Biodiesel:o setor chega a 2026 com espaço técnico e econômico para novos avanços. (Freepik)
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 06h15.
O mercado brasileiro de biodiesel entrou em 2026 com fundamentos mais sólidos, sustentado pela elevação da mistura obrigatória no diesel, pela recuperação dos preços e por um marco regulatório que trouxe maior previsibilidade ao setor.
Ainda assim, o ritmo de expansão segue diretamente atrelado ao calendário político e às decisões do governo federal, segundo relatório do Santander, divulgado nesta segunda-feira, 5.
Desde julho de 2025, o preço do biodiesel acumula alta de cerca de 12%, refletindo principalmente o avanço da mistura para 15% (B15), em vigor desde agosto, impulsionado pela Lei do Combustível do Futuro, que entrou em vigor naquele mês.
A legislação estabelece que o percentual de mistura de etanol na gasolina será fixado em 27%, com possibilidade de ajuste pelo Poder Executivo entre 22% e 35%, conforme as condições de mercado.
No caso do biodiesel, a lei prevê um aumento gradual da mistura desde o ano passado, com acréscimos de 1 ponto percentual por ano, até atingir 20% em 2030.
A produção acompanhou esse movimento. Até novembro, o volume fabricado cresceu 7% na comparação anual, impulsionado tanto pela maior demanda regulatória quanto pela redução da informalidade no setor e pela formação de estoques.
Segundo os analistas Guilherme Palhares e Laura Hirata, o setor chega a 2026 com espaço técnico e econômico para novos avanços.
Uma elevação da mistura para 16% a partir de abril deste ano — como projeta o mercado — pode gerar um aumento adicional de cerca de 7% na demanda por biodiesel, com impacto inferior a 1% no preço do diesel ao consumidor.
“O marco legal criado pela Lei do Combustível do Futuro reforça a previsibilidade do setor, mas o avanço da mistura tende a ocorrer de forma gradual, respeitando limites econômicos e políticos”, afirmam os analistas.
Embora a capacidade instalada no país permita, em tese, misturas superiores a 20%, o limite prático atual estaria mais próximo de 18%.
Segundo o banco, isso se deve à dificuldade de operar com eficiência máxima, à necessidade de manutenções periódicas e à estratégia de empresas integradas, que podem optar por vender óleo de soja no mercado em vez de destiná-lo à produção de biodiesel.
Apesar do momento favorável, o avanço da mistura depende diretamente de decisões políticas.
Em 2025, por exemplo, o aumento previsto foi adiado em março, e só foi efetivado em agosto, o que ainda gerou cautela entre agentes do setor.
Para 2026, a expectativa é que o B16 entre em vigor em abril, mas os aumentos seguintes dependerão do cumprimento de metas econômicas e técnicas previstas na legislação.
Segundo o banco, biodiesel funciona como instrumento de política pública, tanto na redução de emissões quanto no apoio à cadeia da soja, ao absorver excedentes de óleo em períodos de maior oferta.
O Brasil é o maior produtor global de soja. A expectativa é de que o país produza 177 milhões de toneladas em 2025/26, segundo a Conab.
A 3tentos é citada como um dos players mais bem posicionados para o novo ciclo, com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 20 até o fim de 2026.
A empresa se beneficia da exposição direta ao biodiesel, embora possa enfrentar, no curto prazo, volatilidade no mercado agrícola e desafios logísticos.
Na semana passada, o Santander revisou o preço-alvo das ações de R$ 19,00 para R$ 20,00 (projeção para 2026) e manteve a recomendação de compra.
Em 2025, os papéis da companhia acumularam valorização de 23%, encerrando o ano cotados a R$ 16,33.
“Elevamos nossa estimativa de EBITDA para 2026 em 8%, para R$ 1,7 bilhão (12% acima do consenso), refletindo os preços mais baixos de commodities, embora com maiores volumes esperados em todas as divisões e o início das operações de etanol de milho previsto para o 1T26”, afirmaram.