Revista Exame

A beleza da escala: este casal do Pará fatura R$ 30 milhões e não para de abrir salões de beleza

Mesmo com juros altos, a rede de salões Hasegawa prepara sua 15ª unidade e vai faturar 30 milhões de reais

Jéssica e Helyezer Hasegawa: sócios da rede de salões de beleza Hasegawa fecham 2026 com 15 lojas (Germano Lüders/Exame)

Jéssica e Helyezer Hasegawa: sócios da rede de salões de beleza Hasegawa fecham 2026 com 15 lojas (Germano Lüders/Exame)

Daniel Giussani
Daniel Giussani

Repórter de Negócios

Publicado em 28 de outubro de 2026 às 06h00.

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Quando a paraense Jéssica Hasegawa voltou ao Brasil, depois de 18 anos no Japão, reencontrou Helyezer, seu primeiro amor, e foi morar com ele num apartamento onde o guarda-roupa era uma mala no chão.

Ele era contador e tinha uma cliente prestes a vender dois salões de beleza em Belém.

O casal assumiu o negócio. Sem caixa, Jéssica atendia na recepção, servia café e distribuía panfletos na rua nas manhãs vazias. Funcionou. O salão cresceu, virou franquia, chegou a São Paulo e faturou 26 milhões de reais em 2025. Junto com o crescimento, vieram os desafios. O maior deles era reproduzir nas novas unidades a cultura de atendimento que funcionava tão bem quando Jéssica podia acompanhar tudo de perto.

Foi para resolver esse problema que o casal participou do Choque de Gestão, programa da EXAME que conecta empreendedores a especialistas. A mentora escolhida foi Natália Martins, a Natália Beauty. Ela identificou três obstáculos: dificuldade de transmitir a cultura aos franqueados, falta de tecnologia para estimular a volta das clientes e um processo de agendamento pelo Instagram com cliques demais. A receita incluía treinamento contínuo das equipes, adoção de um sistema de relacionamento com clientes, o CRM, e um caminho mais curto até a marcação dos serviços.

Meses depois, as mudanças começam a ganhar forma. A empresa está implementando um CRM com inteligência artificial para conversar com clientes pelo WhatsApp, estimular novas visitas e vender mais serviços. Também reforçou o treinamento das equipes para levar o padrão da matriz às franquias.

Mais do que isso, o casal decidiu acelerar a expansão, mesmo num ano de juros altos e consumidores com menos dinheiro para gastar. “Por incrível que pareça, a área de beleza é uma das menos afetadas por crises”, diz Helyezer. A aposta está no modelo multisserviços, que reúne de manicure e cabelo a massagens e depilação num mesmo endereço. A ideia é aumentar a frequência das visitas e o gasto de cada cliente.

Os planos já estão saindo do papel. A rede abriu unidades em Parauapebas e Marabá, no Pará, e prepara a inauguração de um salão no Mooca Plaza, em São Paulo, até dezembro. Com ele, chegará a 15 endereços. A meta é faturar 30 milhões de reais em 2026, alta de 15% sobre o ano anterior. E há espaço para avançar mais: o casal recebeu sondagens de shoppings no Paraná e na ­Bahia. Nem os juros elevados têm sido suficientes para segurar os planos. “É um risco grande, mas a gente não tem medo, não”, diz Helyezer, que já recorreu a financiamentos bancários para bancar a expansão. O cuidado agora é preparar líderes capazes de reproduzir em cada novo salão o atendimento que fez o primeiro prosperar. É um pouco das dores e belezas da escala.

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