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Itaú perde 1º lugar em receitas de bancos de investimento

A onda de contratações do Bank of America na América Latina está dando resultado, e o banco desbancou uma potência regional: o Itaú BBA

Bank of America: é a primeira vez na história que o Bank of America, que tem sede em Charlotte, Carolina do Norte, ocupa o topo do ranking (Getty Images)
DR

Da Redação

Publicado em 26 de janeiro de 2016 às 20h07.

A onda de contratações do Bank of America na América Latina está dando resultado.

Após somar 300 pessoas à sua equipe na região nos últimos dois anos, tirando inclusive um dos principais assessores de fusões do Credit Suisse, o Bank of America desbancou uma potência regional, o Banco Itaú BBA , e ficou em primeiro lugar no ranking de receitas com comissões de banco de investimento no ano passado, segundo dados da empresa de pesquisa Dealogic.

É a primeira vez na história que o Bank of America, que tem sede em Charlotte, Carolina do Norte, ocupa o topo do ranking. O resultado surge em um momento de redução da demanda por serviços de banco de investimento juntamente com a queda dos preços das commodities e com a recessão no Brasil.

A economia da região teve uma contração estimada de 0,9 por cento e as comissões de banco de investimento de todo o setor tiveram um declínio de 42 por cento no Brasil, para US$ 436 milhões, nível mais baixo em uma década, segundo a Dealogic. As comissões na América Latina caíram 40 por cento, para US$ 1,08 bilhão.

O Bank of America enxergou a crise como um momento para investir, contratando 150 funcionários para a região em 2014 e mais 150 em 2015 para ampliar a equipe total para cerca de 1.000 pessoas, segundo o banco.

Um dos contratados foi Marcus Silberman, ex-co-chefe do grupo de fusões e aquisições de mercados emergentes do Credit Suisse, que foi para o Bank of America como co-chefe de fusões e aquisições para a América Latina em setembro de 2014. Martin Sanchez, que ingressou em 2005 na empresa, ajuda a conduzir a divisão com Silberman.

A equipe de Sanchez e Silberman assessorou a brasileira Hypermarcas na venda de sua divisão de cuidados pessoais e beleza para a Coty, de Nova York, por US$ 1 bilhão. Anunciada em 2 de novembro, a transação foi uma das maiores do banco na região no ano passado, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Busca por talentos

“Temos investido de forma estável em pessoal porque o setor de banco de investimento depende, em grande parte, do talento”, disse Alexandre Bettamio, presidente da empresa para a América Latina, em entrevista por telefone, de Nova York. “Como resultado, temos melhorado gradualmente todas as nossas áreas de negócios”.

O Bank of America, que ficou em quarto lugar em 2014, coletou cerca de 8 por cento da receita total com comissões de todo o setor no ano passado. Foi o suficiente para tomar o lugar do Itaú BBA, que estava no topo em 2014 e ficou em quarto no ano passado.

O Itaú, que tem sede em São Paulo, tem focado no México e em outros mercados fora do Brasil em um momento de contração de seu mercado doméstico.

“O México ganhou participação de mercado no total de receita para a América Latina e nosso negócio lá está apenas começando”, disse Roderick Greenlees, chefe da divisão de banco de investimento do Itaú BBA, o braço de banco corporativo e de investimento do maior banco da América Latina em valor de mercado, em entrevista, em São Paulo.

As receitas com comissões de banco de investimento no México caíram 25 por cento no ano passado, para US$ 376 milhões, as piores desde 2011. A participação do país na receita total da América Latina cresceu de 28 por cento em 2014 para 35 por cento no ano passado.

Contratações no México

Em março, o Itaú contratou Enrique Camacho, do JPMorgan, para liderar sua corretora no México. O banco planeja ampliar sua equipe no país.

“Vamos contratar no México e já estamos transferindo algumas pessoas do Brasil para lá”, disse Christian Egan, sub- chefe de banco de investimento e corporativo do Itaú.

A receita de todo o setor com a coordenação de oferta de ações caiu 58 por cento no ano passado na América Latina, para US$ 146 milhões, enquanto as comissões com assessoria a fusões totalizou US$ 377 milhões, uma queda de 32 por cento, segundo a Dealogic. A coordenação de emissão de dívidas teve um declínio de 46 por cento, para US$ 337 milhões.

