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Nutella mais cara? Geada na Turquia ameaça safra de avelãs e pode encarecer produto

País responde por 65% da produção global de avelã; preços já subiram 30% e Ferrero admite risco, apesar de contar com fornecedores alternativos

Publicado em 4 de julho de 2025 às 11h22.

Última atualização em 4 de julho de 2025 às 11h30.

Os fãs da Nutella podem começar a se preparar para uma alta nos preços do produto nos mercados. A causa: uma forte geada na Turquia, que afetou a safra de avelãs no país. 

Responsável por 65% da produção mundial, a Turquia enfrentou a pior geada da primavera em mais de uma década. Desde abril, os preços do avelã no atacado chegaram a subir 30% e devem continuar aumentando, segundo dados da empresa de inteligência agrícola Explana. 

Uma reportagem da Bloomberg revelou que, apesar de o fruto ser produzido em outros países, como Itália, Estados Unidos e Chile, a produção turca é dominante no mundo. “As variações na oferta e nos preços turcos reverberam em todo o mercado”, afirmou o Conselho Internacional de Nozes e Frutas Secas, entidade que representa o setor.

Consequências podem afetar o mercado do chocolate

O aumento nos preços das avelãs acende o alerta na Ferrero, gigante italiana que compra cerca de 25% da safra turca para produzir chocolates como Ferrero Rocher e o creme Nutella, que conta com 13% do fruto na receita.

Apesar de admitir que eventos como a geada “podem impactar” a produção na Turquia, a empresa disse contar com fornecedores alternativos para evitar desabastecimento.

A situação, segundo a Bloomberg, revela a fragilidade das cadeias alimentares diante do clima.

“Nos últimos anos, principalmente devido às mudanças climáticas, as temperaturas de inverno têm sido mais altas, o que faz as árvores frutíferas brotarem antes. Geadas na primavera, antes pouco frequentes, agora são uma grande ameaça à fruticultura”, disse o presidente da Associação de Engenheiros Agrícolas da Turquia.

Cem Şenocak, do Conselho Nacional de Avelãs, relata que alguns produtores em áreas de maior altitude perderam até 100% da colheita.

Enquanto isso, investidores enxergam oportunidade. A gestora finlandesa Evli incluiu a empresa turca Balsu Gıda em seu fundo, projetando que o valor do fruto possa quintuplicar em um ano, ao levar em consideração históricos de geadas e problemas com pragas. O principal grupo exportador turco reduziu em 20% a previsão da safra deste ano, agora estimada em 609 mil toneladas.

“Simplesmente não há de onde obter essas avelãs faltantes em escala até a próxima colheita turca, em agosto de 2026”, disseram Burton Flynn e Ivan Nechunaev, consultores do fundo, em publicação recente.

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