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País dá adeus a rainha Elizabeth e torna Rihanna heroína nacional; entenda

Independente do Reino Unido desde 1966, Barbados celebrou sua transição para governo republicano após quase 400 anos de obediência a monarquia britânica

Barbados se tornou oficialmente uma república nesta terça-feira, 30, em uma cerimônia na qual a rainha Elizabeth II deixou de ser a chefe de Estado da ilha.

Independente do Reino Unido desde 1966, Barbados celebrou sua transição para governo republicano após quase 400 anos de obediência a monarquia britânica.

Em um dos primeiros atos da nova república, a primeira-ministra Mia Mottley concedeu a Rihanna o título de heroína nacional. "Em nome de uma nação grata, mas um povo ainda mais orgulhoso, apresentamos a você, a designada, como herói nacional de Barbados, a Embaixadora Robyn Rihanna Fenty."

"Que você continue a brilhar como um diamante e honrar sua nação por meio de suas obras, de suas ações e de dar crédito aonde quer que você vá", acrescentou ela, referindo-se à canção "Diamonds" de Rihanna. Os planos para remover a Rainha como monarca institucional foram anunciados pela primeira vez em setembro de 2020.

Rihanna

 (Jonathan Brady - Pool/Getty Images)

A ilha conhecida por suas praias paradisíacas, seu rum e por ser o local de nascimento da cantora Rihanna, terá como chefe de Estado outra mulher, Sandra Mason, até agora governadora-geral do país, após sua eleição em 21 de outubro.

Mason fez o juramento ao cargo à meia-noite de segunda-feira na capital do país, Bridgetown, em uma cerimônia oficial na qual também foi substituído o estandarte real pela bandeira presidencial.

"Eu, Sandra Prunella Mason, juro ser fiel e manter verdadeira lealdade a Barbados de acordo com a lei, com a ajuda de Deus", declarou a nova presidente.

A cerimônia, com a presença do príncipe Charles, filho mais velho de Elizabeth II, e Rihanna, não foi aberta ao público, apesar da suspensão temporária do toque de recolher imposto devido ao coronavírus para permitir que a população aproveitasse as festividades, que incluíram fogos de artifício em toda a ilha.

"Não estou muito animado com Barbados se tornando uma república, simplesmente porque as pessoas na verdade não sabem que estamos nos tornando uma república", declarou Ian Trotman, um fabricante de tecidos de 58 anos que sentiu falta de uma campanha pública informativa.

Barbados continua sendo membro da organização Commonwealth, como observou o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, em um comunicado na segunda-feira. "Seguiremos amigos e aliados incondicionais, aproveitando as afinidades e conexões duradouras entre nossos povos e o vínculo especial da Commonwealth", escreveu Johnson.

Commonwealth é a comunidade de colônias do Império Britânico, como a Austrália, Canadá, Quênia, e, no Caribe, Guiana, Jamaica e Antígua.

Durante sua estadia em Barbados, o príncipe de Gales foi alvo de críticas por comentários que teria feito há alguns anos sobre a cor da pele dos futuros filhos de seu filho Harry e Meghan Markle.

As declarações, incluídas em um livro que será publicado nesta terça-feira, foram negadas pelo gabinete do príncipe Charles: "Isso é ficção e não merece mais comentários", disse um porta-voz da coroa britânica.

Os problemas da influência britânica e o racismo foram dois elementos-chave na decisão de Barbados de virar uma república, já que o legado de séculos de escravidão continua muito presente na ilha.

Declaração da República e Cerimônia de Posse Presidencial de Barbados

 (Toby Melville - Pool/Getty Images)

A nova presidente

Sandra Mason foi a primeira mulher admitida na ordem dos advogados de Barbados. Sua carreira começou como professora, secretária e então advogada, até finalmente se tornar governadora geral, a representante perante a rainha, em 2018.

Como presidente, Mason terá o cargo mais alto do país e seus poderes não estarão mais nas mãos da monarca. Suas funções, porém, serão em grande parte cerimoniais, na maioria dos casos exigindo a assinatura conjunta da primeira-ministra.

Nascida no distrito da classe trabalhadora de St. Philip, Mason, agora com 72 anos, atribui ao sistema de educação pública de Barbados suas realizações estelares.

“A educação em Barbados é gratuita”, ressaltou. “Você pode conseguir o que quiser e por isso senti que era minha responsabilidade (...) retribuir algo”.

Em 1973, ela se formou em Direito pela Universidade das Índias Ocidentais (UWI), a única universidade pública do país, e foi admitida na ordem em 1975 como advogada em exercício. Em 1997, virou secretária da Suprema Corte.

Em 2020, Mason pronunciou o "discurso do trono" anual, escrito pela primeira-ministra, declarando que havia chegado o momento de "deixar completamente para trás nosso passado colonial".

"Os barbadenses querem um chefe de Estado barbadense (...) Esta é a declaração máxima de confiança em quem somos e no que somos capazes de alcançar", disse o texto de Mia Mottley.

Entre suas paixões políticas está o sonho de uma versão caribenha da União Europeia. “Sou uma fã do caribenho. Acredito na integração regional, acho que é algo que precisa se concretizar”, afirmou Mason.

Preconceitos do passado

Várias vozes em Barbados criticaram a primeira-ministra Mottley por ter convidado o príncipe Charles para a posse de Mason como convidado de honra, e ter lhe concedido a Ordem da Liberdade de Barbados, a mais alta honraria nacional.

"A família real britânica é uma fonte de exploração nesta região e, até agora, não ofereceram um pedido formal de desculpas ou qualquer tipo de reparação pelos danos sofridos", disse Kristina Hinds, professora de Relações Internacionais da UWI. "Não vejo como alguém da família pode receber este prêmio".

Para alguns ativistas, como Firhaana Bulbulia, fundadora da Associação Muçulmana de Barbados, o colonialismo britânico e a escravidão são responsáveis pela desigualdade existente hoje na ilha.

“A desigualdade econômica, a capacidade de possuir terras e até mesmo o acesso a empréstimos bancários têm muito a ver com as estruturas construídas após o domínio britânico”, afirmou Bulbulia, de 26 anos.

Alguns moradores apontam problemas mais urgentes da ilha, entre eles a crise econômica causada pela pandemia da covid-19, que colocou em evidência o quanto o país depende do turismo, em especial do Reino Unido.

Antes do surgimento do vírus, mais de um milhão de pessoas visitavam a ilha de 287 mil habitantes a cada ano.

O desemprego é de quase 16%, 9% a mais que nos anos anteriores, apesar do aumento dos empréstimos governamentais para financiar obras do setor público e criar empregos.

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