Festa do Peão de Barretos em 2026: A aposta da DVT é que o sertanejo continue sendo a porta de entrada para uma indústria maior de entretenimento, conectando música, agro, marcas e experiências. (RT IMAGENS/Divulgação)
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 29 de agosto de 2026 às 12h00.
BARRETOS (SP)* — Uma lata de cerveja vendida na Festa do Peão de Barretos, em 1992, foi o primeiro passo de um negócio que acompanhou uma transformação maior. O sertanejo deixou de ser apenas um gênero musical ligado ao interior e passou a movimentar uma indústria que conecta música, agro, marcas e consumo.
Mais de três décadas depois, o Grupo DVT quer aproveitar essa força para ampliar sua atuação. Dona de eventos como Festa do Peão de Barretos, Jaguariúna e Caldas Country, a companhia aposta em novas turnês, artistas e mercados para crescer além dos rodeios.
O avanço do sertanejo acompanha a própria relevância econômica do agronegócio brasileiro. O setor movimenta cadeias que vão da produção rural ao consumo final e passou a ocupar espaço também na cultura e no entretenimento. Em 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária cresceu 11,7% e alcançou R$ 775,3 bilhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Para empresas de bebidas, veículos, bancos e varejo, os eventos sertanejos se tornaram uma plataforma de contato com um público conectado ao campo e ao consumo.
“Eu cresci vendo a força do sertanejo. É mais do que música, é uma representação da cultura do interior, que hoje também está presente nas grandes cidades”, afirma Guilherme Marconi, vice-presidente de negócios do Grupo DVT.
A companhia não divulga faturamento, mas afirma que mais de 50% da receita está ligada ao universo sertanejo. Em 2025, cerca de 2 milhões de pessoas passaram pelos eventos da empresa, vindas de mais de 2,5 mil cidades.
A escala foi construída a partir da transformação de festas tradicionais em plataformas de negócios. Há quatro anos, em parceria com a Ambev e por meio da agência Together, a DVT criou o Circuito Sertanejo, reunindo seis dos principais eventos do país, como ExpoLondrina, Ribeirão Rodeo Music, Pedro Leopoldo Rodeio Show, Festa do Peão de Barretos, Jaguariúna Rodeo Festival e Caldas Country.
A iniciativa mudou a relação entre eventos e patrocinadores. Em vez de vender apenas ativações isoladas, a companhia passou a oferecer às marcas presença durante todo o calendário sertanejo. Hoje, a DVT é dona de quatro dos seis eventos do Circuito — Barretos e Pedro Leopoldo continuam com seus organizadores originais, mas mantêm parcerias de longo prazo com o grupo.
Além dos festivais, a empresa atua na operação de alimentos e bebidas, camarotes, patrocínios e ingressos. A Total Acesso, plataforma de venda de entradas da companhia, é uma das maiores empresas do mercado sertanejo.
“A história da companhia se mistura com a expansão do próprio sertanejo como mercado. Eu falo que é uma simbiose, não dá para separar a nossa história da história de Barretos”, afirma Marconi.
A relação começou quando o pai do executivo criou uma distribuidora de bebidas em Barretos. O negócio nasceu como Diverti antes de se tornar DVT e cresceu ao transformar eventos em experiências para público, artistas e marcas.
A nova geração do sertanejo ampliou ainda mais o alcance do gênero. Marconi cita Ana Castela, conhecida como “Boiadeira”, como exemplo de uma artista que aproxima a cultura do campo de públicos mais jovens e urbanos.
Para a DVT, essa conexão abre novas oportunidades comerciais. A empresa quer crescer cerca de 15% ao ano na próxima década, ampliando a presença em eventos, turnês e projetos musicais.
“Quando a gente analisa os últimos dez anos, a gente cresce numa média de 25% ao ano. A gente não tem clareza de que vai conseguir manter essas taxas nos próximos dez anos. Nas nossas projeções, somos mais conservadores”, diz.
Além dos grandes festivais, o grupo começou a ampliar sua atuação para a produção de turnês. A estratégia é usar a experiência acumulada em eventos para criar novos formatos de negócios com artistas.
A companhia já trabalhou com nomes de diferentes gêneros, como o rapper BK, e participou da criação e realização de projetos como a turnê Caju, de Liniker. Na estreia, em julho, 48 mil pessoas ocuparam o Nubank Parque para o evento. Agora, o foco da DVT volta a se aproximar do sertanejo.
Entre os artistas com quem mantém conversas estão Ana Castela, Fernando & Sorocaba e Matheus & Kauan. “São nomes de que a gente é muito próximo e com quem conversa sobre a possibilidade de fazer projetos juntos. Possivelmente em breve teremos um primeiro projeto”, afirma.
O grupo também aposta em artistas em desenvolvimento. Segundo Marconi, o principal critério é o potencial de conexão com o público.
“O talento é muito importante. A gente fala muito da estrela, da luz que um artista tem. Queremos trabalhar tanto com quem está começando quanto com artistas consagrados.”
Mesmo com décadas de história, o DVT vê espaço para ampliar os principais eventos do portfólio. Barretos e Jaguariúna, segundo Marconi, ainda podem ganhar mais público, estruturas e novas experiências.
O camping de Barretos é um dos exemplos. O espaço vem crescendo e já se tornou uma atração própria dentro da festa, com apresentações de artistas como Ana Castela, Nattan e Gusttavo Lima. Neste ano, os 11 dias da Festa do Peão de Barretos tiveram a capacidade do camping esgotada.
“A gente entende que a estrutura ainda pode ser ampliada, com mais palcos, uma programação mais rica, artistas nacionais e internacionais e uma cobertura cada vez maior da festa”, afirma.
Além do Brasil, a companhia também testa novas fronteiras. O Coala, festival de música brasileira criado em 2014, chegou a Portugal em 2025 e terá uma nova edição no país neste ano.
A aposta da DVT é que o sertanejo continue sendo a porta de entrada para uma indústria maior de entretenimento, conectando música, agro, marcas e experiências.
*O repórter viajou a convite do Grupo DVT.