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“Não haverá transição verde com números vermelhos”, diz CEO da Yara

Svein Tore Holsether, CEO global da Yara, alerta para o impacto do menor uso de fertilizantes sobre a produtividade na nova safra e diz que a transição verde só avança se fechar a conta

Svein Tore Holsether, CEO global da Yara: “Não haverá transição verde com números vermelhos”, diz executivo (Yara International ASA/Divulgação)

Svein Tore Holsether, CEO global da Yara: “Não haverá transição verde com números vermelhos”, diz executivo (Yara International ASA/Divulgação)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 28 de outubro de 2026 às 06h00.

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A menor aplicação de fertilizantes, como fosfato e ureia, pode reduzir a produtividade das lavouras nos próximos anos, alerta Svein Tore Holsether, CEO global da Yara. Para a safra 2026/27 e a seguinte, ele vê uma combinação de riscos: insumos caros, margens apertadas, conflitos geopolíticos envolvendo fornecedores como Rússia e Irã e eventos extremos associados ao El Niño.

O alerta ganha peso porque metade da produção mundial de alimentos depende dos fertilizantes. Em entrevista, Holsether explica por que a menor reposição de nutrientes pode afetar a produção, sobretudo no Brasil, e defende que a transição para insumos de baixo carbono só ganhará escala se fizer sentido financeiro.

O que preocupa na oferta de fertilizantes para a safra 2026/27 e a próxima?

Passamos por vários choques no sistema alimentar, que mostram como as cadeias são frágeis. Cerca de 30% da ureia comercializada passa pelo Estreito de Ormuz, importante também para o enxofre usado em fertilizantes fosfatados. Há ainda o impacto dos preços de energia. Precisamos construir cadeias mais robustas. Os fertilizantes sustentam metade da produção mundial de alimentos. É o que está em jogo.

Fertilizantes mais caros podem reduzir a produção de alimentos?

Se os agricultores aplicarem menos do que o nível agronomicamente adequado, haverá consequências para a produção. No curto prazo, é difícil estimar o impacto, porque o clima também pesa. Mas, no longo prazo, as evidências são claras: sem os nutrientes adequados, a produtividade cai. Clima severo, menor aplicação e um El Niño mais forte poderiam formar uma combinação grave.

Risco é maior no Brasil?

O país tem terras agricultáveis e boas condições de produção, com sol e água, mas o solo precisa de uma quantidade significativa de fertilizantes para continuar produtivo. Se os nutrientes adequados não forem devolvidos aos campos, haverá impacto sobre a produtividade.

Como vender fertilizantes de baixo carbono se eles são mais caros?

É um grande desafio, porque não podemos colocar esse custo apenas sobre os agricultores. Eles não têm margens para arcar com isso sozinhos. Precisamos trabalhar com empresas e governos para criar demanda por produtos de baixo carbono. Há empresas dispostas a pagar mais por uma produção com menor pegada de carbono, mas, para ganhar escala, são necessários instrumentos de política pública.

Até onde a Yara está disposta a investir na descarbonização?

Não haverá transição verde com números vermelhos. Qualquer empresa pode fazer pequenos projetos-piloto e demonstrar o que é possível. Mas, para levar isso a uma escala maior, precisa ser lucrativo. Se você tem um bom caso de negócio, somos capazes de levá-lo a escalar.

*O repórter viajou para Sluiskil, na Holanda, a convite da Yara Fertilizantes

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