Daniel Sant'anna, fundador da Peggô Market: meta para 2026 envolve faturamento de R$ 80 milhões
Freelancer
Publicado em 4 de dezembro de 2025 às 16h08.
Conveniência, segurança e praticidade. Hoje, minimercados não param de aparecer em condomínios e prédios comerciais pelo Brasil.
Uma delas é a Peggô Market, rede de minimercados autônomos criada em 2021 por Daniel Sant’anna e Luciane Fassarella.
Em apenas quatro anos, a empresa já soma 350 unidades franqueadas em 17 estados e um faturamento de R$ 14 milhões. Até o fim de 2025, a meta é atingir 500 lojas e R$ 26 milhões em faturamento.
O crescimento acelerado se apoia em um modelo pouco convencional no franchising: com um investimento único de 40 mil reais, o franqueado pode abrir quantas unidades quiser, sem taxas adicionais.
“Entendemos que escalar só seria possível se o modelo fosse justo para quem está na ponta. Hoje, a média é de 2,5 unidades por franqueado”, diz Sant’anna.
Com passagens por 11 negócios — oito deles fracassados — Daniel Sant’anna viu na Peggô a chance de transformar a experiência acumulada em um modelo replicável.
“Fracassar tantas vezes me ensinou mais do que qualquer curso poderia ensinar. Cada erro virou aprendizado e me preparou para fazer a Peggô dar certo”, afirma.
A primeira experiência de Daniel com vendas veio cedo, aos 14 anos, ao liderar uma equipe de promotores de eventos. Aos 17, fundou a primeira empresa de móveis planejados, que operou por duas décadas. Em paralelo, criou empresas de moda, publicidade, estacionamentos e imóveis, mas viu boa parte delas afundarem por falta de gestão e conhecimento financeiro.
O divisor de águas veio em 2020, ao descobrir o conceito da Amazon Go, sistema de lojas físicas automatizadas nos Estados Unidos que elimina o caixa convencional com a tecnologia Just Walk Out (“pegue e vá”, em tradução livre).
Falsa automação: Amazon contratou indianos para conferir compras em lojas de conveniência sem caixas
O alto custo para importar a solução para o Brasil, estimado em US$ 1 milhão, levou Daniel a adaptar o modelo. “Percebi que poderia trazer o mesmo nível de tecnologia e conveniência, mas de forma mais acessível, adaptando para o público brasileiro”, explica.
No ano seguinte, inaugurou a primeira loja da Peggô Market em um condomínio no Recreio dos Bandeirantes, no Rio.
O resultado foi rápido: em três meses, a rede já tinha oito unidades e R$ 500 mil em faturamento. Em janeiro de 2022, a marca começou a operar no modelo de franquias. Hoje, além de condomínios, a Peggô também mira empresas e lojas de rua.
“Quando decidi franquear, vendi minha parte na agência de publicidade que eu era sócio há dez anos e foquei 100% no projeto. A gente aprendeu com os erros das franquias mal geridas que eu já fui franqueado e montamos um modelo em que o franqueado é protagonista”, afirma Sant’anna.
O desafio inicial foi duplo: convencer os condomínios da viabilidade do negócio e educar o consumidor sobre o modelo sem atendentes.
“No começo, brincávamos que a operação era mais de educação do que varejo. Precisávamos ensinar as pessoas a confiar no sistema de autoatendimento”, diz o fundador.
Entretanto, com o tempo, Sant’anna percebeu uma mudança no comportamento do consumidor. O que antes era procurado apenas para compras emergenciais, hoje tornou-se hábito.
“Atualmente, mais da metade das nossas lojas têm consumo recorrente. Ou seja, o cliente faz até compras do mês nas nossas lojas. Isso muda tudo, porque começamos a disputar com supermercados tradicionais”, afirma.
Em algumas unidades, a Peggô já opera com mais de 3 mil SKUs, ou seja, 3 mil produtos diferentes no estoque — um salto imenso em relação às primeiras lojas, que contavam com 120.
Para 2026, a expectativa da rede é ainda mais ambiciosa: atingir entre mil e 1.400 unidades no país e um faturamento de R$ 80 milhões.
Além da base no Rio de Janeiro, que já tem 50 colaboradores, a empresa se prepara para abrir uma nova estrutura em São Paulo, lugar que concentra boa parte dos novos franqueados.
Sant’anna, que é pai de duas meninas, afirma que a motivação para persistir nos negócios veio da família. “Em 2012, sofri um acidente grave. Quase morri. A minha filha, que tinha um ano, foi o que me deu força para continuar. Hoje, tudo o que eu faço é por elas”, conta ele.
Assista ao mais recente episódio do Choque de Gestão, reality show de empreendedorismo da EXAME