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A evolução dos bichos

A Celltrovet pesquisa células-tronco de animais para novas terapias veterinárias. Os tratamentos para cavalos representam 80% da receita
 (Daniela Toviansky/EXAME PME)
(Daniela Toviansky/EXAME PME)
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Daniele Pechi

Publicado em 18/02/2011 às 11:48.

Última atualização em 30/08/2017 às 19:33.

Todos os dias, a Celltrovet - empresa paulista de terapias com células-tronco para animais - recebe ligações de pes soas desesperadas por um tratamento para seus bichos. "Eles são como membros da família, e seus donos fazem o que for preciso para salvá-los", diz o biólogo russo Alexandre Kerkis, fundador da empresa. Fruto de uma parceria entre o biólogo mineiro Enrico Santos, de 39 anos, e Kerkis, de 65, a Celltrovet armazena células-tronco de animais e procura soluções para doenças como diabetes e cardiopatias, além de tratar casos que requerem renovar ossos e tecidos.

Os dois se conheceram em 1995, quando Kerkis chegou ao Brasil para trabalhar como professor do centro de biotecnologia animal da Universidade de São Paulo. Na época, Santos era seu aluno. O primeiro mercado da empresa foi o de cavalos para competições, que responde por cerca de 80% do faturamento previsto para 1,1 milhão neste ano. O restante vem do atendimento a bichos de estimação, geralmente cães e gatos.

Para não depender tanto de um único tipo de paciente, a Celltrovet fechou parcerias com hospitais veterinários que recebem animais de pequeno porte, como o Sena Madureira, o maior de São Paulo, localizado na zona sul da cidade. Kerkis e Santos acreditam que os convênios ajudarão a aumentar as receitas em 150% nos próximos três anos. "Metade do faturamento deve vir do mercado pet", diz Santos. "Hoje, o Brasil só perde para os Estados Unidos em número de animais de estimação. O potencial é enorme." Aproveitar essa oportunidade depende de a Celltrovet tornar-se mais conhecida entre os veterinários. "Sem saber sobre as nossas terapias, eles não vão recomendá-las aos donos", afirma Kerkis. O que os sócios podem fazer para aumentar rapidamente o atendimento a animais domésticos? O farmacêutico químico Eduardo Cruz, fundador do Cryopraxis, banco de células-tronco do Rio de Janeiro, e o empreendedor Sérgio Zimerman, dono da Pet Center Marginal, rede paulistana de superpet shops, deram suas opiniões.

Sérgio Zimerman

Empresa: Pet Center Marginal - São Paulo, SP | Rede de superpet shops

Receita: 52 milhões de reais(2)

Fechar parcerias com pet shops

Perspectiva: No Brasil, há aproximadamente 27 milhões de cães e 12 milhões de gatos domésticos, cujas expectativas de vida vêm aumentando cada vez mais graças a uma alimentação adequada e cuidados médicos. A maior longevidade, no entanto, faz com que esses animais possam sofrer de doenças típicas da terceira idade, como as que a Celltrovet trata.

Oportunidades: Grandes redes de pet shops, como a nossa, mantêm hospitais veterinários junto às lojas. Kerkis e Santos devem explorar também esse mercado, que tem crescido principalmente em São Paulo, onde a Celltrovet está.

O que fazer: A Celltrovet deve, primeiro, fechar parcerias com grandes pet shops. Assim, será possível aproximar-se dos veterinários das clínicas vinculadas a essas redes para que eles passem a recomendar o tratamento com células-tronco. Em troca, a empresa pode oferecer treinamento a esses profissionais.

Eduardo Cruz

Empresa: Cryopraxis - Rio de Janeiro, RJ | Banco de células-tronco

Receita: 50 milhões de reais(2)

Divulgar casos bem-sucedidos

Perspectiva: O avanço de pesquisas veterinárias e os novos centros especializados em animais possibilitam o crescimento de pequenas e médias empresas com tecnologia de ponta, como a Celltrovet. Assim como acontece na medicina tradicional, na medida em que se mostram eficazes, os novos tratamentos tendem a ser adotados gradualmente por profissionais da área.

Oportunidades: Para continuar sua expansão, a Celltrovet precisa atrair parceiros fora da cidade de São Paulo. Não é tão difícil - o número de hospitais veterinários tem crescido em todo o Brasil, principalmente nas regiões Sul e Sudeste.

O que fazer: Kerkis e Santos devem organizar congressos e palestras para divulgar casos clínicos que comprovem a eficiência de seus tratamentos. Além disso, devem montar uma equipe comercial que vá até os consultórios para apresentar a Celltrovet a novos mercados.