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China elimina tarifas sobre agro dos EUA, mas vantagem ainda é do Brasil

Embarques da soja dos EUA para o país asiático seguem sujeitos a uma tarifa de 13%

Colheita da soja: a trabalhos da safra 2025/26 alcançou 16% da área cultivada até quinta-feira.
 (Wenderson Araujo/CNA/Divulgação)

Colheita da soja: a trabalhos da safra 2025/26 alcançou 16% da área cultivada até quinta-feira. (Wenderson Araujo/CNA/Divulgação)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 6 de novembro de 2025 às 12h03.

Última atualização em 6 de novembro de 2025 às 12h08.

O anúncio de que a China reduziu e eliminou tarifas sobre produtos agrícolas dos Estados Unidos não deve alterar o cenário da soja brasileira no curto prazo. Apesar da medida, os embarques dos EUA seguem sujeitos a uma tarifa de 13%, (antes era 34%) o que, segundo analistas, mantém a oleaginosa americana menos competitiva frente à soja brasileira, isenta de tarifas.

"O Brasil já exportou uma quantidade enorme de soja em 2025, cerca de 90 milhões de toneladas de janeiro a outubro. O volume destinado à China também é expressivo, superior a 82 milhões de toneladas, diz Joana Colussi, professora da Universidade de Purdue.

Na quarta-feira,5, a comissão de tarifas do Conselho de Estado da China disse que removerá as tarifas de até 15% impostas a determinados produtos agrícolas dos EUA. Contudo, manterá as taxas de 10% adotadas em resposta às tarifas do "Dia da Libertação" do presidente americano, Donald Trump.

A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) projeta que o Brasil deve ultrapassar a marca de 105 milhões de toneladas de soja exportadas em novembro, aproximando-se do recorde de 110 milhões de toneladas projetado para 2025. Desse total, 80% deve ser embarcado para a China.

Historicamente, Brasil e Estados Unidos são os principais fornecedores de soja para a China. Em 2024, o país asiático importou 105 milhões de toneladas de soja. Desse total, 71% vieram do Brasil e 21% dos EUA, mostram dados do TradeMap da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Na semana passada, Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, anunciou que a China compraria 12 milhões de toneladas de soja americana até o final de 2025.

Além disso, segundo Bessent, a China deve comprar 25 milhões de toneladas de soja dos EUA nos próximos três anos, o que, na prática, representa um retorno à normalidade nas exportações de soja americanas para o país asiático.

"Mesmo que os 12 milhões de toneladas prometidos no acordo sejam efetivamente embarcados, o somado ao que já foi exportado para a China neste ano (em torno de 6 milhões de toneladas) ficará bem abaixo do volume exportado em 2024, que foi de quase 27 milhões de toneladas", diz Colussi.

Além da soja, outros produtos agrícolas americanos como o sorgo e o milho tiveram suas tarifas reduzidas.

Acordo entre EUA e China

Para Marcos Jank, professor do Insper Agro, o setor agropecuário brasileiro precisa estar atento aos acordos entre EUA e China. Ele explica que, caso o país asiático retire todas as tarifas sobre a soja dos EUA, o Brasil pode perder espaço no mercado chinês. Até 2017, antes da guerra comercial iniciada por Trump, a soja americana tinha tarifa zero.

"Se as tarifas forem reduzidas a zero, a competição será direta com o Brasil. No entanto, se for criado algum tipo de privilégio para a soja americana em detrimento da soja da América do Sul, o Brasil pode, de fato, perder mercado", afirma.

O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) estima que as exportações agrícolas dos EUA para a China somarão US$ 17 bilhões em 2025, uma queda de 30% em relação a 2024 e mais de 50% em comparação com 2022.

O Brasil deve bater um recorde de exportação de soja em 2025, com previsão de enviar 112 milhões de toneladas até janeiro de 2026, com a China, principal compradora, sendo o destino majoritário, diz a Datagro, consultoria agrícola.

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