Cada vez mais, sinais sutis — como roupas e acessórios usados por executivos — entram no jogo estratégico de posicionamento corporativo. A vez agora é do tênis (Swile e Omnimedia Group/Divulgação)
Repórter
Publicado em 28 de dezembro de 2025 às 13h03.
Última atualização em 29 de dezembro de 2025 às 16h29.
Fortalecer uma marca já não depende apenas de campanhas publicitárias ou discursos bem ensaiados. Cada vez mais, sinais sutis — como roupas e acessórios usados por executivos — entram no jogo estratégico de posicionamento corporativo.
O figurino do CEO, sobretudo em apresentações públicas, reuniões com clientes e grandes eventos, passa a comunicar cultura, valores e identidade da empresa.
Não é um movimento exatamente novo. O visual minimalista de Steve Jobs ajudou a consolidar a imagem de inovação e simplicidade da Apple por décadas. A diferença agora é que companhias brasileiras e multinacionais passaram a institucionalizar esse tipo de linguagem visual, transformando acessórios personalizados — como tênis — em ferramentas de marketing, employer branding e cultura organizacional.
O visual minimalista de Steve Jobs ajudou a consolidar a imagem de inovação e simplicidade da marca Apple (Tim Mosenfelder / Correspondente autônomo/Getty Images)
Na avaliação de Jana Souza, consultora e estrategista de imagem, a prática só faz sentido quando existe coerência com a cultura corporativa.
“Produtos personalizados podem ser uma estratégia viável, desde que tenham propósito. Não podem ser apenas brindes isolados. Quando fazem parte do cotidiano, reforçam a identidade da empresa de forma contínua e significativa”, afirma.
A Swile, empresa francesa de benefícios flexíveis, é uma das empresas a adotar a estratégia de forma estruturada no Brasil. A companhia desenvolveu tênis personalizados para seus porta-vozes, usados em eventos, reuniões e no dia a dia do escritório. A iniciativa partiu do próprio CEO da operação brasileira, Julio Brito.
“No fim, é uma ação simples, mas muito estratégica: reforça o employer branding de dentro para fora, alinha a liderança em torno da cultura e garante consistência da marca no dia a dia, inclusive nas nossas apresentações”, afirma Brito.
A escolha do tênis, no entanto, não foi casual, diz Brito. “Ele dialoga com o estilo mais extrovertido da Swile. É coerente com o tom das campanhas e com a forma como queremos ser percebidos", diz. “Quando o time executivo vive a experiência, a mensagem ganha escala e credibilidade.”
O primeiro par foi usado em um evento em Montpellier, na matriz francesa, e desde então quase 20 modelos diferentes já foram criados para outros executivos.
Júlio Brito, CEO da Swile, com tênis personalizado durante evento em São Paulo (Swile Brasil /Divulgação)
A lógica também conquistou o Omnimedia Group, grupo especializado em mídia, RevOps e growth. Para Paulo Braga Filho, CEO da companhia, a personalização reforça o discurso estratégico da marca.
“Como CEO, eu represento a empresa em todos os lugares. Estampar nossa identidade em acessórios bonitos, modernos e de qualidade é mais uma forma de consolidar esse posicionamento”, diz.
Paulo Braga Filho, CEO da Omnimedia Group, com o tênis personalizado (Omnimedia Group/Divulgação)
Os tênis usados por essas empresas foram customizados no estúdio Oito Dois Custom, no centro de São Paulo, pelo artista Alberto Boni. O trabalho é feito sob demanda, em parceria com as áreas de marketing ou diretamente com os executivos.
“Eu crio junto com o cliente para deixar o produto pessoal, respeitando a identidade visual da empresa”, conta Boni, que atua nesse segmento há cerca de seis meses e já atendeu mais de 15 marcas.
O artista Alberto Boni personalizando o tênis de um CEO em seu estúdio em São Paulo (Alberto Toni/Divulgação)
A demanda, segundo o artista, cresce rapidamente: para o início de 2026, o artista já tem mais de 50 pares encomendados até o fim de janeiro.
A tendência representa uma inovação no marketing corporativo ao conectar diferentes áreas da empresa, afirma Marina Käfer, consultora de imagem pessoal e empresarial.
“É muito válido tanto para a companhia quanto para o funcionário, que se sente valorizado. A empresa ganha mais um aliado, um verdadeiro embaixador da marca”, afirma.
A estratégia também foi adotada pela Ayko, empresa de tecnologia com mais de 22 anos de atuação e uma base de mais de 750 clientes no Brasil e no exterior. Para o CEO Giuseppe Feitoza, o tênis personalizado traduz o posicionamento da empresa.
Giuseppe Feitoza, CEO da Ayko, com tênis personalizados (Ayko/Divulgação)
“Pensamos no tênis como uma extensão da marca Ayko. Somos uma empresa de tecnologia, mas acreditamos nas pessoas. O algoritmo ainda é humano. Ao unir as cores da empresa às iniciais de cada convidado, reforçamos que cada relação é única”, diz.
Em um mercado cada vez mais atento à autenticidade, essas empresas querem deixar literalmente a sua marca e deixar uma mensagem: quando a liderança veste a marca o discurso deixa de ser apenas institucional e passa a ser vivido no dia a dia.
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