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BR Angels entra no jogo das startups que ainda não estão prontas

Em parceria com a incubadora e aceleradora de negócios IGLOO, um dos principais grupos de investimento anjo do Brasil passa a criar empresas do zero antes de decidir pelo investimento

Orlando Cintra, do BR Angels: união de dinheiro, trabalho direto e acesso a executivos para tirar negócios do papel (Edição EXAME)

Orlando Cintra, do BR Angels: união de dinheiro, trabalho direto e acesso a executivos para tirar negócios do papel (Edição EXAME)

Leo Branco
Leo Branco

Editor de Negócios e Carreira

Publicado em 5 de fevereiro de 2026 às 12h28.

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Ideias boas chegam ao investidor cedo demais. Faltam produto, time e estrutura. Esse foi o ponto de partida de uma nova parceria no mercado de startups.

A BR Angels, grupo de investimento anjo, fechou um acordo com a IGLOO Network, uma venture builder, modelo que cria empresas do zero e acompanha a operação desde o início. A proposta é unir dinheiro, trabalho direto e acesso a executivos para tirar projetos do papel.

A história ganha peso agora porque a BR Angels passou a receber, com mais frequência, pedidos que iam além do cheque. Eram fundadores em busca de sócio técnico, gestor ou apoio diário na construção do negócio, algo fora do modelo tradicional do grupo.

“Não é só investir. É ver a empresa nascer, participar da construção e acompanhar a evolução antes de decidir pelo cheque”, afirma Orlando Cintra, fundador e CEO da BR Angels.

A meta da parceria é realizar cinco investimentos em até 12 meses. Cada operação deve envolver aportes entre R$ 1 milhão e R$ 5 milhões por parte da BR Angels.

A IGLOO entra com valor equivalente em serviços, como desenvolvimento de software, jurídico, recursos humanos e marketing, no formato de participação pelo trabalho, conhecido como sweat equity, investimento feito com mão de obra.

Como funciona o modelo

Na prática, as startups podem nascer dentro da IGLOO ou chegar ainda em estágio inicial. A IGLOO atua como sócia desde o começo, cuidando de produto, tecnologia e estrutura básica. A BR Angels entra com capital financeiro, rede de contatos e executivos que podem assumir funções no dia a dia da empresa.

O modelo é conhecido como venture builder, estrutura que cria e desenvolve negócios em vez de apenas investir em empresas já formadas. A parceria não limita setores. Pode envolver tecnologia, indústria, agro ou serviços.

Segundo Cintra, a ideia é acompanhar a empresa desde o início para reduzir incertezas na hora do investimento.

“Acompanhamos todo o processo. Isso ajuda a decidir se faz sentido ou não entregar o cheque”, diz.

O papel da IGLOO

Fundada em 2017, a IGLOO Network opera como incubadora, aceleradora e venture builder. A empresa mantém um espaço físico na zona sul de São Paulo e reúne startups, mentores e empresas em um mesmo ambiente.

Mauricio Zanetti, CEO da IGLOO, afirma que muitas ideias chegam cedo demais para fundos de investimento. “Avaliamos negócios desde a concepção. Alguns ainda estão muito no começo, mas têm potencial de virar empresa de pé”, diz.

Além da operação no Brasil, a IGLOO mantém conexões com outros países e leva startups para eventos e mercados fora do país. O foco, segundo Zanetti, é permitir que as empresas vendam no exterior, sem exigir mudança da equipe.

Investidor mais próximo da operação

Um dos efeitos da parceria é abrir espaço para executivos da BR Angels que querem participar da operação das startups. O grupo reúne mais de 400 membros, muitos com experiência em gestão, tecnologia e vendas.

Esses executivos podem atuar como sócios operacionais, algo que antes não tinha estrutura dentro da BR Angels. A IGLOO passa a ser o ambiente onde essa atuação acontece.

“Algumas startups precisam de alguém para tocar a operação junto com o fundador. Sozinhos, não conseguíamos atender isso”, afirma Cintra.

Espaço físico e eventos

A parceria também envolve o uso do espaço da IGLOO para encontros, reuniões e eventos. A ideia é manter uma agenda recorrente para aproximar investidores, fundadores e executivos.

“Nossa ideia é promover eventos e reuniões no espaço, criando uma aproximação maior entre as duas companhias”, afirma Cintra.

Para a IGLOO, o espaço físico funciona como ponto de troca diária e prospecção de novos projetos. “O contato constante ajuda a transformar ideia em empresa”, diz Zanetti.

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