Arroz e feijão: produção deve cair 13%, estima Conab (Freepik)
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 06h01.
Última atualização em 21 de janeiro de 2026 às 11h05.
A produção brasileira de arroz deve cair 13% na safra 2025/26, totalizando 11 milhões de toneladas, segundo estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Mas analistas ouvidos pela Exame estimam que, mesmo com a queda na oferta do grão, os preços não devem subir neste ano.
Em 2025, em função da oferta abundante, os preços do arroz recuaram 26,6%, segundo dados da inflação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo Antônio da Luz, economista-chefe da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), não há perspectiva de alta no curto prazo. A tendência é de preços estáveis ou até mais baixos ao consumidor, pelo menos no primeiro semestre de 2026.
O Rio Grande do Sul, principal produtor de arroz do Brasil, concentra cerca de 70% da produção nacional e deve responder por 7,8 milhões de toneladas, segundo a Conab.
“A oferta total leva em conta estoques, produção e importações — e esses três vetores ainda estão fortes. Mesmo com safra menor, não há espaço para alta nos preços ao consumidor”, afirma.
Para ele, a redução na produção pode ser benéfica no longo prazo, ao contribuir para o reequilíbrio do setor. “O que está acontecendo com a redução de área são ajustes absolutamente naturais e necessários para a sustentabilidade da atividade”, diz.
Na avaliação de Francisco Ferreira, pesquisador e economista da FGV-Ibre, o preço do arroz no Brasil acompanha o comportamento do mercado internacional.
“Hoje estamos num patamar de preços muito baixo por conta das grandes safras na Índia e em outros países asiáticos”, afirma.
Segundo ele, os valores já pararam de cair, mas não há expectativa de retomada significativa no curto prazo.
O pesquisador alerta, no entanto, para a pressão de outras commodities sobre o custo da alimentação. “O arroz está num buraco de preço, enquanto outros produtos do prato do brasileiro podem subir”, afirma.
Segundo o Cepea, a produção global de arroz deve cair em 10 dos 16 maiores países produtores, o que deve reduzir a oferta mundial após nove anos consecutivos de crescimento.
Dados divulgados em dezembro pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontam que a produção mundial de arroz beneficiado na safra 2025/26 está estimada em 540,4 milhões de toneladas, volume ligeiramente inferior ao da safra anterior — e que representa a primeira retração desde 2015/16.
A queda na produção de arroz no Brasil está diretamente ligada à redução dos preços ao longo de 2025 e aos amplos estoques disponíveis, o que levou muitos produtores a optarem por outras culturas.
Para Antônio da Luz, economista-chefe da Farsul, o país vive hoje um cenário claro de superoferta.
“Nós produzimos 12,7 milhões de toneladas em 2025, número muito acima dos 10,5 milhões de toneladas que os brasileiros consomem anualmente. Isso, somado ao arroz já armazenado, nos faz entrar na nova safra com estoques suficientes para abastecer o país por três meses”, afirma.
Esse acúmulo de produto pressionou os preços pagos ao produtor, que despencaram de R$ 120 para R$ 50 por saca.
“O produtor que vendia com margem de 30% passou a operar no prejuízo de até R$ 7.200 por hectare”, diz. Com margens negativas, a retração da área plantada se tornou inevitável.
Segundo o Cepea, a tendência de queda também se verifica no cenário global. A produção deve ser menor em 10 dos 16 maiores países produtores, o que interromperia uma sequência de nove anos de crescimento contínuo da oferta mundial.
Dados divulgados em dezembro pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontam que a produção global de arroz beneficiado na safra 2025/26 deve totalizar 540,4 milhões de toneladas, uma leve queda em relação à safra anterior — e a primeira retração desde 2015/16.