mesmo período, o consumo mundial tende a crescer cerca de 1,5%.

O relatório indica que os estoques mundiais de algodão devem se manter em patamar próximo de 15 a 17 milhões de toneladas, com leve tendência de redução ao longo dos próximos ciclos.

A relação estoque/consumo, segundo o Rabobank, permanece ao redor de 60% a 65%, nível considerado relativamente confortável do ponto de vista histórico, o que ajuda a amortecer movimentos mais fortes de alta nos preços.

Antes do ajuste projetado para 2026/27, o Brasil continua desempenhando papel central no equilíbrio do mercado global de algodão. A safra 2025/26 deve alcançar cerca de 4,0 milhões de toneladas, configurando a segunda maior produção da história do país.

O desempenho ocorre mesmo com retração de 2% de área plantada, compensada por ganhos de produtividade e condições climáticas favoráveis.

No curto prazo, o mercado de algodão segue marcado por volatilidade. Após uma recente alta, os preços recuaram tanto em Nova York quanto no mercado brasileiro, refletindo um ambiente de demanda global mais contida.

A inflação persistente e os juros elevados reduzem o ritmo de consumo global de têxteis, enquanto o aumento de cerca de 17% nos preços do petróleo nos últimos 12 meses pressiona os custos logísticos da cadeia.

Produção de algodão

No Mato Grosso, principal estado produtor, cerca de 72% da safra já foi comercializada, acima da média dos últimos cinco anos.

O movimento reflete a estratégia dos produtores de travar preços diante da volatilidade do mercado e da incerteza sobre o ciclo futuro.

No conjunto, o relatório do Rabobank aponta para um mercado em transição: enquanto a safra 2026/27 indica ajuste na oferta global, o cenário atual ainda é sustentado por estoques elevados e preços instáveis.

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