Adriana Lotaif transformou a pipoca de um snack comum em um item premium (Divulgação)
Redator
Publicado em 11 de março de 2026 às 11h02.
Última atualização em 11 de março de 2026 às 12h15.
O Brasil é o segundo maior consumidor de pipoca do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Durante décadas, porém, quase toda essa demanda foi atendida por dois formatos: o milho para preparo em casa e a pipoca de micro-ondas.
A ideia de vender pipoca pronta para consumo nas prateleiras de supermercado praticamente não existia no país. Foi nesse espaço que nasceu a Pipó.
Criada em 2013 pela empreendedora Adriana Lotaif, a empresa partiu da proposta de transformar um produto popular em um item premium. Em vez de competir com as pipocas baratas vendidas em saquinhos ou nas ruas, a marca apostou em sabores elaborados, ingredientes de qualidade e embalagens sofisticadas.
A estratégia funcionou. Hoje a Pipó está presente em redes de supermercados em todo o país, opera uma fábrica em Cotia, na Grande São Paulo, com 650 metros quadrados e emprega cerca de 40 pessoas. No último ano, a empresa registrou crescimento de aproximadamente 40% no faturamento, acompanhando a expansão da categoria no Brasil.
O lançamento da marca trouxe um desafio inesperado: o varejo não sabia onde posicionar o produto. “Quando comecei a pesquisar o mercado, percebi que o Brasil consumia muita pipoca, mas não havia pipoca pronta para consumo nas gôndolas”, conta Adriana. “Era uma categoria que simplesmente não existia.”
Segundo a fundadora, compradores de supermercados perguntavam se a pipoca deveria ficar perto do milho ou da pipoca de micro-ondas. A proposta da empresa era diferente. “Eu dizia que não era para colocar perto do milho. Era um produto para ficar próximo de chocolates ou importados, porque a proposta era transformar a pipoca em algo especial, que poderia até ser um presente.”
A primeira linha da Pipó chegou ao mercado em latas coloridas, pensadas tanto para consumo quanto para presente. A pipoca já vinha pronta e com sabores pouco comuns no Brasil, como pipoca trufada, curry com mostarda e caramelo com coco e noz-pecã. A estratégia ajudou a abrir espaço para uma nova categoria no varejo. Com o tempo, outras marcas passaram a disputar o mesmo mercado.
“Concorrência é um sinal de que o mercado faz sentido. Significa que existe demanda.”
Nos primeiros anos, a distribuição da Pipó estava concentrada em empórios e pontos de venda especializados. Para crescer no varejo, a empresa precisou ajustar o modelo. A solução foi lançar uma nova embalagem em formato de sachê. O produto manteve o posicionamento premium, mas com preço mais acessível que as latas.
A mudança abriu portas para redes maiores de supermercados e ampliou significativamente a presença da marca. Hoje a Pipó mantém um portfólio com 17 sabores e está presente em diferentes redes varejistas em todo o país, como GPA e Carrefour, por exemplo.
Adriana Lotaif, fundadora da Pipó, tem como sócia Fabiana Caporal, uma executiva com 15 anos de experiência na área de Desenvolvimento de Novos Negócios (Divulgação)
Outro elemento importante da estratégia da empresa foram as colaborações com outras marcas. A primeira parceria surgiu em 2015 com a paçoca Amor. Desde então vieram projetos com marcas como Ovomaltine, Manteiga Aviação, Nestlé, Fini e Netflix.
“Quando duas marcas se juntam, cada uma empresta um pouco da sua força para a outra”, diz.
Mais recentemente, a Pipó lançou uma linha em parceria com a Turma da Mônica, a primeira vez que personagens aparecem nas embalagens da marca. Serão dois sabores: um de cebola e salsa, em homenagem ao Cebolinha, e outro de maçã do amor, para homenagear a Mônica. Ambas já foram lançadas e em breve chegarão a todos os pontos de venda.
Pipó e Turma da Mônica: a parceria que levou a pipoca gourmet para o universo infantil (Divulgação)
A Pipó agora tenta ampliar o alcance da marca. A nova assinatura da empresa, “do milho ao pop”, reflete a intenção de desenvolver produtos derivados do mesmo ingrediente. “Queremos expandir a marca para além da pipoca.”
Quase 15 anos depois da ideia inicial, o produto que era visto apenas como um snack informal se transformou em uma categoria em crescimento no varejo brasileiro.