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Latitud: proptechs perderam valor em 2022, mas devem crescer com digitalização do mercado de imóveis

Relatórios da plataforma Latitud mapeiam principais tendências para as empresas de tecnologia do mercado imobiliário da América Latina

Os imóveis são um mercado global de US$ 9,6 trilhões e a pandemia acelerou tendências relacionadas ao setor, como realocação de capital de imóveis comerciais para residenciais com o trabalho remoto e a adoção de transações digitais (RyanKing999/Thinkstock)

Os imóveis são um mercado global de US$ 9,6 trilhões e a pandemia acelerou tendências relacionadas ao setor, como realocação de capital de imóveis comerciais para residenciais com o trabalho remoto e a adoção de transações digitais (RyanKing999/Thinkstock)

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Leo Branco

5 de dezembro de 2022, 17h08

O risco de uma recessão global em 2022 piorou a expectativa sobre as empresas de tecnologia, incluindo aquelas dedicadas ao mercado imobiliário — as chamadas proptechs.

Apesar das dificuldades atuais, o cenário à frente para o setor é bastante promissor.

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É o que diz o relatório Latin America: Future of Proptech, produzido pelo Latitud, fundo de investimentos em startups do americano Brian Requarth, fundador do Viva Real.

O material faz parte de um report maior produzido pela Latitud sobre sete indústrias diferentes, o The LatAm Tech Report.Leia o estudo aqui.

O estudo faz uma análise do mercado global e latino-americano das proptechs e aponta tendências, oportunidades e desafios para sua expansão nos próximos anos a partir de dados e de entrevistas com investidores relevantes no setor.

Qual é o tamanho do mercado para as proptechs

Os imóveis são um mercado global de US$ 9,6 trilhões e a pandemia acelerou tendências relacionadas ao setor, como realocação de capital de imóveis comerciais para residenciais com o trabalho remoto e a adoção de transações digitais.

Investidores de risco aplicaram US$ 4 bilhões em startups da América Latina e mais de 90% desses investimentos aconteceram nos últimos quatro anos.

O desenvolvimento do ecossistema proptech na região tem resultado, com efeito, em rodadas de investimento cada vez maiores, impulsionando o setor.

Em termos gerais, os grandes números do setor são estes:

  • 235 investidores de capital de risco já atuaram em rodadas de financiamento de proptechs na América Latina
  • Destes, 99 são investidores anjo
  • São 124 milhões de famílias na região, grande parte delas procurando a casa própria
  • 40 milhões de famílias ainda vivem de aluguel
  • O valor estimado das hipotecas na América Latina é de US$ 170 bilhões
  • Com 66 milhões de famílias, o Brasil é o mercado de maior potencial de crescimento para as proptechs
  • Dos US$ 4 bilhões aplicados pelos investidores de risco, 70% tiveram como destino startups brasileiras.

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Como as proptechs avançaram na pandemia

O Latin America: Future of Proptech nota que houve um expressivo avanço das proptechs em termos globais, sobretudo após o início da pandemia, no contexto da rápida digitalização da economia.

Um indicador nesse sentido é que 63% dos unicórnios globais nasceram após a eclosão da crise sanitária global, sendo 30% deles na área de marketplaces online em habitação.

Antes de 2016, existia apenas um unicórnio no setor de proptechs. Somente em 2021, foram 13 iniciando suas operações.

Apesar do crescimento expressivo, o risco de uma recessão global, identificado com maior força em 2022, atingiu em cheio o segmento. Apenas nos mercados públicos, as ações da maioria das proptechs caíram cerca de 50% no ano.

Com isso, houve um expressivo número de demissões em proptechs ao longo do ano.

A análise de Latitud identifica ainda oportunidades em médio e longo prazo para o crescimento das proptechs na América Latina.

Uma primeira é a aceleração da adoção dos recursos digitais, em um continente com grande população jovem ou de hábitos jovens, com uso cada vez maior de smartphones para múltiplas tarefas cotidianas.

Como consequência da pandemia, houve uma crescente opção pelo trabalho remoto e pela mudança de endereço de grandes para pequenas cidades.

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Onde estão os modelos de negócio promissores

Dessa forma, o capital foi realocado de imóveis comerciais para imóveis residenciais.

Tudo isso apontando para um maior uso de aplicativos e outras soluções digitais, alimentando o potencial de crescimento das proptechs.

Existe ainda uma expressiva fragmentação do mercado imobiliário na região, com atuação de muitos corretores e agentes independentes com baixo NPS e sem capital suficiente para investimento nos inevitáveis processos de digitalização.

O marketplace imobiliário digital é o segmento das proptech com maior nível de financiamento no continente.

Nesse sentido, alguns modelos que podem prosperar são os que promovem mais acesso a imóveis, inclusive por meio de:

  • propriedade fracionada
  • plataformas full-stack
  • marketplaces e softwares verticais

Eles também destacaram tendências como:

  • demanda por inovações no setor comercial e de construção, incluindo soluções para aluguel e hipoteca no segmento comercial
  • organização de pedidos de materiais de construção como destaques mais específicos

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