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Sem celulares, Nokia segue o caminho da Ericsson

Finlandesa está abandonando a fabricação de celulares para procurar lucros nos equipamentos para redes

Munique/Madri - Com a venda de seu negócio de telefonia celular para a Microsoft Corp. por US$ 7,2 bilhões, a Nokia Oyj está seguindo o caminho traçado pela Ericsson AB, da Suécia, abandonando a fabricação de celulares para procurar lucros nos equipamentos para redes.

A Nokia Solutions and Networks, o negócio de US$ 18 bilhões por ano que a Nokia comprou totalmente da Siemens AG, no mês passado, representará mais de 90 por cento das vendas da Nokia, sediada em Espoo, Finlândia, depois de sua saída dos telefones. As ações da Nokia subiram 34 por cento, ontem, e seu valor empresarial aumentou para 0,48 vezes a receita dos seus negócios restantes, comparado a 1,03 vezes para a Ericsson, segundo dados compilados pela Bloomberg.

“A nova Nokia não é sensual e não terá um crescimento espetacular, mas também não sofrerá fracassos espetaculares”, disse Daniel Lacalle, gerente sênior de portfólio na Ecofin Ltd., em Londres. “A Nokia será muito mais competitiva porque não desperdiçará mais dinheiro”.

A Nokia passou por dificuldades para recuperar sua relevância com os smartphones depois da apresentação do iPhone da Apple Inc. em 2007. A companhia está saindo do negócio quase uma década depois que sua rival nórdica Ericsson converteu os celulares num empreendimento separado com a Sony Corp. A companhia sueca também demitiu mais da metade dos seus funcionários, ajudando-a a sair da sua pior crise. A unidade de redes da Nokia, a NSN, acaba de voltar aos lucros depois de acumular bilhões de dólares em perdas operativas durante mais de seis anos.

Transferência de empregados

Segundo o acordo em dinheiro anunciado nesta semana, a Microsoft – sediada em Redmond, Washington – pagará 3,79 bilhões de euros (US$ 5 bilhões) pela divisão de dispositivos e serviços da Nokia para licenciar as patentes dela. A Microsoft também disponibilizará 1,5 bilhão de euros à Nokia por meio de títulos convertíveis.

Aproximadamente 32.000 empregados – dos quais 4.700 estão na Finlândia – serão transferidos para a Microsoft, e o CEO da Nokia, Stephen Elop, voltará à Microsoft após três anos na chefia da fabricante finlandesa.


Na administração de Rajeev Suri, a NSN eliminou mais de 20.000 empregos pela queda nas vendas e a crescente concorrência com fornecedores chineses, como a Huawei Technologies Co. e a ZTE Corp. A Nokia, a Ericsson e a Alcatel-Lucent SA estão, agora, concorrendo para obter contratos das operadoras de celulares, que estão atualizando suas redes com tecnologia de quarta geração para lidar com o alto consumo dos tablets e smartphones que navegam pela internet.

“Criação de valor”

“A NSN é uma empresa muito eficiente e pode investir de forma prudente, na maneira correta para crescer”, disse, ontem, numa teleconferência, Timo Ihamuotila, diretor financeiro da Nokia, também nomeado presidente interino. “Acreditamos que deveríamos investir no crescimento, mas isso tem que ser feito de forma inteligente. E é claro, pensando na criação de valor”.

A NSN, anteriormente chamada Nokia Siemens Networks, tinha aproximadamente 50.000 trabalhadores no final de junho. Segundo a receita informada em 2012, suas vendas por empregado totalizaram US$ 313.500, ultrapassando a Ericsson, com US$ 305.000, e a Alcatel-Lucent, que registrou US$ 257.000 , de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

No primeiro semestre, a NSN anunciou lucros operativos por 11 milhões de euros, e em uma base ajustada o valor era de 524 milhões de euros. Isso ajudou a reverter as perdas no mercado de celulares.

“O futuro da NSN é muito sólido”, opinou Hannu Rauhala, analista do Pohjola Bank sediado em Helsinki, que recomenda reduzir a posse de ações da Nokia. A companhia “se beneficiará com serviços novos e mais rápidos, como a implementação de redes 4G. As oportunidades para os fornecedores de redes e equipamentos no mundo são grandes”.

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