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Brasil quer liderar mercado global de bioinsumos com experiência tropical e tecnologia

No Brasil, o uso desses produtos de origem natural aumentou, em média, 22% nos últimos três anos

Colheita de trigo no Brasil (Andre Borges/EFE)

Colheita de trigo no Brasil (Andre Borges/EFE)

EFE
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Agência de Notícias

Publicado em 16 de outubro de 2025 às 11h55.

Terceiro maior exportador do agronegócio do mundo e referência em práticas sustentáveis no setor, o Brasil busca assumir a liderança no mercado internacional de bioinsumos, com sua ampla experiência técnica em agricultura tropical e o alto nível tecnológico de suas formulações.

Segundo explicou em entrevista à EFE o gerente de Agronegócios da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir André Müller, aumentar a exportação de soluções verdes é também uma estratégia fundamental para “consolidar a liderança” do país no agro sustentável.

Diante da rápida expansão dos bioinsumos, impulsionada pela sustentabilidade e pela rentabilidade que proporcionam, Müller destacou que o Brasil “ocupa uma posição estratégica nesse movimento global” por reunir uma biodiversidade única — base para a descoberta de microrganismos com potencial agrícola —, pesquisa de ponta, uma indústria madura e agricultores adeptos à inovação.

No Brasil, o uso desses produtos de origem natural aumentou, em média, 22% nos últimos três anos, um índice quatro vezes superior à média mundial, alcançando 158,6 milhões de hectares tratados na safra 2024-2025, o que corresponde a 26% da área nacional cultivada.

Além disso, o país, que registrou um crescimento de 35% no mercado interno de bioinsumos na última safra, já conta com mais de 170 empresas produtoras de bioinsumos e com um portfólio que supera mil itens.

“O diferencial brasileiro está em desenvolver formulações adaptadas a condições extremas de clima no campo, além do ambiente controlado de casas de vegetação, predominante em mercados como o europeu”, afirmou o economista e mestre em Agricultura e Desenvolvimento.

Ainda de acordo com ele, o Brasil tem avançado em tecnologias de formulação sustentáveis, que “aumentam a performance dos produtos em campo e consolidam o país como um dos poucos capazes de entregar bioinsumos competitivos e adequados às demandas de uma agricultura resiliente e produtiva”.

Segundo o ex-secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento Agrário, essas características fazem com que os bioinsumos brasileiros sejam “competitivos em um cenário de mudanças climáticas e demanda por soluções sustentáveis”.

Sobretudo em cultivos de grãos, cana-de-açúcar, algodão, café e frutas, esses produtos de origem natural têm sido decisivos para aumentar a eficiência produtiva, reduzir pragas e doenças e diminuir o uso de fertilizantes nitrogenados.

Cooperação e liderança

Diante desse contexto, a ApexBrasil se uniu à associação civil sem fins lucrativos CropLife Brasil para colocar em prática o “Projeto Bioinsumos do Brasil”.

A iniciativa, lançada em maio, busca consolidar o país como protagonista mundial na oferta de soluções agrícolas baseadas na natureza, especialmente “bioinsumos de alta qualidade e tecnologicamente avançados”.

As ações incluem a criação de uma marca internacional para os bioinsumos brasileiros, a elaboração de estudos de inteligência de mercado, a participação em feiras globais e em missões técnicas para fortalecer a cooperação com países parceiros, além do alinhamento de políticas públicas e de convergências regulatórias.

Com um orçamento de cerca de R$ 5 milhões, a iniciativa tem como foco inicial o mercado latino-americano, pela proximidade logística e similaridades de clima e solo.

Mais adiante, o projeto se centrará na União Europeia e na América do Norte, “mercado-chave para a exposição dos cases brasileiros de sucesso na produção sustentável”, segundo explicou à EFE o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana.

Ciência e inovação

Viana lembrou que a agricultura brasileira, embora seja uma das mais competitivas do mundo, se desenvolve em um ambiente desafiador, com solos naturalmente pobres, altas temperaturas, chuvas cada vez menos previsíveis e uma forte pressão de pragas e doenças, por ser “tropical”.

“Esse cenário, que em muitos países seria um obstáculo, transformou-se aqui em estímulo à inovação”, observou.
Viana exaltou o papel das universidades e centros de excelência nacionais, como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que trabalham em colaboração com a indústria para desenvolver soluções inovadoras em áreas emergentes como bioinformática e biotecnologia aplicada à agricultura tropical.

“Esse ambiente científico coloca o Brasil entre os líderes mundiais na produção e uso de bioinsumos bacterianos para nutrição vegetal. Essa prática cobre hoje mais de 90% da área de soja cultivada no país. Trata-se de uma economia de bilhões de dólares em fertilizantes nitrogenados e uma redução importante das emissões de CO₂”, concluiu.

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