Negócios

Ele começou com uma gráfica comprada pelo avô. Hoje, fatura R$ 117 milhões com um ERP para impressão

Marcus Hadade é fundador do Grupo Arizona, dono de tecnologia anti-'refação' de processos para impressão de documentos ou peças publicitárias

Marcus Hadade, do Grupo Arizona: em duas décadas, modelo de negócio mudou radicalmente para as receitas seguirem em expansão (Divulgação/Divulgação)

Marcus Hadade, do Grupo Arizona: em duas décadas, modelo de negócio mudou radicalmente para as receitas seguirem em expansão (Divulgação/Divulgação)

LB

Leo Branco

Publicado em 24 de dezembro de 2022 às 06h12.

Última atualização em 24 de dezembro de 2022 às 17h30.

A história do paulistano Marcus Hadade pode servir de inspiração para muitos empreendedores à frente de negócios ultrapassados por novas tecnologias — e precisando de novas ideias para seguir em expansão.

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O que faz o Grupo Arizona

Hadade é CEO do Grupo Arizona, uma empresa de tecnologia multimídias — de impressão de materiais a finalização de imagens para filmes, propagandas, séries de televisão, entre outros.

O carro-chefe do Grupo Arizona é um software responsável por ajustar documentos digitais em vários formatos distintos (PDF, por exemplo) ao protocolo utilizado pelas gráficas para a impressão dos materiais.

Na lista de clientes estão nomes conhecidos de boa parte dos brasileiros como:

  • a operadora de telefonia Vivo
  • a gigante de cosméticos Natura
  • o banco Sicredi
  • a rede de supermercados Dia

Em 2022, a empresa faturou 100 milhões de reais. A projeção para 2023 é de uma alta de 23% nas receitas. "Nunca estivemos tão otimistas com o futuro", diz Hadade.

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Como surgiu o negócio

Por trás do bom momento está uma mudança radical no modelo de negócio do Grupo Arizona.

A empresa foi aberta em 1998 por Marcus e o irmão Alexandre como uma gráfica convencional.

A motivação do negócio foi ajudar o avô de ambos, Abdo, então um empreendedor bem-sucedido na revenda de eletroeletrônicos.

Na ocasião, Abdo havia comprado duas máquinas gráficas usadas.

A ideia era imprimir carnês dos consórcios oferecidos aos clientes do negócio de eletroeletrônicos.

O início foi bem modesto. "Quando começou, a gráfica era bem rudimentar", diz Marcus.

"Não raro a gente mandava imprimir documentos em outras gráficas e só fazia o acabamento."

Os dois tomaram gosto com a operação ao longo dos anos seguintes.

A razão principal foi a popularização da impressão a cores na virada dos anos 2000, uma guinada tecnológica responsável por reduzir bastante o custo das empresas interessadas em montar catálogos, livros e outros documentos coloridos.

Por que foi preciso mudar tudo

A popularização da tecnologia de impressão a cores beneficiou a Arizona — a empresa investiu à beça na aquisição de novas máquinas rotativas para ser uma das pioneiras no serviço no Brasil.

Ao mesmo tempo, concorrentes da Arizona também investiram na tecnologia e, com o passar de alguns anos, a vantagem competitiva dos irmãos Hadade ficou para trás.

Em 2004, os irmãos buscavam uma nova forma de ganhar dinheiro sem depender exclusivamente da impressão de documentos em si.

"Além disso, queríamos algum negócio escalável, sem a necessidade de aquisição de tantos ativos, como máquinas de impressão, para crescer", diz Marcus.

Nessa época, Alexandre viajou para a Alemanha e para os Estados Unidos para estudar inovações na indústria gráfica.

Uma das maiores dores relatadas por donos de empresas gráficas, fornecedores de tecnologias nesse setor e, sobretudo, por clientes, eram os erros de impressão.

Em boa medida, os erros eram causados pela combinação de:

  • uma infinidade de novas tecnologias para impressão
  • a convivência de dois padrões de impressão a cores (CMYK, para documentos físicos e RGB, para televisão e arquivos digitais)
  • a chegada de uma nova geração de profissionais gráficos, em agências de publicidade e propaganda ou mesmo dentro das empresas que contratam esses serviços, ainda sem traquejo para lidar com tanta inovação

"Faltava um software intuitivo e capaz de ajudar esses profissionais a terminar o processo de fechamento de um arquivo sem tanto risco de dar problema", diz Marcus.

De onde vêm as receitas do Grupo Arizona

Foi o estopim para a criação do Visto, um software de gestão de processos de uma agência de marketing e propaganda.

Por ali, é possível acompanhar todas as etapas da edição de um documento até a destinação dele — seja uma gráfica ou uma ilha de edição de vídeos.

"É uma espécie de ERP da impressão, capaz de integrar todas as áreas de uma empresa de marketing", diz.

"A tecnologia diminui a 'refação' de peças em até 30% e permitir a rastreabilidade de todo o processo."

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O sofware foi adotado inicialmente dentro da Arizona, para melhorar o processo de fechamento dos documentos dos clientes da gráfica.

Com o tempo, os próprios clientes começaram a pedir para utilizarem o software nos computadores deles.

Ou, então, para repassar a tecnologia em projetos gráficos feitos com concorrentes da Arizona.

"Assim, a Visto tornou-se uma spin-off da Arizona", diz Marcus.

Qual é o futuro da empresa

Hoje em dia, boa parte das embalagens de cosméticos da Natura ou das cervejas produzidas pela Heineken passaram pelo software da Arizona antes de serem impressos.

Com o Visto aprovado por clientes, os irmãos Hadade venderam as máquinas de impressão em 2009.

De lá para cá, boa parte das receitas vêm do software, monetizado a partir de assinaturas por usuário ativo da ferramenta, e de projetos de consultoria pontuais a alguns clientes.

O Grupo Arizona hoje entrega por mês:

  • mais de 9.000 arquivos para canais digitais e mídia impressa
  • além de 1.500 filmes para televisão, mídias sociais e outras plataformas

"Nossa estratégia é ampliar o ritmo de crescimento por meio de inovações no modelo de produção e performance operacional que garantam a escala nas entregas", diz Marcus.

"Temos atendido nos últimos tempos, de forma recorrente, mais de 150 anunciantes e agências que utilizam nossos serviços e soluções, como a plataforma de gestão de produção própria."

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