A investidora brasileira no Vale do Silício

Paranaense de Foz do Iguaçu, Bedy Yang é um dos principais nomes de um dos maiores fundos de investimento em startups

O Vale do Silício está olhando mais para o mercado brasileiro. E parte disso é mérito da brasileira Bedy Yang. Morando há quase uma década no berço mundial da inovação, a paranaense nascida em Foz do Iguaçu é sócia do fundo de investimento americano 500 Startups, que já fez aportes em empresas como Udemy e Grab (dois “unicórnios”, isto é, startups avaliadas em mais de 1 bilhão de dólares) e em brasileiras de sucesso, como ContaAzul, Pipefy e Olist. Em entrevista à EXAME, Bedy Yang analisa o atual momento do empreendedorismo e revela o que chama sua atenção na hora de escolher uma startup para investir. “No fim, o que temos são os empreendedores que estão na nossa frente”, afirma.

Qual é sua avaliação sobre o mercado brasileiro de startups?

Houve um aumento de capital investido nas startups e isso é reflexo da evolução do mercado. As empresas brasileiras mostram não só que têm boas ideias no papel mas que também conseguem bons resultados, realizando até a abertura do capital fora do Brasil. No início havia certo receio de investir em startups no Brasil, mas acho que o país passou dessa fase. O mercado vai continuar crescendo.

Existe algum setor aquecido, mesmo com a pandemia?

Sim. A primeira área é a educação, que está diretamente ligada ao futuro do trabalho, aos tipos de profissional que serão necessários. A crise atual fará com que muitas coisas aconteçam também na área de saúde, até no que diz respeito às informações de pacientes. A terceira área é ligada ao varejo e às cadeias de suprimentos. Muita gente passou a comprar digitalmente e havia um questionamento sobre como administrar os pedidos, o que precisou ser readaptado. A quarta área são os serviços financeiros, setor que se transforma e vai continuar evoluindo no Brasil.

O que você prioriza na hora de realizar um investimento?

A gente olha fundamentalmente três componentes: equipe, produto e mercado. Mas, quando se trata de capital-semente, muitas vezes não há informações sobre o produto ou sobre a própria empresa. No fim, o que temos são os empreendedores que estão na nossa frente. Podemos analisar as planilhas das empresas, mas eu olho pouco para isso, para falar a verdade. Tento entender se aquela equipe vai conseguir acelerar seu negócio nos próximos seis, 12 ou 18 meses.

Quando é hora de vender a participação em uma empresa investida, a chamada “saída”?

O mercado de venture capital tem muito risco e é preciso garantir que o fundo esteja operando dentro ou acima das estatísticas. Nossa estratégia é de portfólio. Investimos em milhares de empresas e só algumas poucas dão certo. Atualmente, 2% das empresas em que investimos já multiplicaram seu valor de mercado por 50. Somos estruturados em um plano de dez anos que pode ser estendido por mais dois. Ao longo do tempo, vendemos uma parte de nossa participação para obter retorno com o investimento.

Alguns estudos mostram que o ecossistema de startups é dominado por empreendedores homens e brancos. Como trazer mais diversidade?

É preciso fazer uma mudança sistêmica. É importante que quem esteja assinando os cheques não seja só o homem branco típico. Mulheres que assinam cheques dão mais cheques a empreendedoras. É preciso colocar dinheiro na mão das pessoas que precisam ter mais representatividade.

O termo “unicórnio” desagrada a alguns empreendedores. Qual é seu lado nessa discussão?

A propabilidade de encontrar um “unicórnio” é de menos de 1% quando se olha um portfólio completo de um fundo de investimento. É uma coisa rara. Para os investidores, a pergunta mais relevante que deve ser feita não é se a empresa é ou vai se tornar um “unicórnio”, mas saber de quantas vezes será o retorno do capital investido. Se ele será de 10, 50 ou até de 100 vezes o valor aplicado.

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