Tecnologia

Londres diz que resposta de Zuckerberg sobre escândalo é insuficiente

O ministro de Cultura do Reino Unido afirmou que as regras sobre o uso de dados não deveriam ser definidas pelas companhias e sim pela sociedade

Zuckerberg admitiu ontem que o escândalo representa uma grande violação da confiança (Justin Sullivan/Getty Images)

Zuckerberg admitiu ontem que o escândalo representa uma grande violação da confiança (Justin Sullivan/Getty Images)

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EFE

Publicado em 22 de março de 2018 às 11h03.

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Londres - A resposta que o diretor geral do Facebook, Mark Zuckerberg, deu ao escândalo do vazamento de dados de usuários da rede social à empresa de consultoria Cambridge Analytica foi considerada insuficiente pelo ministro de Cultura do Reino Unido, Matt Hancock.

Depois de dias em silêncio, Zuckerberg pediu desculpas na quarta-feira passada e se mostrou disposto a falar diante do Congresso dos Estados Unidos sobre o vazamento à de informações privadas à empresa britânca vinculada à campanha eleitoral em 2016 do agora presidente dos EUA, Donald Trump.

Em declarações feitas nesta quinta-feira à "BBC Radio 4", Hancock disse que as empresas de tecnologia terão que ser mais transparentes sobre a forma como usam dados pessoais dos usuários.

"Vi ontem à noite que Mark Zuckerberg se desculpou e disse que serão feitas algumas mudanças, mas, sinceramente, não acredito que estas mudanças vão suficientemente longe. De qualquer forma, não deveriam ser as companhias as que decidem qual é o equilibro entre privacidade e inovação e o uso de dados", afirmou o ministro.

Essas regras, na sua opinião, "deveriam ser estabelecidas pela sociedade no seu conjunto e pelo Parlamento", insistiu o titular de Cultura, ao lembrar que o Reino Unido fortalecerá a lei de Proteção de Dados para fazer frente a este problema de vazamento de informações pessoais.

Cambridge Analytica, contratada pela campanha eleitoral de Trump, utilizou um aplicativo criado por Aleksandr Kogan para coletar dados de milhões de usuários do Facebook, prever as decisões dos eleitores e influenciá-los.

Zuckerberg admitiu ontem à emissora "CNN" que este caso representa uma "grande violação da confiança" e reconheceu que a empresa tem a "responsabilidade de proteger os dados das pessoas".

O escândalo se agravou com a decisão do conselho de direção da Cambridge Analytica de suspender nesta semana o presidente, Alexander Nix, enquanto realiza uma investigação independente para analisar o caso.

A imprensa britânica divulgou nos últimos dias imagens gravadas com uma câmera oculta nas quais é possível escutar Nix sugerir táticas que a empresa utiliza para desvalorizar políticos através das redes sociais.

Além do Parlamento britânico, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos e a Eurocâmara pediram que Zuckerberg compareça para esclarecer o escândalo.

 

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