Tecnologia

Imagens do Pokémon Go teriam sido usadas para treinar navegação de drones e robôs militares

Dados de 30 bilhões de escaneamentos feitos por jogadores viraram base para sistema de posicionamento visual, segundo levantamento

Usuários do Pokémon Go escanearam milhões de locais ao redor do mundo; dados teriam ajudado a treinar sistemas de navegação para drones e robôs, segundo reportagem do Trouw e do DroneXL (Pokemon/Reprodução)

Usuários do Pokémon Go escanearam milhões de locais ao redor do mundo; dados teriam ajudado a treinar sistemas de navegação para drones e robôs, segundo reportagem do Trouw e do DroneXL (Pokemon/Reprodução)

Ramana Rech
Ramana Rech

Redatora

Publicado em 15 de junho de 2026 às 10h19.

Imagens coletadas por usuários do Pokémon Go teriam sido usadas para treinar modelos de navegação de drones e robôs militares, segundo reportagem do site especializado DroneXL, com base em informações obtidas pelo jornal holandês Trouw.

Em dezembro de 2025, a Niantic Spatial, desenvolvedora ligada ao jogo, anunciou uma parceria com a Vantor, empresa de inteligência espacial, para criar uma solução de navegação para plataformas aéreas e terrestres em ambientes sem sinal de GPS, sistema de localização por satélite.

De acordo com o Trouw, os 30 bilhões de escaneamentos realizados por usuários do Pokémon Go se tornaram material para o Sistema de Posicionamento Visual, tecnologia conhecida pela sigla VPS. O sistema compara imagens em 3D com o que a câmera vê em tempo real para localizar um dispositivo no espaço.

A falta de GPS pode ocorrer em diferentes situações, incluindo zonas de guerra. Nesse contexto, sistemas de navegação visual são usados para permitir que máquinas se movimentem e se coordenem mesmo quando o sinal de satélite está indisponível ou comprometido.

Empresas evitam confirmar uso direto dos dados

A Vantor disse ao Trouw que não pretende utilizar os dados do Pokémon Go, mas não respondeu se os modelos que pretende entregar foram treinados com escaneamentos antigos do jogo. A Niantic afirmou não ter novas informações a compartilhar.

Jeroen van den Hoven, professor de ética e tecnologia da Universidade de Tecnologia de Delft, na Holanda, afirmou ao Trouw que é difícil evitar a conclusão de que os dados dos jogadores aceleraram o desenvolvimento do sistema. Segundo ele, depois que um conjunto de dados é absorvido por um modelo, já não é simples rastrear sua influência.

Em resposta ao site Kotaku, a Niantic Spatial disse que, como parte da Scopely — empresa que comprou o Pokémon Go em março do ano passado —, os dados do jogo não são compartilhados com a Niantic. A companhia também afirmou que os escaneamentos foram enviados voluntariamente pelos usuários, dentro dos termos de serviço e da política de privacidade.

A base criada pela Niantic Spatial reúne milhões de locais escaneados por jogadores em diferentes ângulos, horários, condições de iluminação e clima. Esse acervo também abriu caminho para acordos com outras empresas, como a Coco Robotics, que opera robôs de entrega em Los Angeles.

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