Novo livro desvenda os segredos da venda do Instagram para o Facebook

No Filter, da jornalista Sarah Frier, expõe os detalhes da história do Instagram e mostra uma face menos romântica do Vale do Silício
 (Christie Hemm Klok/The New York Times//Fotoarena)
(Christie Hemm Klok/The New York Times//Fotoarena)
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Rodrigo Loureiro

Publicado em 02/07/2020 às 05:00.

Última atualização em 12/02/2021 às 12:15.

Oito anos depois de fundar o Instagram e vender a rede social ao Facebook por 715 milhões de dólares, os fundadores Kevin Systrom e Mike Krieger anunciaram a saída da companhia, em 2018. A partida ocorreu pouco após o aplicativo de fotos e vídeos atingir a marca de 1 bilhão de usuários diários.

“Como Systrom e Krieger vieram a descobrir, mesmo que você alcance os mais altos escalões de sucesso nos negócios, nem sempre poderá ter tudo o que deseja.” O trecho faz parte do recém-lançado No Filter: The Inside Story of Instagram (“Sem Filtro: a história de bastidores do Instagram”, numa tradução livre).

De autoria da jornalista Sarah Frier, a obra traz um olhar sobre os bastidores da criação de uma startup, sua venda para um gigante e dos percalços de administrar uma empresa sob o escrutínio dos novos donos. É uma análise das relações e das ambições de quem comanda empresas que moldam a sociedade digital. “A história do Instagram é uma lição de como as decisões dentro de uma rede social (...) podem afetar drasticamente a maneira como vivemos e quem é recompensado em nossa economia”, escreve Frier.

O livro conta que a compra do WhatsApp pelo Facebook por 19 bilhões de dólares — bem mais do que havia sido pago pelo Instagram — mudou a percepção dos fundadores e os fez entender o jogo no Vale do Silício. O berço das startups é antes de tudo um ambiente de negócios, no qual a inovação caminha ao lado do dinheiro e do poder. Systrom e Krieger não foram os primeiros nem serão os últimos a depositar fé no discurso romântico do empreendedorismo. As palavras bonitas ficam só na página 2 dos balanços financeiros. Depois, o que vale são os números.

O livro vai além do fenômeno da plataforma. Trata de como Systrom e Krieger passaram noites em claro criando um app subestimado por fundos de capital de risco; das investidas, às vezes agressivas e eticamente questionáveis, de celebridades como Justin Bieber e Jared Leto; e da criação de uma empresa que enriqueceu entusiastas de 20 e poucos anos.

São histórias que envolvem chantagens, traições, arrependimentos e lições. E mais do que isso. Sintetizam o sonho americano de aliar sucesso, prosperidade e liberdade. Como os fundadores do Instagram bem descobriram, sonhos são difíceis de realizar e a falta de independência pode custar mais caro do que algumas centenas de milhões de dólares.