Negócios
Acompanhe:

Produção de veículos é a pior desde 2003 e há riscos para a retomada

De acordo com a Anfavea, associação que reúne as montadoras, o aumento de custos e o desequilíbrio da cadeia produtiva são obstáculos para a recuperação

Produção de veículos: retomada, mas aquém do ideal (Germano Lüders/Exame)

Produção de veículos: retomada, mas aquém do ideal (Germano Lüders/Exame)

J
Juliana Estigarribia

7 de dezembro de 2020, 15h39

Embora a previsão das montadoras para 2021 seja de recuperação do mercado, há riscos importantes nesta jornada. Além de uma possível lentidão na distribuição da vacina de covid-19, as empresas veem o aumento de custos e o desequilíbrio da cadeia produtiva como barreiras para o avanço mais rápido do setor.

"O ano de 2021 ainda deve ser nebuloso, com incerteza fiscal, fraqueza no mercado de trabalho e provavelmente sem o auxílio emergencial", afirma Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea, associação que reúne as montadoras, em entrevista à EXAME.

O dirigente acredita que a vacinação contra a covid-19 será importante para trazer confiança à economia. "Todo mundo está cansado de ficar em casa, isso afeta intenção de consumo, viagens, compras, e consequentemente toda a economia. A grande vantagem da vacina é a sensação de confiança."

Enquanto isso não acontece, a indústria automotiva arca com o pior nível de produção desde 2003 no acumulado de janeiro a novembro. As vendas custam a deslanchar.

Em um cenário de incertezas, os desafios de aumento de custos e desequilíbrio da cadeia permanecerão por algum tempo. No caso dos fornecedores, que não estão conseguindo dar conta do aumento súbito da demanda, Moraes confia que a situação deve se estabilizar nos próximos 60 a 90 dias.

"Não se trata de um problema estrutural. Se tivermos uma direção na economia, o setor produtivo se autorregula. No primeiro trimestre de 2021, certamente este problema estará resolvido."

Já em relação ao aumento do dólar, que acaba encarecendo a planilha de custos das montadoras, o dirigente afirma que a volatilidade é o maior problema. "As empresas não conseguem se programar, quando um pedido chega à fábrica o aumento de custo resultante da desvalorização do real já foi absorvido. A falta de previsibilidade é a pior situação."

Moraes defende ainda a continuidade das reformas propostas pelo governo federal para garantir a retomada da economia. "Tudo vai depender de como o governo vai lidar com o déficit fiscal."

Balanço

Em novembro, a produção de veículos atingiu 238.200 unidades, alta de 4,7% na comparação anual. No acumulado do ano, porém, houve queda de 35%, para 1,80 milhão de unidades.

Já os licenciamentos tiveram uma queda mais branda, de 28,1% no acumulado até novembro, para 1,81 milhão de unidades. Em novembro, o recuo foi de 7,1%, a 225.010 unidades.

As exportações, por outro lado, tiveram um desempenho positivo em novembro, avançando 38,6%, para 44.007 unidades. "O crescimento até nos surpreendeu. Alguns mercados estavam sem estoques e houve uma demanda um pouco maior na Argentina, México, Colômbia e Chile", diz Moraes.

Nos últimos 12 meses, foram 5.687 demissões nas montadoras. "As admissões que tivemos no setor foram basicamente de contratos temporários", explica o dirigente.