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Justiça venezuelana congela contas bancárias e bens da Odebrecht

A Odebrecht teria pagado US$ 98 milhões em subornos para garantir contratações de obras públicas, segundo esses documentos dos EUA

Odebrecht: a Direção Geral de Contrainteligência Militar da Venezuela (Dgcim) vasculhou na noite de terça-feira os escritórios de Odebrecht em Caracas (Carlos Garcia Rawlins/Reuters)

Odebrecht: a Direção Geral de Contrainteligência Militar da Venezuela (Dgcim) vasculhou na noite de terça-feira os escritórios de Odebrecht em Caracas (Carlos Garcia Rawlins/Reuters)

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EFE

Publicado em 15 de fevereiro de 2017 às 16h24.

Caracas - A Justiça da Venezuela mandou congelar as contas bancárias da Odebrecht no país e lhe proibiu de alienar ou taxar seus bens, móveis e imóveis, informou nesta quarta-feira o Ministério Público do país caribenho.

Por meio de um comunicado, o MP venezuelano - que dirige a investigação sobre supostas irregularidades nas contratações da construtora brasileira na Venezuela - indicou que dita medida de bloqueio foi solicitada por dois de seus procuradores perante o 11º Tribunal de Controle da Área Metropolitana de Caracas, que finalmente tomou a decisão.

A Direção Geral de Contrainteligência Militar da Venezuela (Dgcim) vasculhou na noite de terça-feira os escritórios de Odebrecht em Caracas, dias depois de o presidente Nicolás Maduro e o parlamento terem pedido à Justiça para investigar o caso.

A procuradoria venezuelana reiterou hoje que supervisionou este procedimento que buscava, segundo disse, "obter elementos de interesse criminalístico".

"Dita investigação está dirigida a esclarecer a situação e determinar se as obras para as quais esta companhia foi contratada estão concluídas ou não; além de verificar qual seria o destino do dinheiro cobrado pelas mesmas, e para corroborar se alguns funcionários públicos se beneficiaram com essas negociações", detalhou o comunicado.

A procuradoria venezuelana lembrou que em janeiro solicitou uma ordem de apreensão contra uma pessoa - sem especificar seu nome - por estar supostamente vinculada com o caso, e requereu que seja incorporada ao alerta vermelho da Interpol, caso esta se encontre fora do país, para que seja apreendida e extraditada ao país caribenho.

Em dezembro de 2016, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelou documentos nos quais detalhava supostos subornos no valor de US$ 788 milhões pagos pela construtora brasileira em 12 países de América Latina e África.

No caso venezuelano, a Odebrecht teria pagado US$ 98 milhões em subornos para garantir contratações de obras públicas, segundo esses documentos dos EUA.

Algumas destas obras não foram concluídas e o governo venezuelano anunciou uma nova injeção de recursos e um plano para reativar os trabalhos com mão de obra local.

Acompanhe tudo sobre:VenezuelaNovonor (ex-Odebrecht)

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