Artistas brasileiros elevam nível e já produzem clipes que parecem gringos

Com a explosão da música pop nacional, o Brasil já produz clipes de nível internacional — e até empresta talentos para artistas de fora
 (Pedro Oranges/Divulgação)
(Pedro Oranges/Divulgação)
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GabrielJustoPublicado em 16/09/2021 às 05:34.

Um palco retroiluminado, um grande balé e uma coreografia. Anitta­ não precisou de muito mais do que isso para produzir seu Show das Poderosas, lançado em 2013. Mesmo assim, foi um sucesso: além de acumular mais de 160 milhões de visualizações em oito anos, o vídeo inaugurou uma década de ouro para a indústria do pop, que levou também a um amadurecimento da cena criativa nacional. Não só os intérpretes ganharam palco mas também as mentes por trás deles.

É o caso do diretor Felipe Sassi, que já na faculdade brincava de produzir clipes e logo começou a trabalhar com o KondZilla, hoje o maior canal do YouTube no Brasil. Por lá, dirigiu o clipe de Lista VIP, da Karol Conká, e acabou chamando a atenção da Warner Music, que então o convidou a dirigir clipes de cantoras como Ludmilla, Iza e Gloria Groove. Para além do apreço estético, Sassi criou também o que veio a ser chamado pelos fãs de “Sassiverso”, um universo narrativo que perpassa os clipes das diferentes artistas. “Foi uma brincadeira, mas acabou engajando os fãs porque era algo inédito”, explica ele, cujos views no ­YouTube já estão na casa dos bilhões.

Adicionar um aspecto narrativo aos clipes tornou-se, então, um novo padrão para o pop nacional — cujos clipes podem custar de 200.000 a 1,5 milhão de reais, a depender do artista e do nível da produção. E os gringos, antes uma inspiração, passaram também a incorporar a criatividade brasileira em seus trabalhos. Depois do sucesso de Vai Malandra, da Anitta, a cantora sueca Tove Lo convidou o MC Zaac, parceiro da carioca no single, para sua Are U Gonna Tell Her? E para dirigir o clipe, gravado no Brasil, escalou o Alaska, um duo formado por Gustavo Moraes e Marco Lafer — que pagam as contas fazendo filmes publicitários, mas apostam nos clipes como meio de expressar sua marca criativa em projetos de escala.

É o caso também de Fernando Nogari, que fez um documentário sobre a noite paulistana e acabou sendo convidado para dirigir o clipe de Baila Comigo, da americana Selena Gomez. Mais recentemente, assinou também o clipe de Nem Um Pouquinho, da Duda Beat, que chamou a atenção pelos visuais semelhantes aos de clipes internacionais. “Tudo isso aconteceu porque rolou uma democratização dos acessos. Hoje, você não precisa sair do país para estudar direção de fotografia, e isso acabou abrindo espaço para muita gente talentosa”, explica o diretor.
“O poder de realizar uma ideia de forma refinada está cada vez mais acontecendo. É só olhar para o ­TikTok”, comenta Lafer, destacando também o surgimento de novas câmeras e equipamentos que, além de mais baratos, não demandam uma grande equipe. “É legal ver a evolução do mercado. A democratização do fazer ainda vai crescer muito.”