visão (Reprodução/BBC)
Da Redação
Publicado em 22 de julho de 2015 às 12h05.
Ray Flynn, um aposentado britânico de 80 anos que está perdendo a visão em virtude de uma degeneração da retina relacionada à idade, tornou-se o primeiro paciente com essa doença no mundo a receber um implante de olho biônico.
O aparelho foi cirurgicamente implantado no fundo do olho direito de Flynn e funciona em conjunto com uma câmera de vídeo instalada na haste de óculos especiais, que auxiliam o paciente a enxergar novamente.
Flynn é portador de degeneração macular relacionada à idade (DMRI), uma doença que causa a deterioração de uma área da retina chamada mácula. O mal é uma das causas mais frequentes para a perda de visão, afetando 5% das pessoas com deficiência visual do planeta.
"Sou incapaz de digitar a escrever o número do meu cartão quando estou pagando uma conta, e apesar de ter sido um jardineiro, não consigo mais distinguir as raízes das flores", disse o aposentado à BBC.
O britânico tornou-se cobaia de um programa-piloto promovido por um centro de pesquisas médicas de Manchester, na Inglaterra, que irá implantar a prótese em cinco pacientes com degeneração macular relacionada à idade.
O aparelho, chamado de Argus II, já é usado para ajudar pacientes com uma doença rara chamada retinite pigmentosa. Mas Flynn foi a primeira pessoa com DMRI a receber o Argus II, após ser submetido a uma cirurgia de quatro horas no mês passado.
O sistema gera estímulos elétricos na retina danificada. Flynn precisa vestir óculos especiais com uma câmera embutida na frente de sua orelha direita.
A informação visual obtida pela câmera é transmitida ao implante no olho, que usa eletrodos para estimular as células da retina. Isso permite que o olho envie os sinais visuais ao cérebro, onde serão interpretados.
Duas semanas depois da cirurgia, Flynn testou o implante ao olhar para uma série de barras brancas e pretas em uma tela de computador. Com o Argus II, ele foi capaz de definir se as barras estavam dispostas na vertical, horizontal ou diagonal.
Apesar de Flynn não conseguir enxergar objetos com a mesma nitidez de quando seu olho ainda era saudável, ele é capaz distinguir algumas formas, como batentes de portas, por exemplo.
Com o sucesso da cirurgia de Flynn, os pesquisadores esperam que o aparelho ajude outras pessoas com DMRI a enxergarem novamente. O problema é o preço do Argus II: mais de 700 mil reais.
Fonte: BBC