“Queremos investir no Brasil”, diz consultora de banco de fomento dos EUA

Para Kristie Pellecchia, o governo americano tem interesse em dobrar os financiamentos para a América Latina, principalmente em infraestrutura

Os Estados Unidos querem se aproximar mais dos países emergentes. Para isso, transformaram a Corporação para o Investimento Privado no Exterior (Opic), uma agência financeira para desenvolvimento criada em 1971, em um banco de desenvolvimento que se chama Corporação Financeira para o Desenvolvimento Internacional (DFC).

A novidade? Agora será possível financiar projetos de empresas estrangeiras e fazer transações em moeda local. Kristie Pellecchia, consultora sênior para o Ocidente do novo banco, falou a EXAME com exclusividade sobre os planos para a América Latina e para o Brasil.

Quando o novo banco de investimento começará a atuar?

Já começou: temos um diretor executivo [Adam Boehler, que assumiu em setembro de 2019] e a legislação que instituiu o banco foi promulgada. Aguardamos a liberação do orçamento pelo Congresso. Ainda não sabemos quando isso virá, mas a expectativa é que seja no primeiro semestre de 2020.

A DFC substituiu a Opic. O que essa mudança significa?

Estamos quase duplicando de tamanho, saltando de um fundo de 29 bilhões de dólares para 60 bilhões de dólares. Além disso, se antes o financiamento era destinado apenas a empresas americanas, agora poderemos trabalhar com empresas e moedas estrangeiras. Na América Latina, nosso objetivo é dobrar o portfólio, que hoje é de 6 bilhões de dólares, e o Brasil é um parceiro importante, onde queremos atuar mais.

O que está por trás dessa transformação?

O governo viu oportunidades importantes de avançar em sua agenda de política externa e também de ajuda a outros países em seu desenvolvimento. Nosso foco é pensar como os Estados Unidos podem investir o dinheiro que vem dos contribuintes.

Como será o modelo de financiamento dessa nova instituição?

Vamos conceder empréstimos e garantias a empresas estrangeiras e teremos uma área de assistência que vai auxiliar quem tem uma boa ideia mas não tem capacidade para estruturar um projeto e para encontrar a melhor ferramenta de financiamento, como algumas pequenas e médias empresas. Em alguns casos, o banco poderá entrar como sócio do projeto financiado.

Quais setores estão no foco do banco no Brasil?

Infraestrutura, certamente, é uma área-chave para o país. Estamos trabalhando com o governo federal e com os estados. Também temos interesse na área de energia e adoraríamos trabalhar em um possível leilão da Eletrobras. Nosso portfólio no Brasil é muito diversificado e outra área que nos chama a atenção é a do empreendedorismo feminino: queremos ajudar as brasileiras a ter mais acesso a financiamento para seus negócios. 

É uma resposta ao programa Nova Rota da Seda, da China?

Reconhecemos a necessidade de ter um programa que apoie investimentos liderados pelo setor privado, não pelo setor estatal, como é o caso do programa da China. Acreditamos que isso seja melhor para o país anfitrião.

Qual é a diferença entre o projeto americano e o chinês?

Nós apoiamos projetos do setor privado, orientados pelo mercado e seus princípios. Já ouvimos casos de países que seguiram o modelo chinês e acabaram por concordar com termos que não têm nada a ver com a operação, como transferência dos direitos de propriedade da terra. A DFC vai estruturar operações sólidas do ponto de vista financeiro, as quais permitirão às empresas ter vários investidores, não só uma agência estatal como credora. E isso é mais saudável para os tomadores de empréstimos.

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