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Com R$ 225 milhões no caixa, Medsystems, de produtos dermatológicos, prepara caminho para o IPO

A Medsystems cresce a uma taxa de 62% desde 2018. Em 2022, a empresa fechou com faturamento de R$ 520 milhões

Denis Regis, da Medsystems: nós estamos atuando em projetos de crescimento inorgânico, o que inclui ter uma fábrica para a produção de devices (MedSystems/Divulgação)

Denis Regis, da Medsystems: nós estamos atuando em projetos de crescimento inorgânico, o que inclui ter uma fábrica para a produção de devices (MedSystems/Divulgação)

Marcos Bonfim
Marcos Bonfim

Repórter de Negócios

Publicado em 13 de julho de 2023 às 11h22.

Última atualização em 13 de julho de 2023 às 15h50.

A Medsystems vive um novo momento desde 2018. No mercado desde 2002, a empresa atua na comercialização de produtos com alta tecnologia agregada para a realização de procedimentos dermatológicos, com preços entre R$ 200 mil e R$ 1,3 milhão.

Como modelo de negócios, a companhia roda o mundo atrás das principais tecnologias para tratamentos dermatológicos e estéticos, como procedimentos de rejuvenescimento, remoção de manchas e tatuagem e queima de gordura. Entre as principais ofertas, estão itens de 20 marcas com soluções a laser, ultrassom micro e macro focado e radiofrequência, oriundos de fornecedores em Israel, Alemanha, Itália e Coreia do Sul.

Nos últimos cinco anos, a empresa cresceu a uma taxa anual de 62%. Em 2022, fechou com faturamento de R$ 520 milhões, número previsto para avançar para R$ 700 milhões neste ano. A expansão levou ao surgimento da JL Health, holding da qual a Medsystems representa 90% do faturamento.

O novo ecossistema, criado nos primeiros dias no ano passado, inclui outros negócios, de um banco digital a empresas que vendem produtos relacionados ao universo de bem-estar e ainda produtos oftalmológicos. O objetivo é ter uma oferta no modelo one-stop-shop na área de saúde e dermatologia.

Desde 2020, quem estrutura os  novos rumos da empresa é Denis Regis, executivo com experiência de 20 anos em cargos de gestão financeira em empresas como Sestini e Semantix. Em 2014, ele já tinha passado pela Medsystems, ocupando a posição de CFO interino por alguns meses. 

Após uma cisão entre os sócios em 2017 e a estruturação da companhia, José Luiz, o sócio-fundador que ficou com o negócio, convidou Regis para liderar o novo momento da empresa. Na divisão, ele conduz a  operacional da Medsystems, e o Luiz cuida da curadoria dos produtos, analisando as novidades no mercado e as novas tecnologias, além de presidir o Conselho de Administração.

Avenidas de geração de oportunidades para a Medsystems até a abertura de capital

Todo esse processo ganhou um novo fôlego nos últimos meses para que a empresa e o grupo persigam um objetivo maior: abrir o capital no prazo de dois a três anos. O grupo vendeu uma participação minoritária por R$ 225 milhões para o fundo de private equity XP Asset.

“A Medsystems é a vedete da holding, é a maior operação. [O IPO] pode ser tanto da holding como da Medsystems. Vamos abrir com o negócio que gera mais valor na cadeia”, afirma o CEO.

Para pavimentar o caminho até a abertura de capital, o executivo trabalha com algumas avenidas de geração de oportunidade:

  • A comercialização de novos tecnologias no mercado nacional
  • Aumento da capilaridade em todos os estados do país com a oferta de produtos e a entrega de serviços
  • Crescimento inorgânico, inaugurando um processo inédito ao longo destes 20 anos de operação: aquisições
  • Produção de tecnologias próprias

"A Medsystems está atuando em projetos de crescimento inorgânico, o que inclui uma fábrica. Dentre alguns objetivos se inclui a fabricação de devices. Considerando o estágio destes projetos acreditamos que iremos anunciar estes movimentos em breve", afirma Regis.

O desafio de mostrar o valor do negócio da Medsystems

A soma dos esforços, acredita o executivo, tende a dar a musculatura necessária, tanto em tamanho como ekm estrutura do negócio, para que a empresa chegue em 2025 com sex appeal suficiente para cativar os investidores.

Um desafio nesta trajetória é mostrar o valor do negócio e rebater a percepção negativa que ronda o mercado de distribuição. Há, tradicionalmente, uma ideia de que as empresas do setor não agregam valor na cadeia, têm margens baixas e apresentam elevado risco, podendo perder o fornecedor a qualquer momento.

“Nós nos consideramos uma empresa que gera valor em toda a cadeia, sendo um gatekeeper do mercado”, afirma. “No nosso roadshow, todos que olharam a companhia de perto conseguiram perceber a geração de valor e enxergar a diferença do desempenho e dos números da Medsystems comparados aos números de um distribuidor tradicional”.

A diferença, conta Regis, está na estrutura que a empresa montou para oferecer aos seus clientes, em geral dermatol0gistas. Além da distribuição, cuida de obter os registros em órgãos regulatórios, desenvolver os protocolos médicos e do acompanhamento de uso clínico e eventos assistências.

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