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A corrida para a renovação de governadores em 2026 está aberta — e agitada

Nos 26 estados e Distrito Federal, 18 governadores não poderão concorrer à reeleição, abrindo uma disputada corrida de sucessão

Governadores Romeu Zema (MG), Ronaldo Caiado (GO) e Ratinho Jr. (PR): em 18 unidades da federação, governadores não poderão buscar a reeleição e correm para fazer um sucessor político (PR/Divulgação)

Governadores Romeu Zema (MG), Ronaldo Caiado (GO) e Ratinho Jr. (PR): em 18 unidades da federação, governadores não poderão buscar a reeleição e correm para fazer um sucessor político (PR/Divulgação)

Publicado em 18 de dezembro de 2025 às 06h00.

Última atualização em 18 de dezembro de 2025 às 07h53.

O cenário nacional polarizado de 2022 não dá sinais de mudanças para 2026. Os personagens políticos, tampouco. A reedição do Brasil dividido que viu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ser eleito por meros 2,1 milhões de votos é a principal aposta para o próximo ano. Desta vez, porém, há um novo elemento no cálculo político: a alta taxa de renovação nos governos estaduais.

Se o último pleito ficou marcado pela manutenção dos mesmos grupos de poder nas disputas locais, em 2026 o contexto é inverso. Na última eleição, 18 dos 27 governadores se reelegeram. Agora, apenas nove tentarão continuar no comando de seus estados, enquanto os demais trabalharão para eleger um sucessor e dar continuidade ao projeto.

O sucesso na empreitada, no entanto, dependerá de dois fatores, segundo o diretor da Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo.

Um deles diz respeito à permanência no cargo. “Para manter o grupo no poder, o ideal é que siga no posto e fique com a máquina na mão em vez de sair para disputar uma vaga no Senado”, diz.

O segundo é a definição do quadro eleitoral nacional. “O fator Flávio Bolsonaro: se ele for até o final com a candidatura a presidente, muda tudo, faz um desarranjo estadual em todo o Brasil”, afirma.

Um exemplo que corrobora a tese de Hidalgo é São Paulo, maior colégio eleitoral do país e lar de 21% da população brasileira.

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) atua para pavimentar uma candidatura a presidente e pode abrir uma disputa interna em seu grupo sobre quem irá representá-lo na briga estadual — caso concorra ao Executivo federal. Este, aliás, é o desejo de grandes partidos, como União Brasil, PP, PSD e Republicanos. Um apoio e tanto: os quatro juntos, em 2022, representaram 36,3% do tempo de TV na propaganda eleitoral gratuita.

A tendência, porém, é que o ex-presidente Jair Bolsonaro mantenha a indicação de seu primogênito, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), para a corrida pelo Palácio do Planalto, e Tarcísio busque a reeleição em São Paulo. Tudo isso está sujeito a mudanças bruscas até abril, data de desincompatibilização de cargos para concorrer às eleições.

Um elemento importante nesse xadrez é a eventual candidatura a presidente do governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), patrocinada pelas siglas de centro, o que forçaria uma redefinição dos destinos do PL e do bolsonarismo em alguns estados, como Minas Gerais.

O atual governador mineiro, Romeu Zema (Novo), tentará eleger seu vice, Matheus Simões, que pertence ao PSD e seria obrigado a apoiar Ratinho na corrida presidencial. Nesse caso, o caminho natural do partido da família Bolsonaro seria engrossar as fileiras do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que também sonha em governar Minas, estado visto como um retrato dos rumos do eleitorado de todo o país.

A decisão de Ratinho Jr. de entrar ou não na disputa federal será determinante até na disputa do seu próprio estado.

Caso leve à frente a ideia de governar o país, ele enfrentará mais dificuldade para eleger o sucessor no Paraná e poderia levar o PL a apoiar o senador Sergio Moro (União Brasil) para garantir um palanque forte a Flávio Bolsonaro. O estado é um dos mais importantes para o campo conservador: em 2022, Jair Bolsonaro fez 62,4% dos votos no segundo turno contra 37,6% de Lula.

Assim como a Região Sul é fundamental para alavancar o bolsonarismo, o Nordeste é um reduto histórico petista, e as articulações locais são acompanhadas com lupa pela Executiva Nacional da legenda.

A Bahia é governada pelo PT há cinco mandatos e deu a Lula 72,1% dos votos na última eleição nacional. O governador Jerônimo Rodrigues (PT), no entanto, conta com um adversário local forte, e a disputa com ACM Neto (União Brasil), que acabou com uma diferença de menos de 5% em 2022, deve ser acirrada novamente.

Em Pernambuco, por sua vez, os dois nomes mais fortes sonham em dar palanque exclusivo para Lula. A governadora Raquel Lyra (PSD) tem feito gestos ao presidente da República, mas o prefeito do Recife, João Campos (PSB), avança na negociação para obter o apoio do PT na briga pelo Palácio do Campo das Princesas.

Como se vê, a certeza é de novos nomes na política estadual a partir de 2027. Cada movimento pode levar a efeitos em cascata, aumentando ou diminuindo as chances de determinados grupos. Não é para menos: pelo menos 130 milhões de brasileiros terão um novo governador.

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