Pistache: Irã e EUA disputam o título de maior produtor mundial da oleaginosa (Freepik)
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 13 de janeiro de 2026 às 16h36.
Última atualização em 14 de janeiro de 2026 às 10h39.
A ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar tarifas a países que mantêm relações comerciais com o Irã pode afetar diretamente o fornecimento de um dos produtos mais valorizados dos últimos anos: o pistache.
A oleaginosa é um dos poucos produtos agrícolas que sustentam a base econômica iraniana. Em 2025, a produção de pistache no Irã cresceu 16% em relação ao ano anterior, alcançando 380 mil toneladas e superando os Estados Unidos.
Com isso, o país se tornou o maior produtor mundial da semente, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). Além dos dois gigantes, Turquia e Austrália também se destacam na produção global.
Na segunda-feira, 12, Trump anunciou a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos originários de países que mantêm laços comerciais com o Irã. A medida, segundo ele, visa aumentar a pressão sobre o governo iraniano, que enfrenta uma onda de protestos populares.
A tarifa, afirmou, entra em vigor “imediatamente”, embora ainda não esteja claro o que será considerado como “fazer negócios” com o Irã — o que abre margem para interpretações e incertezas no comércio internacional.
Hoje, o Irã é um dos principais fornecedores de pistache para a China, Índia, União Europeia (com destaque para Alemanha e Itália), Rússia e Emirados Árabes Unidos, segundo a Iran Pistachio Association (IPA). Qualquer sanção ou barreira adicional pode afetar toda a cadeia global de fornecimento — do snack ao sorvete, passando por pratos gourmet e alta confeitaria.
A exportação do pistache movimenta cerca de US$ 1,5 bilhão por ano para o Irã e gera 350 mil empregos diretos. Entre 70% e 80% da produção é destinada ao mercado externo, tornando-se uma das principais fontes de receita não ligada ao petróleo. Nos últimos 11 anos, a área plantada no país cresceu 83%, impulsionando a modernização do setor.
Em 2025, as exportações globais de pistache atingiram um recorde de 650 mil toneladas, puxadas pelos embarques iranianos. Enquanto isso, os EUA enfrentaram uma queda de quase 20% nas vendas externas, exportando 350 mil toneladas no período, diz o USDA.
A China tem sido um dos principais vetores de crescimento da demanda mundial. Segundo o relatório Pistachio Market Update 2025, do USDA, o consumo chinês da semente atingiu 160 mil toneladas em 2024, consolidando o país como o segundo maior importador global, atrás apenas da União Europeia. As importações totalizaram 134 mil toneladas no ano passado.
“A demanda vem sendo impulsionada pela crescente conscientização dos consumidores chineses sobre os benefícios nutricionais das oleaginosas e pela popularização do pistache como snack saudável”, diz o relatório.
Sem produção local devido às condições climáticas, todo o pistache consumido no Brasil é importado. E o consumo tem crescido de forma expressiva. Os Estados Unidos são os principais fornecedores para o país, seguidos pelo Irã.
Após uma queda entre 2018 e 2021 — quando as importações chegaram a apenas 311 toneladas —, o mercado brasileiro voltou a se aquecer. Em 2022, o volume importado subiu para 352 toneladas, saltou para 601 toneladas em 2023 e atingiu 1.100 toneladas em 2024, segundo dados do governo federal.
Atento ao avanço da demanda, o USDA, por meio de seu escritório de comércio agrícola em São Paulo, vem realizando uma série de ações promocionais desde 2020 para fortalecer a presença do pistache no Brasil.
As iniciativas incluem participação em feiras internacionais, parcerias com restaurantes renomados, ações com chefs influentes e aulas de culinária com mais de 40 criadores de conteúdo do setor gastronômico.
Em um relatório publicado em 2024, o USDA classificou o Brasil como um “terreno fértil para os exportadores”, destacando o potencial de crescimento do mercado, especialmente entre a classe média urbana, que vem incorporando o pistache à rotina — seja como lanche saudável, ingrediente de pratos doces e salgados, ou como item premium nas prateleiras dos supermercados.