No ano passado, os produtores americanos colheram aproximadamente 667 mil toneladas de abóboras, segundo o USDA.
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 31 de outubro de 2026 às 07h01.
O mercado de abóboras dos Estados Unidos, impulsionado pelo consumo e pela decoração de Halloween neste sábado, 31, movimentou US$ 286 milhões em 2025, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Illinois liderou a produção, com 242 mil toneladas, mas recebeu o menor preço entre os cinco principais produtores. Indiana teve o maior valor de produção.
O Halloween, celebrado neste sábado, 31, é uma das datas mais associadas às abóboras nos Estados Unidos. Mas, por trás das lanternas esculpidas e das decorações que tomam conta das casas americanas, existe um mercado agrícola que movimentou US$ 286 milhões em 2025, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
No ano passado, os produtores americanos colheram aproximadamente 667 mil toneladas de abóboras. Embora a cultura esteja presente em todos os estados, a produção se concentra em cinco deles: Illinois, Califórnia, Indiana, Michigan e Pensilvânia, responsáveis por quase 72% do volume nacional.
O setor atende a dois mercados distintos. O primeiro é formado pelas abóboras vendidas para consumo fresco e decoração, especialmente durante o Halloween. O segundo abastece a indústria alimentícia, que transforma os frutos em conservas, purês, recheios de tortas, sopas e outros produtos processados.
A divisão ajuda a explicar uma característica do negócio: produzir mais abóboras não significa necessariamente faturar mais. Illinois é o maior exemplo disso.
O estado concentra mais de um terço da produção americana, mas recebe os menores preços entre os cinco principais produtores do país.
Com aproximadamente 242 mil toneladas de abóboras produzidas em 2025, Illinois ocupa a primeira posição no ranking americano. O volume supera a produção conjunta dos quatro estados seguintes e é quase quatro vezes maior que o registrado por Indiana.
A Califórnia aparece em segundo lugar, com cerca de 73,5 mil toneladas, seguida por Indiana, com 61,2 mil toneladas, Michigan, com 52,2 mil toneladas, e Pensilvânia, com 47,6 mil toneladas.
Illinois também lidera em área cultivada. Dos aproximadamente 27,6 mil hectares plantados com abóboras nos Estados Unidos em 2025, o estado respondeu por cerca de 6 mil hectares. Indiana aparece em segundo lugar, com aproximadamente 3,1 mil hectares.
A liderança de Illinois está diretamente relacionada à presença da indústria de processamento de alimentos.
Segundo o Departamento de Agricultura do estado, a fábrica da Nestlé/Libby's, localizada em Morton, processa 85% da abóbora enlatada do mundo. A concentração dessa atividade fez com que a cidade passasse a ser conhecida como a Capital Mundial da Abóbora.
A história da produção local também está ligada ao desenvolvimento de uma variedade específica do fruto.
De acordo com a Libby's, a empresa utiliza uma variedade própria da abóbora Dickinson, tecnicamente classificada como uma abóbora de inverno. A origem da variedade na região remonta a 1835, quando Elijah Dickinson levou uma semente do Kentucky para Illinois.
Desde então, o cultivo se consolidou como uma atividade agrícola ligada à indústria alimentícia, com características econômicas diferentes das plantações destinadas ao mercado ornamental.
A diferença está no destino da produção. Nos Estados Unidos, cerca de 85% das abóboras são cultivadas para consumo fresco e uso ornamental, mercado que inclui os frutos vendidos para decoração de Halloween.
Em Illinois, entretanto, 68,5% da produção é destinada ao processamento industrial, a maior proporção entre os estados americanos. Esse perfil influencia diretamente o valor recebido pelos agricultores.
Segundo os dados do USDA, o preço médio pago aos produtores de Illinois foi de aproximadamente US$ 106 por tonelada de abóbora em 2025.
Na Pensilvânia, a tonelada foi comercializada por cerca de US$ 593, enquanto Indiana registrou US$ 522. Em Michigan, o preço chegou a US$ 437 por tonelada e, na Califórnia, a US$ 353.
Isso significa que o preço recebido pelos agricultores da Pensilvânia foi aproximadamente 5,6 vezes superior ao registrado em Illinois.
