Redação Exame
Publicado em 18 de fevereiro de 2026 às 14h09.
Última atualização em 18 de fevereiro de 2026 às 14h12.
A Novig levantou US$ 75 milhões em uma rodada Série B liderada pela Pantera Capital e alcançou avaliação de US$ 500 milhões, entrando de vez na disputa com plataformas como Kalshi e Polymarket em um mercado que vem se consolidando na interseção entre apostas esportivas e contratos financeiros.
A movimentação ocorre em um momento de transformação regulatória e expansão acelerada do setor nos Estados Unidos. As informações foram retiradas de Fortune.
O novo aporte posiciona a Novig em um cenário que deixou de ser restrito para se tornar parte relevante da economia americana.
A decisão da Suprema Corte em 2018 abriu caminho para que estados legalizassem apostas em ligas como futebol americano, basquete e beisebol. Em 2024, uma vitória judicial no caso Kalshi ampliou os tipos de contratos que mercados de previsão poderiam oferecer, permitindo atuação mais intensa em esportes e eleições.
Hoje, a maior parte do volume da Kalshi vem de contratos esportivos, mesmo diante de tentativas de governos estaduais de limitar ou encerrar mercados de palpites esportivos. É nesse ambiente de expansão e disputa regulatória que a Novig busca ganhar escala.
Para executivos de finanças corporativas, o movimento sinaliza um ponto central. A consolidação de mercados híbridos, que combinam lógica de trading com experiência de entretenimento, exige estrutura de capital robusta, governança regulatória e clareza estratégica na alocação de recursos.
Fundada por Jacob Fortinsky em 2021, durante seu último ano em Harvard, a Novig ingressou na Y Combinator no ano seguinte. O ambiente regulatório era incerto. A Polymarket chegou a ser banida dos Estados Unidos em 2022 por oferecer apostas sem licença.
A Novig inicialmente se registrou como operadora regulamentada no Colorado e depois migrou para um modelo de sorteios. Nenhuma das alternativas permitiu operação nacional plena.
Agora, a empresa solicita autorização para operar sob a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities, a CFTC, processo que Fortinsky espera concluir em seis meses.
O argumento central da companhia está na estrutura financeira do produto. A Novig opera no modelo peer to peer, em que usuários negociam entre si e não contra a casa.
A plataforma não cobra comissão do investidor de varejo e obtém receita por meio de taxas cobradas de participantes institucionais. O próprio nome da empresa faz referência ao termo vig, tradicionalmente associado à margem das casas de apostas.
Segundo Fortinsky, cerca de 20 por cento dos apostadores da Novig tendem a ser lucrativos, índice que ele afirma ser superior ao de outras plataformas. Ainda que o dado revele a dificuldade estrutural do setor, ele também aponta para um redesenho da lógica de captura de valor.
Para áreas de finanças corporativas, o ponto relevante está na engenharia econômica do modelo. A definição de quem paga a conta, como a margem é distribuída e onde está o risco determina a sustentabilidade da operação e o apetite de investidores institucionais.
Fortinsky sustenta que a Novig foi construída com foco em esportes, diferentemente de concorrentes que começaram enfatizando contratos ligados a criptoativos ou eventos geopolíticos. Ele afirma que o fã médio de esportes tende a utilizar um aplicativo cuja marca e produto estejam alinhados ao universo esportivo.
Ao mesmo tempo, reconhece que há frustração de usuários com um mercado dominado por grandes operadores que buscam maximizar receitas. Ao propor uma estrutura sem comissão para o varejo, a Novig tenta se diferenciar pela narrativa de alinhamento com o usuário.
Para lideranças financeiras, o caso ilustra como posicionamento de marca e estrutura de receitas caminham juntos. O desenho do produto influencia custo de aquisição, retenção, margem e, por consequência, múltiplos de mercado.
Não é raro ouvir histórias de empresas que faliram por erros de gestão financeira. Das pequenas startups até as grandes corporações, o desafio é parecido: manter o controle financeiro e tomar decisões estratégicas. E essa não é uma responsabilidade apenas da alta liderança. Independente do cargo, saber como equilibrar receitas, despesas e investimentos é essencial.
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