Negócios

De Goiás, Aliare cresce no agro e mira R$ 230 milhões em 2026

Holding de tecnologia rural quer dominar até 5 setores do agro com software, crédito, logística e dados. Empresa já soma 70 mil usuários na América do Sul

Carlos Barbosa, da Aliare: “O produtor rural já tem tecnologia de ponta na lavoura, com tratores autônomos e sementes inteligentes. Mas ainda falta tecnologia de gestão" (Divulgação/Divulgação)

Carlos Barbosa, da Aliare: “O produtor rural já tem tecnologia de ponta na lavoura, com tratores autônomos e sementes inteligentes. Mas ainda falta tecnologia de gestão" (Divulgação/Divulgação)

Leo Branco
Leo Branco

Editor de Negócios e Carreira

Publicado em 9 de dezembro de 2025 às 14h41.

Última atualização em 9 de dezembro de 2025 às 16h24.

Tudo sobreAgronegócio
Saiba mais

A Aliare, holding goiana de soluções em tecnologia para o agronegócio, tem planos ambiciosos para os próximos anos.

A empresa projeta encerrar 2026 com R$ 230 milhões em faturamento e pretende ampliar sua presença nacional por meio de novas aquisições e da abertura de unidades regionais.

O objetivo, segundo a própria companhia, é se consolidar como a “big tech do agro” até 2030.

Criada em 2021, a Aliare já reúne uma série de negócios voltados à gestão e à digitalização do campo, como:

  • Siagri
  • Datacoper
  • Implanta
  • MyFarm
  • AgriQ
  • Assinei
  • Solution Sistemas
  • Plantar Educação
  • Wemov
  • Hendow

Juntas, as empresas atendem cerca de 5.000 clientes no Brasil e na América do Sul, com cerca de 70.000 usuários ativos.

O crescimento da companhia vem sendo sustentado por uma combinação de expansão orgânica e aquisições estratégicas.

A mais recente foi a compra da Agrometrika, empresa de Vinhedo, no interior paulista, especializada em análise de risco e crédito rural.

Com mais de R$ 110 bilhões em crédito aprovado via plataforma, a Agrometrika adiciona uma camada financeira importante ao portfólio do grupo. Foi a terceira aquisição desde a fundação.

A estratégia de crescimento inclui também a abertura de novas unidades. A mais recente foi inaugurada em Santo Ângelo, no noroeste do Rio Grande do Sul, e já conta com 140 funcionários.

A operação atua com atendimento local a clientes do setor de máquinas agrícolas, insumos, cooperativas e agroindústrias, além de funcionar como um centro de capacitação e desenvolvimento de soluções.

De contador a empreendedor

A Aliare nasceu da visão de Carlos Barbosa, contador de formação, que começou a carreira em uma revenda de insumos agrícolas em Rio Verde, no interior de Goiás.

Ainda nos anos 1990, ele percebeu que os sistemas genéricos de gestão disponíveis no mercado não atendiam às necessidades específicas do setor rural — como o controle de operações em dólar, a gestão de crédito baseado na safra e as exigências de regularização de produtos perigosos.

“Naquela época, os softwares eram pensados para o varejo urbano. A lógica do campo era outra. Havia um problema ali que ninguém queria resolver”, diz Barbosa.

Em 1998, ele convenceu os donos da revenda onde trabalhava a investirem na criação de um software próprio. A empresa nasceu em meio a conflitos e dificuldades.

“No começo, tínhamos apenas 12 clientes e muitos problemas financeiros. A virada aconteceu quando trouxemos um novo sócio e passei a me dedicar 100% ao negócio”, lembra o fundador.

O novo parceiro foi Almir Zanelatto, que comprou a participação da revenda e trouxe autonomia para o negócio.

Nos anos seguintes, a empresa conquistou espaço entre distribuidores de insumos, alcançando a liderança no segmento por volta de 2007.

Em 2011, começou a atender fazendas de médio e grande porte, com a aquisição de empresas já especializadas nesse público.

Em 2015, uma crise de insatisfação com o produto e distanciamento do cliente levou a empresa a rever processos e a criar áreas de atendimento, treinamento e inovação.

Consolidação e aquisições

A criação da Aliare em 2021 marcou o início de uma nova fase, com foco em consolidação do mercado.

A holding surgiu da fusão entre a Siagri (fundada por Barbosa) e a Datacoper, com sede no Paraná, especializada em CRM e cooperativas.

A operação contou com o investimento de um fundo do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME), que passou a apoiar a estratégia de crescimento da companhia, mas sem contato direto com a gestão.

Com isso, a Aliare passou a comprar empresas complementares em segmentos como crédito rural, logística e gestão de concessionárias.

Uma das aquisições foi a Solution, líder em ERP para concessionárias agrícolas, que dobrou de tamanho desde que foi integrada ao grupo.

Segundo Barbosa, a estratégia de fusões e aquisições da Aliare busca preservar a cultura das empresas adquiridas.

“Muitos fundadores veem suas empresas como filhas. O que eles querem é que o negócio continue crescendo depois da venda. Nossa proposta é respeitar esse legado”, diz.

Modelo integrado

Hoje, a Aliare oferece uma plataforma de soluções voltadas à gestão de diferentes elos da cadeia do agro.

Entre os produtos está o MyFarm, voltado a pequenos e médios produtores, que permite controlar custos, planejar safras, emitir notas e acompanhar a operação da fazenda pelo celular, mesmo sem internet.

A empresa também desenvolve softwares especializados em logística, CRM, educação corporativa, assinatura digital e emissão de receituário agronômico.

O foco é oferecer uma plataforma unificada que reduza a fragmentação de sistemas no setor.

“O produtor rural já tem tecnologia de ponta na lavoura, com tratores autônomos e sementes inteligentes. Mas ainda falta tecnologia de gestão. É esse o espaço que queremos ocupar”, afirma o CEO.

A meta da Aliare é estar presente como empresa líder em quatro ou cinco grandes segmentos do agronegócio até o fim da década.

Para isso, deve continuar ampliando seu portfólio com novas aquisições e avançando em outros países da América do Sul, além de expandir presença na Europa e na Ásia.

Acompanhe tudo sobre:AgronegócioGoiás

Mais de Negócios

Elas estão deixando o setor de e-Sports mais feminino (e mineiro)

O energético criado em SC que desafia gigantes e produz 205 milhões de litros por ano

A marca de salgadinhos que desafia gigantes e fatura R$ 130 milhões

Fábrica de barcos de SC fatura R$ 220 milhões e quer vender 'igual carro'