Tecnologia

Ninguém está ganhando mais com a proximidade de Donald Trump do que Alex Karp e a Palantir

Com um crescimento de 600% nas ações nos últimos 12 meses, CEO e empresa se consolidam como protagonistas no setor de tecnologia, impulsionados pela estreita relação com o governo dos EUA

Alex Karp: cofundador e CEO da Palantir

Alex Karp: cofundador e CEO da Palantir

Publicado em 6 de agosto de 2025 às 13h53.

Última atualização em 6 de agosto de 2025 às 13h55.

Nos últimos anos, investidores e empresas do Vale do Silício têm se aproximado cada vez mais do setor de defesa dos Estados Unidos. Antes reticentes com o uso militar de suas tecnologias, gigantes como Meta, OpenAI e Google, agora estão se alistando ao governo, especialmente após o início do novo mandato de Donald Trump.

Com um orçamento de defesa previsto para atingir US$ 1 trilhão em 2026, ninguém tem se beneficiado mais desse cenário do que a Palantir. Nos últimos 12 meses, a empresa acumulou uma alta impressionante de mais de 600% em suas ações.

A última divulgação de resultados confirmou esse crescimento: a Palantir reportou US$ 1 bilhão em receita no segundo trimestre de 2025, com um aumento de 53% nos recursos provenientes de contratos governamentais dos EUA.

Esse crescimento está fortemente ligado à posição estratégica da empresa e à maneira como seu CEO, Alex Karp, tem conduzido a companhia, especialmente por meio de decisões ousadas e uma estreita relação com o governo federal.

A ascensão da Palantir

Fundada por Karp e Peter Thiel logo após os atentados terroristas de 11 de setembro, a Palantir foi criada para fornecer software especializado em análise de grandes volumes de dados, com foco em segurança nacional.

Desde o início, a empresa se posicionou como uma fornecedora essencial para o governo dos EUA, especialmente no setor de defesa e inteligência. Ela foi responsável por fornecer soluções para agências como o Departamento de Defesa (DoD), tornando-se uma das principais contratadas do governo na área de segurança.

Apesar de Karp ter apoiado Kamala Harris na última eleição dos EUA, ao contrário de Thiel, e não ter ido à posse de Trump, a Palantir ampliou ainda mais sua presença durante o segundo governo do presidente, colaborando em diversos projetos, como o monitoramento de imigração e a deportação de imigrantes ou a aceleração no processo para construir usinas nucleares. Esses contratos ajudaram a impulsionar ainda mais as receitas da empresa.

Nos primeiros seis meses do mandato, a empresa comandada por Karp recebeu mais de US$ 322 milhões em contratos governamentais, o que representou um aumento de 12% em relação ao mesmo período de 2023. Em 2019, durante o primeiro mandato de Trump, essa cifra era de apenas US$ 89 milhões.

Além disso, a Palantir também conseguiu contratos importantes com o exército dos EUA, incluindo um trabalho na plataforma de inteligência artificial Maven Smart System, com um contrato que pode ultrapassar US$ 1 bilhão.

Aposta em IA

Karp, no entanto, não se limitou apenas a fortalecer a relação da Palantir com o governo dos EUA. Ele também apostou na tendência emergente da inteligência artificial para garantir o futuro da empresa.

No início de 2023, pouco após o lançamento do ChatGPT, da OpenAI, o CEO anunciou que a empresa estava desenvolvendo um novo produto de IA. Essa decisão pegou seus próprios engenheiros de surpresa, já que eles não estavam envolvidos no projeto. Apesar disso, o produto foi entregue, confirmando a habilidade de Karp para antecipar tendências e posicionar a Palantir como líder em inovações tecnológicas.

A aposta em IA foi crucial para o sucesso no mercado financeiro, com a valorização das ações refletindo a confiança dos investidores na liderança de Karp e no potencial de crescimento da Palantir. A empresa atingiu um valor de mercado recorde de US$ 375 bilhões, consolidando sua posição como uma das grandes líderes no setor de tecnologia e segurança.

Controvérsias e críticas

Apesar do sucesso, a Palantir também tem sido alvo de críticas, principalmente em relação ao seu envolvimento com medidas agressivas de combate à imigração durante o segundo governo Trump. Muitos ex-funcionários levantaram preocupações sobre as implicações éticas da empresa, especialmente em relação à privacidade e aos direitos civis.

No entanto, Karp tem defendido firmemente as decisões da empresa, mantendo uma postura desafiadora diante das críticas. Essa atitude reflete a identidade da Palantir como uma empresa disposta a assumir riscos em busca de seus objetivos.

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