São Paulo – Sete cientistas brasileiras venceram o Prêmio "Para Mulheres na Ciência" nesta semana. A premiação comemora 10 anos de existência e é oferecida pela L’Oréal, Unesco e a Academia Brasileira de Ciências (ABC). Em 2015, mais de 400 projetos foram inscritos. As cientistas premiadas são de São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Paraná. Elas receberam uma bolsa-auxílio no valor de 20 mil dólares (convertidos em reais) para continuar suas pesquisas. Confira os nomes das brasileiras vencedoras e quais são seus estudos na galeria a seguir.
Doutora em Ciências Biológicas pela Universidade de São Paulo (USP), Alline Campos é professora do Departamento de Farmacologia da Faculdade de Medicina da USP, em Ribeirão Preto. Ela é autora do artigo "Possível influência dos endocanabinóides nos efeitos comportamentais e plásticos dos antidepressivos". Nele, Alline investiga se os antidepressivos demoram para ativar a produção de endocanabinóides, uma substância ligada ao bem-estar do ser humano. Se sua hipótese estiver correta, a indústria poderá produzir remédios mais efetivos e com menos efeitos adversos nos pacientes com depressão ou ansiedade.
Pós-doutora pela Universidade Vanderbilt (EUA), Daiana Ávila é coordenadora de Iniciação Científica na Universidade Federal do Pampa (Unipampa), no Rio Grande do Sul.
Ela foi premiada pela pesquisa "Avaliação dos mecanismos de atraso da progressão da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) pela ingestão de trealose ou vitamina E em Caenorhabditis elegans".
No trabalho, Daiana investiga se compostos como a vitamina E e o carboidrato tralose podem ser utilizados como agentes terapêuticos contra a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). Caso a cientista esteja correta, a terapia atrasaria o desenvolvimento desta doença genética e degenerativa que atinge aproximadamente 12 mil pessoas no Brasil.
Pós-Doutora em Psiquiatria pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Elisa Brietzke é professora em Psiquiatria e Saúde Mental da faculdade de Medicina da Unifesp. "O paradigma do envelhecimento acelerado no transtorno bipolar" é o nome de seu estudo premiado pela Unesco. Nele, a cientista formulou a hipótese de que uma possível desregulação do sistema imunológico nas pessoas que têm transtorno bipolar é parte de um processo de envelhecimento prematuro. Isto indicaria que os portadores da doença envelheceriam mais rápido do que a maioria da população. Se ela estiver correta, será possível desenvolver remédios capazes de bloquear a progressão do transtorno bipolar.
Doutora em Ciências pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Tábita Hunemeier é professora do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP). Ela venceu o prêmio da Unesco pelo estudo "Genômica e Evolução da Diversidade Craniofacial em Nativos Americanos". No trabalho, Tábita tenta encontrar quais são as variações genéticas que fazem com que os nativos americanos se diferenciem das pessoas de outros continentes. Segundo a cientista, o projeto tem como objetivo gerar informações relacionadas à evolução e à saúde dos nativos americanos.
Pós-doutora pela Universidade de Leiden, na Holanda, Cecília Salgado é professora do Departamento de Métodos Matemáticos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ela é autora do artigo "Códigos em superfícis algébricas". Sua pesquisa compreende duas grandes áreas da matemática pura: a geometria algébrica e a teoria dos números. Além disso, ela relaciona estas seções com a teoria da informação, onde estão inseridos códigos corretores de erros. Eles são fundamentais na solução de falhas na trasmissão de informações a partir de linhas telefônicas e discos rígidos.
Pós-doutora pelo Carnegie Observatories, na Califórnia (EUA), Karin Menéndez–Delmestre é professora no Observatório do Valongo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ela assinou o estudo "Galáxias Próximas e Distantes: Uma Abordagem Única para Entender o Enigma da Evolução de Galáxias". A pesquisa da cientista tem dois focos principais. O primeiro é estudar em detalhes a distribuição espacial, as idades e a composição das estrelas em galáxias locais. A segunda é obter uma visão direta dos primeiros estágios de formação das galáxias. Unindo estas duas partes, Karin pretende contribuir com o desenvolvimento de um modelo sobre os processos que transformam e formam galáxias.
Pós-doutora pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Elisa Orth é professora do Departamento de Química da UFPR. Ela ganhou o prêmio da Unesco pelo estudo "Design de bio e nanocatalisadores para organofosforados: de enzimas artificiais a sensores". A pesquisa de Elisa tem como objetivo compreender como as enzimas agem. Além disso, ela quer transformá-las em moléculas sintéticas para incorporar em sistemas mais complexos, como nanomateriais e polímeros. Se seu estudo estiver correto, ela e outros cientistas conseguirão desenvolver materiais que possuem múltiplas funcionalidades.