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Com carne em alta, JBS e MBRF viram aposta do Santander para 2026

Banco projeta valorização nas ações após desempenho forte nas exportações e melhora nas margens operacionais

JBS: nova holding será controlada pela JBS, com 80% de participação, enquanto os 20% restantes ficarão com a OFC — reforçando a estratégia de expansão da companhia no Oriente Médio. (Divulgação)

JBS: nova holding será controlada pela JBS, com 80% de participação, enquanto os 20% restantes ficarão com a OFC — reforçando a estratégia de expansão da companhia no Oriente Médio. (Divulgação)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 8 de janeiro de 2026 às 06h01.

A JBS e MBRF iniciam 2026 com perspectivas positivas, impulsionadas pelo bom momento das exportações de proteínas e pela confiança renovada do mercado financeiro, segundo relatório do Santander, que aponta potencial de valorização das ações ao longo do ano.

Ambas as companhias mantêm recomendação Outperform — indicação de que devem ter desempenho acima da média do mercado.

“Vemos espaço para re-rating das ações, sustentado por uma combinação de crescimento, desalavancagem e geração de caixa”, afirmaram os analistas Guilherme Palhares e Laura Hirata, autores do relatório, divulgado nesta quarta-feira, 7.

O banco elevou o preço-alvo da JBS nos Estados Unidos para US$ 17, o que representa um potencial de valorização de 26% sobre a cotação atual de US$ 13,46. Para a MBRF, o preço-alvo subiu para R$ 26, ante os R$ 19,10 atuais — um ganho estimado de 36%.

O otimismo está ancorado no desempenho das exportações brasileiras de carne bovina em 2025.

O Brasil embarcou 3,5 milhões de toneladas, alta de 21% em relação a 2024. Em valor, as vendas cresceram 40%, atingindo US$ 18,03 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).

Somente em dezembro, os embarques somaram 347 mil toneladas e US$ 1,85 bilhão, com altas de 50,4% em volume e 67,3% em receita na comparação anual.

A valorização dos preços foi puxada pelo mix de destinos, com os Estados Unidos assumindo protagonismo: o país foi o segundo maior comprador da proteína brasileira, com 272 mil toneladas importadas e US$ 1,64 bilhão — crescimento de 18,3% em volume e 21,3% em valor.

“O volume exportado por cidades onde operam JBS, MBRF e Minerva segue historicamente elevado, mesmo com ajustes na composição geográfica”, apontam os analistas.

Além da carne bovina, o setor de frango também apresentou bom desempenho, com destaque para o crescimento dos embarques para China e União Europeia, principalmente de cortes como patas e asas. Apesar de terem menor valor agregado, os produtos compensaram a desaceleração das exportações para o México.

A JBS se destacou com preços e volumes superiores aos dos concorrentes, resultado da forte presença em mercados estratégicos. Já a MBRF ampliou suas exportações após incorporar ativos vendidos pela BRF, antes da transferência definitiva à Minerva.

Os riscos na pecuária

O banco alerta, no entanto, para riscos que podem afetar o setor ao longo do ano, como a valorização do real, eventuais surtos sanitários — como a gripe aviária —, a volatilidade nos preços dos grãos e o estágio do ciclo pecuário no Brasil e nos Estados Unidos.

No Brasil, a expectativa é de uma queda de 7,5% no número de abates em 2026, para cerca de 38 milhões de cabeças, o que tende a impactar toda a cadeia pecuária. A retração reflete o estágio atual do ciclo do gado, segundo projeções da Datagro, consultoria agrícola.

O movimento funciona da seguinte forma: após um período de abates elevados, como o observado recentemente, a oferta de bezerros diminui.

Com menos animais disponíveis para reposição, o preço do bezerro sobe e pode superar o valor do boi gordo, ampliando o chamado ágio da reposição — a diferença paga pela arroba do animal de reposição em relação ao preço do boi pronto para abate.

Diante desse cenário, o pecuarista tende a reter as fêmeas no campo, em vez de enviá-las ao abate, apostando que os bezerros que nascerão no ciclo seguinte terão maior valor. Trata-se de um ajuste natural do ciclo pecuário, cujo objetivo é reequilibrar oferta e preços ao longo do tempo.

Nos EUA, a situação é considerada ainda mais sensível. Os rebanhos americanos estão no menor nível em décadas[/grifar], pressionados por anos de seca e pelos elevados custos de alimentação.

“Seguimos atentos ao ciclo nos EUA, com impactos esperados a partir do segundo semestre”, afirma o Santander.

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