Redação Exame
Publicado em 4 de fevereiro de 2026 às 16h12.
A trajetória de Jack Ng revela como decisões financeiras tomadas sob pressão, disciplina na formação de capital e entendimento prático de custos operacionais podem sustentar o crescimento de um grupo empresarial no setor de hospitalidade.
Fundador da NGMA Group, Ng lidera hoje cinco restaurantes no estado de Washington que geraram cerca de US$ 15 milhões em receita anual, resultado de uma estratégia construída muito antes da abertura do primeiro negócio. As informações foram retiradas de Entrepreneur.
Jack Ng deixou uma vila rural da China ainda criança, sem acesso à água encanada ou eletricidade, para viver nos Estados Unidos. A família se estabeleceu em uma pequena cidade a cerca de uma hora e meia de Seattle, após os pais conseguirem vistos de trabalho como chefs. Ao ingressar no sistema educacional americano, Ng não falava inglês e era o único aluno asiático da escola.
Ele concluiu o ensino fundamental, mas não terminou o ensino médio. Ainda adolescente, começou a trabalhar em restaurantes da família e em uma steakhouse de frutos-do-mar.
Antes de se tornar proprietário, passou por praticamente todas as funções operacionais de um restaurante, da cozinha à limpeza, acumulando conhecimento direto sobre estrutura de custos, rotinas de trabalho e operação diária.
Aos 18 anos, Ng decidiu buscar salários mais altos em um ambiente extremo: a pesca no Mar de Bering, no Alasca. O modelo de trabalho consistia em ciclos de três meses embarcado, seguidos por três meses de folga. As jornadas chegavam a 16 horas diárias. Após o primeiro ano, assumiu a função de cozinheiro a bordo, preparando refeições, ao lado de outro chef, para cerca de 120 pessoas, em turnos de 12 horas por três meses consecutivos.
Apesar das condições adversas, incluindo enjoo constante e riscos operacionais, o trabalho no Alasca tinha uma característica financeira decisiva: praticamente não havia despesas durante o período embarcado. Todo o rendimento era automaticamente acumulado. Ng observou colegas dissiparem rapidamente os ganhos e optou por preservar o capital, estabelecendo uma reserva com objetivo definido.
Determinando que o empreendedorismo seria a alternativa para sair definitivamente do trabalho no Alasca, Ng reuniu economias próprias e contribuições financeiras dos pais, irmãos e irmãs, todos empregados em restaurantes chineses. O montante final chegou a aproximadamente US$ 60 mil.
Em março de 1999, foi inaugurado o China City, em Oak Harbor, Washington, em um ponto comercial que já funcionava como restaurante, o que reduziu o investimento inicial em equipamentos, mesas e cadeiras. A família complementou a estrutura com utensílios, suprimentos e itens decorativos adquiridos com recursos próprios.
Os primeiros anos foram marcados por limitações na gestão da experiência do cliente, marketing e posicionamento do ponto comercial. O restaurante estava localizado em um shopping no centro da cidade, com pouco estacionamento e fluxo restrito de pessoas, o que impactava diretamente o faturamento.
Com a aceleração da expansão, Ng e sua equipe estruturaram uma marca corporativa unificada: a NGMA Group, cujo nome combina os sobrenomes de Ng e de sua esposa, Ma. A criação do grupo permitiu centralizar estratégias de marketing, ações comunitárias, doações e parcerias institucionais, além de facilitar a gestão financeira do portfólio de negócios.
No último ano, a NGMA Group registrou cerca de US$ 15 milhões em receita anual e triplicou o faturamento ao longo dos anos recentes. Em dias de maior movimento, os restaurantes atendem, somados, entre 2 mil e 2,5 mil clientes, considerando consumo no local e pedidos para viagem.
Não é raro ouvir histórias de empresas que faliram por erros de gestão financeira. Das pequenas startups até as grandes corporações, o desafio é parecido: manter o controle financeiro e tomar decisões estratégicas. E essa não é uma responsabilidade apenas da alta liderança. Independente do cargo, saber como equilibrar receitas, despesas e investimentos é essencial.
Foi de olho nisso que EXAME e Saint Paul decidiram liberar (com exclusividade e por tempo limitado) mais uma edição do Pré-MBA em Finanças Corporativas.
O treinamento é voltado para quem deseja aprimorar a gestão financeira e se destacar num mercado cada vez mais competitivo. Por isso, ao longo de quatro aulas virtuais, os participantes terão acesso a um conteúdo robusto, que inclui temas como análise financeira, planejamento estratégico e gestão de riscos.
Veja, abaixo, motivos para não ficar de fora dessa oportunidade imperdível.