“Tínhamos um negócio de mercados de capitais de dívida muito forte e investimos muito pesadamente em fusões e aquisições na América Latina ao longo dos últimos cinco anos”, disse Mark Rosen, chefe de banco de investimento do Bank of America para a América Latina, em entrevista por telefone, de Nova York. “Como houve muito pouca atividade no ano passado no mercado de ações, esse negócio realmente não fez a diferença para ninguém”.

Previsão do BTG

O Grupo BTG Pactual, que ficou em primeiro lugar em receita de assessoria de M&A do ano passado na América Latina, está prevendo um ano forte para esse negócio este ano.

"O crédito está restrito, o mercado de dívida internacional está fechado para muitos países, como o Brasil, e os custos de financiamento aumentaram nos mercados locais", disse Guilherme Paes, diretor de banco de investimento no BTG, o primeiro em receitas no Brasil no ano passado, segundo a Dealogic.

"Então, o caminho para as empresas se financiarem é através da venda de ativos", disse Paes. "M&A impulsionado por estratégias de redução de custos também vai aumentar, com empresas estrangeiras e fundos de private equity se aproveitando de moedas latino-americanas mais fracas."

Retrocesso estrangeiro

O Bank of America também está se beneficiando já que alguns de seus concorrentes internacionais reduziram negócios na região. Em agosto, o HSBC vendeu sua unidade brasileira não rentável para o Bradesco. Dois meses depois, o Deutsche Bank disse que estava fechando escritórios na Argentina, México, Chile, Peru e Uruguai e movendo o trading do Brasil para outros países. O Barclays também está encolhendo suas operações no Brasil.

O BTG está reduzindo sua carteira total de crédito e vendendo ativos como uma forma de fortalecer o caixa após a prisão em novembro do então presidente André Esteves em conexão com um escândalo de corrupção. Esteves, que foi transferido da prisão para prisão domiciliar no mês passado, negou qualquer irregularidade através de seus advogados. O BTG disse que não é parte da investigação.

A estratégia do Bank of America de contratar durante a crise posiciona a empresa para se beneficiar quando o negócio se recuperar. A queda em comissões totais provavelmente acabou, e a receita de banco de investimento em 2016 provavelmente permanecerá estável, disse Rosen.

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A onda de contratações do Bank of America na América Latina está dando resultado.

Após somar 300 pessoas à sua equipe na região nos últimos dois anos, tirando inclusive um dos principais assessores de fusões do Credit Suisse, o Bank of America desbancou uma potência regional, o Banco Itaú BBA , e ficou em primeiro lugar no ranking de receitas com comissões de banco de investimento no ano passado, segundo dados da empresa de pesquisa Dealogic.

É a primeira vez na história que o Bank of America, que tem sede em Charlotte, Carolina do Norte, ocupa o topo do ranking. O resultado surge em um momento de redução da demanda por serviços de banco de investimento juntamente com a queda dos preços das commodities e com a recessão no Brasil.

A economia da região teve uma contração estimada de 0,9 por cento e as comissões de banco de investimento de todo o setor tiveram um declínio de 42 por cento no Brasil, para US$ 436 milhões, nível mais baixo em uma década, segundo a Dealogic. As comissões na América Latina caíram 40 por cento, para US$ 1,08 bilhão.

O Bank of America enxergou a crise como um momento para investir, contratando 150 funcionários para a região em 2014 e mais 150 em 2015 para ampliar a equipe total para cerca de 1.000 pessoas, segundo o banco.

Um dos contratados foi Marcus Silberman, ex-co-chefe do grupo de fusões e aquisições de mercados emergentes do Credit Suisse, que foi para o Bank of America como co-chefe de fusões e aquisições para a América Latina em setembro de 2014. Martin Sanchez, que ingressou em 2005 na empresa, ajuda a conduzir a divisão com Silberman.

A equipe de Sanchez e Silberman assessorou a brasileira Hypermarcas na venda de sua divisão de cuidados pessoais e beleza para a Coty, de Nova York, por US$ 1 bilhão. Anunciada em 2 de novembro, a transação foi uma das maiores do banco na região no ano passado, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Busca por talentos

“Temos investido de forma estável em pessoal porque o setor de banco de investimento depende, em grande parte, do talento”, disse Alexandre Bettamio, presidente da empresa para a América Latina, em entrevista por telefone, de Nova York. “Como resultado, temos melhorado gradualmente todas as nossas áreas de negócios”.

