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‘Eu tinha R$ 40 milhões de dívida e uma empresa quebrada’

Fabio Carvalho, ex-presidente da Casa & Vídeo e sócio das Lojas Leader, conta sua experiência reestruturando empresas com dívidas milionárias.

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Fabio Carvalho, ex-presidente da Casa & Vídeo e sócio das Lojas Leader (Reprodução/Endeavor)

Fabio Carvalho, ex-presidente da Casa & Vídeo e sócio das Lojas Leader (Reprodução/Endeavor)

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Endeavor

Publicado em 16 de outubro de 2016 às, 08h00.

Última atualização em 22 de dezembro de 2018 às, 04h20.

O que você faria se pudesse comprar uma das maiores empresas do varejo brasileiro por apenas R$ 1.000? Mas e se uma dívida de R$ 900 milhões viesse junto? Fábio Carvalho achou que valia a pena assumir o risco. À frente da sociedade de investimentos Legion Holdings, desembolsou o dinheiro e comprou 100% das Lojas Leader neste ano.

Mas não, não foi na loucura. A bagagem de Fabio, na verdade, deixa claro que a decisão foi bastante racional. Advogado especialista em reestruturação de empresas, ele participou de grandes processos de recuperação, como o da Varig, no começo dos anos 2000. Teve ainda uma experiência como CEO antes de decidir empreender, em 2010. Só que em vez de começar uma empresa do zero, ele preferiu recomeçar uma empresa do zero. Ou melhor, do negativo — ele estava determinado a reerguer a Casa & Vídeo.

Pediu ajuda a um banqueiro que o havia oferecido um cargo:

- Não vou aceitar o convite, mas preciso de dinheiro.
- Quanto?
- R$ 20 milhões
- E o que você tem para me dar de garantia?
- Nada, mas você queria me contratar para gerir R$ 200 milhões. Se eu só perder R$ 20 milhões, te salvei R$ 180 milhões.

O diálogo rendeu frutos. Depois de alguns meses de negociação, Fabio assumiu a presidência da Casa & Video. Dividiu os riscos com o banco, mas, não demorou muito, pegou um empréstimo do dobro do investimento inicial para comprar a parte dos sócios.

“Um belo dia, eu tinha R$ 40 milhões de dívida e uma empresa quebrada nas mãos.”

Uma de suas primeiras medidas como presidente foi reunir maioria do time em um auditório e abrir o jogo: “A próxima folha de pagamentos está garantida. A seguinte, nós temos que criar”. O caminho foi duro: por exemplo, reduzir o quadro de funcionários. Ele diz que, nessas horas, é preciso agir com transparência para não causar revolta.

Sem crise

Para Fabio, empresas em crise acabam apresentando uma oportunidade de abraçar algo do qual todos fogem. Isso não só pelo desafio, mas também pela barganha. Quer dizer, quanto vale uma empresa que ninguém quer comprar?

Feita a aquisição, o segredo está em restabelecer contratos –com colaboradores, fornecedores, clientes… Para ele, é como criar uma startup que já fatura muito. Mas para isso, nada é tão importante quanto um time bem alinhado:

“O que mais me motiva é estar construindo um time de pessoas que têm a mesma filosofia e o mesmo ritmo de reconstruir empresas. Não adianta reclamar que o negócio está ruim e difícil, porque a gente só existe nos negócios que estão ruins e difíceis. É um time sendo criado para resolver problemas complexos e entrar onde muita gente não quer entrar”, diz.

Não deixar a peteca cair

Por trás da dedicação desse time tão resiliente, está um propósito: salvar postos de trabalho. Com o turnaround da Casa & Vídeo e da Bravante, empresa do setor de óleo e gás, milhares de funcionários puderam ser mantidos.

Agora, na Leader, são em torno de 7 mil empregos que a Legion Holdings trabalha para preservar. E a situação estava feia: administração declarando falência, brigas societárias, perdas no balanço patrimonial e queda de vendas no varejo.

O foco de Fabio na Leader é redesenhar a operação e minimizar ao máximo os danos. Seria fácil demais se uma fórmula de sucesso pudesse ser simplesmente repetida, mas transparência e o cuidado com o time são questões que não ficam esquecidas:

“Houve uma união incrível em torno dos objetivos daquela reestruturação [da Casa & Vídeo]. Isso se repetiu na Bravante e está se repetindo na Leader”

Conheça mais dicas de Fabio Carvalho sobre cultura e reestruturaçã no painel completo, mediado por Sidney Breyer, da Aggir Capital.

Texto originalmente publicado no site da Endeavor.

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