Bitcoin: o inventor da moeda virtual permaneceu incógnito por seis anos (Flickr.com/zcopley)
Maurício Grego
Publicado em 6 de março de 2014 às 15h16.
São Paulo -- A revista Newsweek diz ter descoberto a identidade de Satoshi Nakamoto, o misterioso criador da bitcoin. Nakamoto seria um homem de 64 anos que leva uma vida modesta na Califórnia.
Até agora, não se sabia se Nakamoto era o pseudônimo de um indivíduo ou de um grupo de pessoas. Mas a repórter Leah McGrath Goodman, da Newsweek, diz que esse é seu verdadeiro nome. É um dos vários Satoshi Nakamoto que vivem nos Estados Unidos.
Em 2008, Nakamoto divulgou, na internet, o trabalho teórico que levaria ao nascimento da bitcoin. Ele interagiu durante algum tempo com os primeiros adeptos da moeda virtual, sempre via e-mail ou bate-papo na internet.
Naquela época, seu objetivo era melhorar o código do sistema que gera e administra a bitcoin, que é definida por um algoritmo matemático. Quando o sistema se tornou mais maduro e a bitcoin começou a se valorizar, Nakamoto sumiu e não voltou a aparecer.
Como Nakamoto gerou as primeiras bitcoins e, aparentemente, ainda é dono delas, estima-se que ele tenha 400 milhões de dólares nessa moeda virtual.
Essa fortuna estimada contrasta com o Nakamoto retratado por Leah. Ela diz que ele mora com a mãe numa casa simples perto de Los Angeles. Seu carro é um Toyota Corolla.
Nakamoto, que é físico, recusou-se a falar com Leah mas, segundo ela, admitiu tacitamente ser o homem por trás da bitcoin. Familiares dele o descrevem como um homem brilhante, habilidoso com computadores e números e, sim, misterioso.
Em seus contatos com outros programadores, ele usava um sistema de e-mail que dificultava o rastreamento. E parentes dele dizem que trabalhou em projetos secretos, ligados à área de defesa.
Gavin Andresen, programador que até hoje trabalha no desenvolvimento da bitcoin, contou a Leah que se correspondeu bastante com Nakamoto nos primórdios da moeda virtual.
Nakamoto desapareceu depois que Andresen disse a ele que daria uma palestra na CIA sobre a bitcoin. Agora, supondo que as afirmações de Leah estejam corretas, a vida do inventor certamente vai mudar.
Na comunidade de entusiastas da bitcoin, a maioria critica a reportagem de Leah. A opinião predominante é que ela deveria ter deixado Nakamoto em paz. Andresen, que deu entrevista à repórter, se diz arrependido de ter falado com ela:
I'm disappointed Newsweek decided to dox the Nakamoto family, and regret talking to Leah.
— Gavin Andresen (@gavinandresen) 6 março 2014
Outros usuários do Twitter chegaram a fazer ameaças ao noticiário. “Se esse relato for verdadeiro, não vai demorar nem uma semana até alguém derrubar o site”, diz um deles:
@elflo @CryptoCobain If there article is true I'll give them maybe a week before a hacker shuts them down.
— Timothy Wallach (@judoman589) 6 março 2014
Enquanto isso, a bitcoin segue sua trajetória de altos e baixos. A moeda, que chegou a valer cerca de 1.000 dólares no final do ano passado, sofreu um abalo recente com o fechamento do Mt. Gox, que já foi o maior banco de bitcoins do planeta.
Mas ela vem se recuperando e vale, hoje, pouco mais de 600 dólares. Nos Estados Unidos e no Canadá, há caixas eletrônicos que operam em bitcoins e a aceitação da moeda não para de crescer.
A menos que uma fraqueza fatal seja descoberta no sistema, tudo indica que a moeda virtual veio para ficar.