Quando dinheiro, chips e IA se encontram: o bastidor do pacto Altman–Huang (Getty Images)
Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 23 de setembro de 2025 às 13h45.
Última atualização em 23 de setembro de 2025 às 14h40.
Na véspera de embarcar para o Texas para anunciar o próximo grande projeto da OpenAI, Sam Altman ainda estava costurando um pacto histórico com a Nvidia. Depois de ligações noturnas, reuniões discretas em Londres, São Francisco e Washington, e até ajustes de última hora, ele e Jensen Huang, CEO da Nvidia, fecharam um acordo de US$ 100 bilhões, anunciado poucas horas antes de o avião decolar.
A proximidade entre os dois executivos vinha de semanas antes, quando participaram da visita de Estado de Donald Trump ao Reino Unido. O presidente americano chegou a ser informado sobre a parceria dias antes da divulgação oficial, reforçando a dimensão política e estratégica do movimento.
Huang descreveu à CNBC o pacto como “monumental em tamanho”. E de fato, a escala impressiona: a Nvidia, hoje a empresa pública mais valiosa do mundo, avaliada em US$ 4,5 trilhões, comprometeu-se a investir US$ 10 bilhões por rodada na OpenAI, empresa avaliada em meio trilhão de dólares. Cada parcela será liberada à medida que novas capacidades de data centers entrarem em operação, evitando diluição acionária imediata. No total, estão previstas nove rodadas adicionais, num ciclo que financiará a construção conjunta de instalações de supercomputação de até 10 gigawatts.
O anúncio mexeu com outros parceiros da OpenAI. A Microsoft, maior acionista da startup e até pouco tempo fornecedora exclusiva de computação, só foi informada um dia antes da assinatura. A relação já havia esfriado: no início do ano, a exclusividade com o Azure foi encerrada.
Outro gigante impactado foi a Oracle, que menos de duas semanas antes havia revelado um contrato de US$ 300 bilhões em poder de computação com a OpenAI, a partir de 2027, dentro do projeto Stargate, iniciativa multibilionária que também conta com apoio da SoftBank. O acordo com a Nvidia também ficará sob esse guarda-chuva, mas reforça a estratégia de Altman de não depender de um único fornecedor.
Executivos confirmam que já analisaram entre 700 e 800 potenciais locais para instalar os novos centros, recebendo propostas de construtoras de toda a América do Norte. Energia disponível, prazos de licenciamento e condições de financiamento são os fatores decisivos. A primeira grande instalação deve entrar em operação no segundo semestre do próximo ano. Apesar da preferência pela Nvidia, a OpenAI garante que seguirá trabalhando com outras nuvens e fabricantes de chips, para manter flexibilidade em um setor onde a demanda cresce em ritmo vertiginoso.
O elo entre Altman e Huang, no entanto, é bem mais antigo que o boom da IA generativa. Em 2016, quando a OpenAI ainda era um laboratório sem fins lucrativos no Mission District, em São Francisco, Huang entregou pessoalmente o primeiro supercomputador DGX à equipe. Quase uma década depois, o gesto evoluiu para um pacto bilionário que pode redefinir a infraestrutura global da tecnologia.
O compromisso atual de US$ 100 bilhões é apenas parte do que a OpenAI planeja levantar para sua expansão. A empresa já cogita assumir dívidas para financiar o restante e até lançar um serviço próprio de nuvem, rivalizando com Amazon, Microsoft, Google e Oracle.
Enquanto os detalhes finais eram fechados na Califórnia, a equipe de infraestrutura da OpenAI estava em Tóquio reunida com Masayoshi Son, da SoftBank, para discutir um financiamento adicional que possa dar suporte ao tamanho que a OpenAI quer ter.