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Nova Exame

Nacionalizar a produção não resolve dependência da China

Prestes a deixar a direção da OMC, Roberto Azevêdo fala sobre os desafios das cadeias de abastecimento. Diversificar fornecedores é melhor opção

As próximas semanas serão decisivas para o diplomata Roberto Azevêdo, que durante sete anos ocupou a cadeira de diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC). Prestes a deixar o cargo, Azevêdo presenciou um dos momentos mais complexos do comércio internacional, afetado pela crise do coronavírus, o que levou a mudanças relevantes nas cadeias globais de suprimentos. Pela primeira vez em muitas décadas, o mundo começa a questionar a dependência comercial em relação à China e procura alternativas para diversificar os fornecedores. Sem revelar seus novos projetos profissionais, Azevêdo discutiu esse e outros pontos em entrevista à EXAME.

Como as cadeias globais de valor deverão ser afetadas pela pandemia?

Haverá uma busca por maior diversificação para reduzir o risco de desabastecimento. Mas essa não será a única mudança. As cadeias globais de valor já passavam por um processo de ajustes. A pandemia acelera tudo isso, com a intensificação das compras online e com novos hábitos de interação social e trabalho, por exemplo. Mas uma coisa não mudará: produtores e consumidores seguirão buscando o melhor equilíbrio entre qualidade, custo e segurança de abastecimento. E esse ponto ótimo só será possível se o comércio internacional fizer parte da equação.

O senhor nota uma tendência em alguns países de reduzir a dependência em relação à China, principalmente na área de saúde?

A pandemia expôs os riscos da concentração da produção. Mas a nacionalização não resolve essa vulnerabilidade. Ela, na verdade, torna o país ainda mais exposto a este e a outros tipos de choque, como desastres naturais ou crises econômicas e políticas domésticas. A maior diversificação de fornecedores é uma opção melhor.

Qual deve ser a queda do comércio global neste ano?

Há muitas incertezas para exercícios de projeção. Nossas estatísticas mais recentes apontam para um declínio em torno de 13% para o ano de 2020. Poderá ser pior, mas essa retração já seria maior do que a da crise financeira de 2008-2009.

A China já começa a sair da crise, inclusive com sinais positivos de exportação. A queda de braço entre o Ocidente e a China deve pender mais para o lado dos chineses?

Ninguém está imune aos efeitos econômicos da covid-19. A China teve queda de 6,8% do PIB no primeiro trimestre deste ano — a pior performance do país em décadas. Ainda vemos muitas incertezas quanto à evolução da pandemia mundo afora. Em alguns setores é possível que o setor produtivo busque novas parcerias, abrindo oportunidades inclusive para a América Latina — e para o Brasil, especificamente.

Como o senhor avalia a globalização? Quais foram os resultados positivos e negativos?

A globalização é um fenômeno relacionado a custos, qualidade, escala e preços. Ela permitiu ganhos de produtividade e a diversificação das economias. Mas, nos últimos anos, tem crescido o descontentamento daqueles que, ao perder o emprego, se sentem “prejudicados”. Atacar a globalização não resolverá o problema. Estamos passando por transformações estruturais, aceleradas pelas novas tecnologias. O desafio é garantir que os trabalhadores se adaptem a essa nova realidade. Isso inclui políticas em educação, recolocação profissional e seguridade social.

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