A diferença se explica pelo perfil comercial das abóboras. Os frutos destinados à decoração e ao consumo fresco alcançam preços mais elevados do que aqueles vendidos em grandes volumes para a indústria de processamento.
Como Illinois concentra boa parte de sua produção no abastecimento industrial, o estado consegue produzir grandes quantidades, mas recebe um valor menor por tonelada comercializada.
A liderança em volume não se repete no faturamento: Illinois é o maior produtor de abóboras dos Estados Unidos, mas Indiana registra o maior valor de produção entre os cinco principais estados.
Em 2025, Indiana liderou esse indicador, com US$ 31,6 milhões, seguido pela Pensilvânia, com US$ 28 milhões. Illinois e Califórnia registraram US$ 25,5 milhões cada, enquanto Michigan somou US$ 22,5 milhões.
No conjunto do país, a dimensão da produção também chama atenção. Segundo o USDA, em 2025 os agricultores americanos produziram, em média, aproximadamente 2,4 quilos de abóbora por habitante.
Enquanto nos EUA o Halloween impulsiona a comercialização de abóboras ornamentais, no Brasil a cultura tem uma dinâmica diferente, voltada principalmente ao mercado de alimentos.
Ainda assim, a produção nacional movimenta centenas de milhões de reais e está presente em todas as unidades da Federação.
Segundo o Censo Agropecuário de 2017, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção brasileira de abóboras, morangas e jerimuns alcançou 417,8 mil toneladas, distribuídas por 78,7 mil hectares e 273,5 mil estabelecimentos agropecuários.
O levantamento aponta um Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 366 milhões. Minas Gerais liderou em participação no valor da produção nacional, com 17,6%, seguido pelo Rio Grande do Sul (13,7%) e pela Bahia (13,1%).
Outros estados também se destacam no cultivo, como Goiás, São Paulo, Paraná e Santa Catarina, segundo informações do Cepea/Hortifruti e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
A produção brasileira também apresentou crescimento entre os censos agropecuários de 2006 e 2017. Segundo a Embrapa, em 2006 o país produziu aproximadamente 385 mil toneladas de abóboras, em uma área de 88,1 mil hectares.
Na comparação com 2017, houve um aumento de aproximadamente 8,5% na produção, acompanhado por uma redução de cerca de 11% na área cultivada.
Diferentemente dos Estados Unidos, onde as abóboras também abastecem um mercado de decoração associado ao Halloween, os dados brasileiros apresentados abrangem variedades destinadas principalmente ao consumo alimentar e não permitem identificar especificamente o volume produzido para fins ornamentais.
O mercado americano de abóboras movimentou US$ 286 milhões em 2025, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Os produtores colheram cerca de 667 mil toneladas no período.
Illinois é o maior produtor de abóboras dos Estados Unidos, com aproximadamente 242 mil toneladas colhidas em 2025. O volume superou a produção conjunta de Califórnia, Indiana, Michigan e Pensilvânia, os quatro estados seguintes no ranking.
Illinois recebe menos porque 68,5% de sua produção segue para o processamento industrial, segmento que paga valores inferiores aos mercados fresco e ornamental. Segundo o USDA, os produtores do estado receberam cerca de US$ 106 por tonelada em 2025, ante US$ 593 na Pensilvânia.
Indiana registrou o maior valor de produção entre os cinco principais estados em 2025, com US$ 31,6 milhões. Pensilvânia veio em seguida, com US$ 28 milhões, enquanto Illinois e Califórnia alcançaram US$ 25,5 milhões cada.
A fábrica da Nestlé/Libby's em Morton sustenta a forte presença da indústria de processamento em Illinois. Segundo o Departamento de Agricultura do estado, a unidade processa 85% da abóbora enlatada do mundo, o que levou Morton a ser conhecida como a Capital Mundial da Abóbora.
Segundo o Censo Agropecuário de 2017 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil produziu 417,8 mil toneladas de abóboras, morangas e jerimuns, com Valor Bruto da Produção de R$ 366 milhões. Minas Gerais liderou a participação no valor nacional, com 17,6%.