Tecnologia

No primeiro aniversário, centro de inovação da Oracle mostra avanço em protótipos e negócios

Espaço na sede da empresa passou de 30 para mais de 50 experiências tecnológicas; hoje reúne 40 mantenedores e é tratado como referência global na hora de encantar clientes com novas soluções

Simulador de F1 da equipe Red Bull e apoiada pela Oracle: monitoramento virtual da experência nas pistas (Oracle/Reprodução)

Simulador de F1 da equipe Red Bull e apoiada pela Oracle: monitoramento virtual da experência nas pistas (Oracle/Reprodução)

André Lopes
André Lopes

Repórter

Publicado em 26 de março de 2026 às 18h09.

Última atualização em 27 de março de 2026 às 10h23.

Aberto há um ano em São Paulo, o Oracle Innovation Center, centro de inovação da companhia, começou como vitrine tecnológica e agora tenta se firmar como instrumento de vendas, prototipagem e desenvolvimento de novos projetos com clientes. A reportagem visitou o espaço nesta quinta-feira, quarta-feira, 26, data em que a empresa celebra o primeiro ano da operação, apresentada pela Oracle como seu primeiro centro de inovação na América Latina.

No período, o centro ampliou de 30 para mais de 50 experiências instaladas e passou a reunir 40 clientes mantenedores, que exibem suas soluções no espaço, segundo executivos da companhia. O centro foi desenhado para demonstrar aplicações de inteligência artificial, automação, realidade aumentada e robótica em setores como varejo, saúde, telecomunicações, energia, hotelaria e setor público.

Para a Oracle, o objetivo do ambiente é reduzir a distância entre discurso comercial e aplicação prática. "Tangibilizar para o cliente. Uma visão de varejo para as inovações", afirmou Alexandre Maioral, presidente e CEO da Oracle Brasil, ao resumir a lógica do centro. A ideia é trocar apresentações em PowerPoint por demonstrações que permitam ao cliente testar a tecnologia e discutir usos concretos para o negócio.

Na prática, o 7º andar da sede da empresa foi montado como um circuito de demonstrações. Em dez áreas temáticas, a recepção é feita por robô que guia o visitante em compras alimentos sem passar no caixa, no check-in de um hotel com preferências personalizadas, na disputa pelo pódio em uma corrida de F1 e até na gravação de um podcast com edição e cortes feitos por inteligência artificial.

Apesar do aspecto lúdico, a empresa insiste que o centro não foi concebido como peça de marketing isolada. "O valor, além da receita, é a provocação de cocriar com os clientes. Muita tecnologia é construída em parceria com os clientes", disse Fabio Martins, diretor de inovação da Oracle. O desenho inclui uma área maker, espaço para protótipos e uma equipe dedicada a acompanhar a evolução dos projetos.

A Oracle também diz que a operação já entrou em fase mais comercial. Segundo executivos, há um time de vendas responsável por levar clientes ao espaço, acompanhar decisões de compra e monitorar a continuidade do negócio ao longo do ciclo de vida do projeto. O centro, assim, tenta deixar de ser apenas um showroom de tecnologias emergentes para funcionar como etapa do funil de vendas da companhia.

Esse avanço ajuda a explicar o discurso mais assertivo da empresa sobre retorno. Maioral afirmou que o projeto foi tão bem recebido internamente que a Oracle teria conseguido ampliar o aporte se tivesse pedido mais recursos, estimados inicialmente em R$ 40 milhões.

Parcerias e protótipos ampliam escopo do centro

O plano da Oracle não depende apenas de tecnologias próprias. Hoje, o centro reúne cerca de 40 empresas parceiras, entre grupos consolidados e startups, que ajudam a compor as experiências instaladas. Segundo os executivos, metade dessa rede é formada por companhias emergentes, numa tentativa de aproximar clientes corporativos de soluções desenvolvidas fora da estrutura tradicional da Oracle.

Esse arranjo reforça uma tese que a empresa vem repetindo: a de que o ciclo atual de inovação passa menos por plataformas fechadas e mais por articulação entre fornecedores especializados. O centro de São Paulo opera, nesse sentido, como uma espécie de vitrine da inovação aberta, conceito em que grandes empresas recorrem a parceiros externos para acelerar desenvolvimento e complementar portfólio.

Fabio Martins citou como exemplo um teste desenvolvido com o Four Seasons, rede de hotéis de luxo, que usou o espaço para prototipar uma ideia antes de decidir os próximos passos. O caso ajuda a ilustrar o papel que a Oracle tenta atribuir ao centro: mais do que exibir soluções prontas, servir de laboratório para validar projetos em estágio inicial.

A operação brasileira também ganhou relevo dentro da própria multinacional. Martins afirmou que, em escala, o centro de Chicago ainda é maior, mas disse que a unidade paulistana já concentra mais experiências instaladas do que outras estruturas da Oracle no exterior. A fila de interessadas em participar do ambiente, segundo a empresa, garante uma agenda lotada até maio.

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