Carros alemães para chineses: Mercedes-Benz, BMW e Volkswagen ampliaram planos com novos lançamentos (Getty Images)
Repórter
Publicado em 28 de abril de 2026 às 16h32.
Última atualização em 28 de abril de 2026 às 16h33.
As montadoras alemãs iniciaram uma nova ofensiva de produtos na China para tentar conter a perda de participação para fabricantes locais como BYD, Geely, NIO e XPeng. Mercedes-Benz, BMW e Volkswagen ampliaram planos de lançamentos e reforçaram a estratégia de adaptação ao consumidor chinês.
Os planos detalhados no Salão de Pequim, que ocorre durante essa semana na China, mostra uma estratégia agressiva. A Mercedes-Benz pretende lançar mais de 15 modelos novos ou renovados até o fim de 2026, enquanto a BMW prepara cerca de 20 novidades, incluindo a linha Neue Klasse desenvolvida especificamente para a China.
A Volkswagen também aprofundou sua estratégia de localização, mesmo após recuperar temporariamente a liderança em vendas no início de 2026, quando a redução de subsídios para veículos elétricos desacelerou a BYD.
O movimento ocorre em meio a sinais de retração. Mercedes-Benz e BMW indicaram a fornecedores que esperam vender menos de 500 mil veículos produzidos localmente por ano na China em 2026, patamar não visto há cerca de uma década, segundo o veículo chinês 36Kr.
Além da pressão competitiva, o cenário econômico chinês também pesa sobre o setor. O desemprego elevado e a cautela dos consumidores reduziram o ritmo de compra, especialmente no segmento premium, historicamente dominado pelas marcas alemãs.
Enquanto isso, concorrentes chineses ampliam presença com carros mais conectados ao ambiente digital, integração avançada de software e ciclos mais rápidos de desenvolvimento de produto.
No Auto China 2026, realizado em Pequim, marcas como Xiaomi e XPeng apresentaram modelos voltados para consumidores altamente conectados, reforçando a percepção de que a disputa deixou de ser apenas por preço e passou a envolver experiência tecnológica.
O segmento premium, antes território quase exclusivo de Mercedes-Benz, BMW e Audi, tornou-se o principal campo de batalha entre fabricantes tradicionais e novas marcas chinesas.
Com preços mais agressivos e avanço em baterias e sistemas embarcados, as montadoras locais passaram a desafiar diretamente o posicionamento das alemãs. O próprio VDA, lobby automotivo da Alemanha, já trata essa mudança como estrutural e não mais como um ciclo passageiro.