O Bank of America, que ficou em quarto lugar em 2014, coletou cerca de 8 por cento da receita total com comissões de todo o setor no ano passado. Foi o suficiente para tomar o lugar do Itaú BBA, que estava no topo em 2014 e ficou em quarto no ano passado.

O Itaú, que tem sede em São Paulo, tem focado no México e em outros mercados fora do Brasil em um momento de contração de seu mercado doméstico.

“O México ganhou participação de mercado no total de receita para a América Latina e nosso negócio lá está apenas começando”, disse Roderick Greenlees, chefe da divisão de banco de investimento do Itaú BBA, o braço de banco corporativo e de investimento do maior banco da América Latina em valor de mercado, em entrevista, em São Paulo.

As receitas com comissões de banco de investimento no México caíram 25 por cento no ano passado, para US$ 376 milhões, as piores desde 2011. A participação do país na receita total da América Latina cresceu de 28 por cento em 2014 para 35 por cento no ano passado.

Contratações no México

Em março, o Itaú contratou Enrique Camacho, do JPMorgan, para liderar sua corretora no México. O banco planeja ampliar sua equipe no país.

“Vamos contratar no México e já estamos transferindo algumas pessoas do Brasil para lá”, disse Christian Egan, sub- chefe de banco de investimento e corporativo do Itaú.

A receita de todo o setor com a coordenação de oferta de ações caiu 58 por cento no ano passado na América Latina, para US$ 146 milhões, enquanto as comissões com assessoria a fusões totalizou US$ 377 milhões, uma queda de 32 por cento, segundo a Dealogic. A coordenação de emissão de dívidas teve um declínio de 46 por cento, para US$ 337 milhões.

“Tínhamos um negócio de mercados de capitais de dívida muito forte e investimos muito pesadamente em fusões e aquisições na América Latina ao longo dos últimos cinco anos”, disse Mark Rosen, chefe de banco de investimento do Bank of America para a América Latina, em entrevista por telefone, de Nova York. “Como houve muito pouca atividade no ano passado no mercado de ações, esse negócio realmente não fez a diferença para ninguém”.

Previsão do BTG

O Grupo BTG Pactual, que ficou em primeiro lugar em receita de assessoria de M&A do ano passado na América Latina, está prevendo um ano forte para esse negócio este ano.

"O crédito está restrito, o mercado de dívida internacional está fechado para muitos países, como o Brasil, e os custos de financiamento aumentaram nos mercados locais", disse Guilherme Paes, diretor de banco de investimento no BTG, o primeiro em receitas no Brasil no ano passado, segundo a Dealogic.

"Então, o caminho para as empresas se financiarem é através da venda de ativos", disse Paes. "M&A impulsionado por estratégias de redução de custos também vai aumentar, com empresas estrangeiras e fundos de private equity se aproveitando de moedas latino-americanas mais fracas."

Retrocesso estrangeiro

O Bank of America também está se beneficiando já que alguns de seus concorrentes internacionais reduziram negócios na região. Em agosto, o HSBC vendeu sua unidade brasileira não rentável para o Bradesco. Dois meses depois, o Deutsche Bank disse que estava fechando escritórios na Argentina, México, Chile, Peru e Uruguai e movendo o trading do Brasil para outros países. O Barclays também está encolhendo suas operações no Brasil.

O BTG está reduzindo sua carteira total de crédito e vendendo ativos como uma forma de fortalecer o caixa após a prisão em novembro do então presidente André Esteves em conexão com um escândalo de corrupção. Esteves, que foi transferido da prisão para prisão domiciliar no mês passado, negou qualquer irregularidade através de seus advogados. O BTG disse que não é parte da investigação.

A estratégia do Bank of America de contratar durante a crise posiciona a empresa para se beneficiar quando o negócio se recuperar. A queda em comissões totais provavelmente acabou, e a receita de banco de investimento em 2016 provavelmente permanecerá estável, disse Rosen.

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